sexta-feira, 20/10/2017
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Resenha: “O histórico infame de Frankie Landau-Banks”, de E. Lockhart

Livro: O Histórico Infame de Frankie Landau-Banks
Autores: E. Lockhart
Páginas: 344
Editora: Seguinte
Resenha por: Bruna
Compre: Saraiva Cultura Fnac

Aos catorze anos, Frankie Landau-Banks era uma garota comum, um pouco nerd, que frequentava a Alabaster, uma escola tradicional e altamente competitiva. Mas tudo muda durante as férias. Na volta às aulas para o segundo ano, o corpo de Frankie havia se desenvolvido, e ela havia adquirido muito mais atitude. Logo ela chama a atenção de Matthew Livingston, o cara mais popular do colégio, que se torna seu novo namorado e a apresenta ao seu círculo de amigos do último ano. Então Frankie descobre que Matthew faz parte de uma lendária sociedade secreta – a Leal Ordem dos Bassês -, que organiza traquinagens pela escola e não permite que garotas se juntem ao grupo. Mas Frankie não aceitará um “não” como resposta. Esperta, inteligente e calculista, ela dará um jeito de manipular a Leal Ordem e levantará questionamentos sobre gênero e poder, indivíduos e instituições. E ainda tentará descobrir se é possível se apaixonar sem perder a si mesma.

Tem alguns livros que a gente lê e é sempre um pouco complicado explicar o porquê de termos gostado tanto dele. Foi exatamente isso que aconteceu comigo com ‘O histórico infame’. Esse foi um dos livros mais legais e diferentes que eu li em 2013, mas por algum motivo que eu desconheço, não consegui sentar e escrever essa resenha antes.

Quando afirmo que esse foi um dos livros mais diferentes que li, é porque foi um dos poucos que eu li que não se encaixam no gênero de fantasia, distopia, policial, etc, e que, ainda assim, tem uma personagem principal com um quê de heroína sem ser a mocinha frágil. Frankie é uma adolescente que questiona tudo e que não aceita um simples “porque é assim que as coisas são” como resposta, ela não gosta de ser subestimada. Conhecemos Frankie no seu ano de grandes mudanças, em que ela vai de uma garota qualquer da escola para a nova namorada de um dos garotos mais populares de Alabaster, que faz parte de uma sociedade secreta (não tão secreta assim, já que Frankie consegue descobrir várias coisas sobre ela).

“Frankie desejou não ter pedido aquela limonada rosa. Limonada rosa era a bebida mais infantil que ela podia ter pedido.” – pg. 139

Uma das coisas que mais me conectou com Frankie são os diálogos internos que ela tem com ela mesma. Quem nunca? Tenho vários debates comigo mesma na minha cabeça o tempo todo. De uma forma leve, engraçada e muito inteligente, a autora mostra – e critica – a estrutura e os papéis da mulher e do homem nos relacionamentos. A única coisa que Frankie quer de seu namorado é ser vista como igual, que ele confie nela como ele confia nos amigos dele, mas ele insiste em tratá-la como uma garotinha, assim como sua família, que insiste em tratá-la como se ela tivesse 10 anos e fosse a eterna princesinha dos pais. A única personagem que trata Frankie como igual é a sua irmã mais velha, Zada. Quando elas conversam por telefone e Frankie conta que está namorando com Matthew e tudo que acontece entre eles, o único conselho que ela dá é: “Não deixe ele te apagar, Frankie”. Achei essa passagem uma das mais legais do livro. Demora um pouco, mas acredito que Frankie entende o que a irmã quer dizer.

Mas nem só de ‘feminismo’ vive o livro. O ambiente de uma escola de prestígio para a história foi uma ótima escolha da autora. Muitas situações são muito engraçadas e isso acaba tornando a leitura mais agradável e leve. Mesmo os trechos em que se falam sobre as aulas, a autora conseguiu inserir informações que serão úteis para a personagem lá pra frente no enredo.

‘O histórico infame’ não é um livro perfeito, nem que vai agradar as multidões e virar best seller da noite pro dia, mas acredito que ele é um livro que devia ser lido por todas as garotas pelos temas abordados pela autora. É impossível não gostar de Frankie em pelo menos um aspecto. Ela é forte, inteligente, racional e tem ideias brilhantes (algumas, inclusive, que vão deixar alguns meninos morrendo de inveja). Um livro pra se ler de cabeça aberta.


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

Um comentário

  1. Fico agoniada a cada resenha que leio deste livro, ele parece ser espetacular e eu ainda não li :(
    Adorei a resenha.
    http://toalhamecanica.wordpress.com

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