domingo, 16/12/2018
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Crítica de filme: “Quando eu era vivo”

Nessa sexta rola uma super estreia brasileira nos cinemas: Quando eu era vivo. O filme foi baseado na obra A arte de produzir efeito sem causa, do autor Lourenço Mutarelli (Companhia das Letras), só que com um clima mais de suspense, ou terror.

O LeS acompanhou a cabine, teve a oportunidade de conversar com elenco e produção, e agora vamos instigar a sua vontade de correr para o cinema contando um pouco dessa adaptação.

foto 1Como poucos tipos filmes do gênero, o diretor Marco Dutra – já fã dos livros de Lourenço – teve a sensibilidade de pegar a obra de um grande autor, focada no lado psicológico dos personagens, e transformar em um filme de suspense respeitado, sem ultrapassar o limite do medo e acabar sem querer no cômico.

O filme conta a história de Júnior, interpretado pelo brilhante Marat Descartes, que depois de se separar e perder o emprego volta a morar com seu pai, Sênior, interpretado por aquele que dispensa apresentações, Antônio Fagundes. Assim que chega em casa, Júnior percebe que nada era como antes, e que depois que sua mãe morreu, aquela casa, a casa da sua infância, tinha se transformado em algo completamente diferente. Na casa agora também morava Bruna, interpretada por Sandy, uma estudante de música que não parece querer nada com nada, até o dia em que Júnior descobre, em um quartinho dos fundos, as coisas antigas de sua mãe. No meio desses objetos, Júnior encontra uma partitura, e é aí que Bruna acaba se envolvendo, ou melhor, como Sandy mesma disse ‘ela acaba sendo tragada por tudo aquilo’.

No meio desses objetos ele também encontra antigas fitas VHS que sua mãe gravou do dia a dia dele e de seu irmão Pedro, e é através dessas fitas que nós, o público, começamos a descobrir o que realmente está por trás daquela família um tanto problemática.

foto 5Aos que perguntam sobre as semelhanças e diferenças entre livro e filme, como sempre, volto a repetir meu velho discurso, são duas formas diferentes de contar uma história, haverá sempre diferenças que serão feitas para adaptar melhor aquilo que o diretor quer contar ás telas do cinema. Artes diferentes, pedem medidas diferentes. Depois disso digo, não existem muitas semelhanças, mas como o autor mesmo disse ao ler o roteiro: ainda sim sua história estava lá. Segundo o diretor e a roteirista, o autor deu total liberdade para os dois criarem uma nova forma de contar aquela história que, como Fagundes mesmo lembrou, se passa na cabeça do pai. O mesmo ainda disse que não vê o filme como sendo sobrenatural, ou de um gênero só como o terror. Segundo ele, os símbolos do terror e suspense estão presentes no filme, mas o ambiente e a situação criam isso.

Com uma interpretação de dar inveja a qualquer ator, Marat completou dizendo que se sentiu fascinado quando leu o roteiro e topou na hora. Durante o filme todo apenas duas cenas são feitas fora do apartamento, e durante o filme você percebe que ele é essencial e reflete muito o que acontece com Júnior.

É um ótimo filme nacional, diferente do que estamos acostumados e que vale a pena ser visto. Ótima adaptação apesar das suas diferenças.

Sobre Karol

Atriz ruiva tão viciada em Shakespeare que foi até parar lá no palco do Globe Theatre de Londres de tanto que encheu o saco! Sem papas na língua,que sempre dá preferência a livros históricos e com culturas diferentes. Não leu Harry Potter ou Senhor dos Anéis, jogou Crepúsculo longe no meio do segundo livro mas é capaz de devorar qualquer livro que contenha um rei, um indiano ou um espírito no meio. Estranha, usa personagens românticos como referencia quando briga com o namorado, transforma tudo em um drama histórico e deseja silenciosamente transformar todos os livros que lê em filme.

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