sexta-feira, 20/10/2017
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Resenha: “A conspiração do rei James”, de Phillip Depoy

Livro: A conspiração do Rei James
Autores: Phillip Depoy
Páginas: 400
Editora: Prumo
Resenha por: Bruna
Compre: Saraiva Cultura Ponto Frio

Cambridge, abril de 1605. Um dos estudiosos que trabalhava na tradução da Bíblia para o inglês, a pedido do rei James, é encontrado cruelmente assassinado. O diácono Marbury, responsável por esse grupo de tradutores, tenta acobertar o assassinato e ao mesmo tempo dar prosseguimento ao trabalho de tradução. Contrata, em segredo, um misterioso monge para investigar o caso. No entanto, os assassinatos continuam acontecendo, e os estudiosos começam a acusar um ao outro pelos crimes. Enquanto isso, alguns segredos encontrados nos originais hebraicos, contendo informações que modificam radicalmente a mensagem bíblica que fora transmitida até então, fazem agravar ainda mais a situação. Com maestria, o autor nos presenteia com um incrível thriller que aborda um importante momento histórico e mostra a dificuldade de o rei James ter a tradução da Bíblia concluída.

Admito que sou o tipo de pessoa que leva muito em consideração o título de um livro, então quando vi “conspiração” no título, corri pra ser a sinopse. Intrigas, assassinatos, conspiração e igreja? Me ganhou na hora, adoro uma polêmica!

“Os homens se matam por muitos motivos, e a resposta mais óbvia nem sempre é a correta.” – pg. 63

A história central do livro trata de um enorme grupos de tradutores que trabalham em uma nova tradução da Bíblia, no século 17, a pedido do então atual rei da Inglaterra, James I. Porém, alguns desses tradutores começam a ser misteriosamente assassinados, tendo seus rostos cruelmente mutilados, o que começa a atrapalhar no progresso da tradução. Eis que o diácono Marbury contrata um detetive para investigar esses assassinatos. Até aí, tudo bem. Mas o detetive, conhecido como Irmão Timon, é um ex-monge que tem muitos segredos a esconder.

Toda essa história de uma nova tradução da Bíblia e a quantidade de erros também foi uma questão que me interessou muito, provavelmente por envolver minha área de trabalho. Erros de tradução são mais comuns do que muita gente imagina hoje em dia, pensem em como deveria ser lá em 1605. Mas o mais interessante ainda é saber da quantidade de evangelhos – hoje conhecidos como gnósticos – que foram deliberadamente tirados da bíblia, como o de Tomé, Filipe e Maria Madalena. O que mais me chamou a atenção durante toda a minha leitura é a forma como os homens, sejam eles da igreja católica ou não, manipulam um suposto livro sagrado de acordo com as suas necessidades. Não que isso seja alguma novidade, mas achei a abordagem do autor muito sincera e direta.

“Então como – grunhiu o tradutor, quase de forma inaudível – pode haver mais de cinco mil erros de tradução?” – pg. 65

Os personagens são todos muito redondos e interessantes e a minha maior surpresa ao chegar ao final do livro foi descobrir que na verdade todos os personagens do livro foram pessoas reais. A única personagem fictícia foi o monge-detetive, Irmão Timon, mas que mesmo assim foi inspirada na figura histórica de Giordano Bruno – um teólogo, filósofo, escritor e frade dominicano italiano condenado à morte na fogueira pela Inquisição. Outro período histórico do qual eu gosto de ler sobre e que é citado brevemente no livro, principalmente por conta do Rei James I, um rei que ficou obcecado pela ameaça que as bruxas representavam e escreveu o famoso livro Daemonologie- um trato que se opunha a prática de bruxaria e que serviu de base para Macbeth de William Shakespeare.

A história apresenta um bom ritmo ao longo da leitura. O desfecho não é dos mais elaborados e dá pra ter uma ideia de quem é o real assassino dos tradutores, apesar de todas as intrigas e reviravoltas. Pra quem curte um mistério envolvo de conspirações e histórias reais pelo qual nosso mundo já passou, A conspiração do Rei James é um prato cheio que com certeza vai agradar.

“(…) aí está a genialidade deles: sabem como usar o desespero pessoal de um ser humano, como torcê-lo para os próprios fins.” – pg. 365


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

Um comentário

  1. Eu vi esse livro faz um tempinho e desde lá tenho vontade de ler. Vontade eu tenho, só me falta um pequeno detalhe: dinheiro :( :( haha

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