sexta-feira, 17/11/2017
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Resenha: “Battle Royale”, de Koushun Takami

Livro: Battle Royale
Autora: Koushun Takami
Páginas: 664
Editora: Globo Livros
Resenha por: Bruna Fernández
Comprar: Saraiva Submarino Cultura Americanas

Em ‘Battle Royale’ o autor se aprofunda com mais vigor no desenho psicológico dos numerosos personagens – a turma de estudantes tem 42 pessoas -, trazendo à tona informações sobre a história de cada um como forma de explicar seu comportamento e suas reações diante dos perigos do jogo pela sobrevivência. Na batalha de todos contra todos, há os que enlouquecem, os que se revoltam, os que extravasam os piores instintos, os que buscam se alienar – e até os que assumem com prazer a missão de eliminar pessoas que horas antes eram colegas de classe. Nesse ambiente, o fio do suspense se mantém esticado o tempo todo – é possível confiar em alguém? Do que um ser humano é capaz quando toda forma de violência passa a ser incentivada?

A felicidade que eu senti quando recebi um pacote promocional de Battle Royale em casa da Editora Globo foi tão imensa que eu larguei o livro que estava lendo na hora pra começar a ler esse catatau de mais 600 páginas. E devorei ele inteirinho em uma semana.

Desde que a febre de Jogos Vorazes se espalhou e começaram a comentar que a série era uma cópia de Battle Royale (o que não é lá muito verdade, apesar das histórias serem parecidas, Suzanne Collins afirmou ter conhecimento de BR quando o primeiro livro de Jogos Vorazes já estava sendo impresso), confesso que fiquei muito curiosa para conhecer a história. Agora que já li ambos posso afirmar: Battle Royale é muito mais sangrento e infinitamente mais cruel.

Começamos o livro acompanhando uma turma com 42 estudantes igualmente divididos: 21 meninos e 21 meninas. O primeiro capítulo nos apresenta a cada um deles e as impressões de cada um através do olhar de um dos personagens principais da história: Shuya Nanahara. São muitos personagens e apesar de alguns terem um peso maior na história do que os outros, o autor construiu a história tão bem que cada um dos 42 alunos têm a sua devida importância para o enredo. Parece impossível, mas não é. Aliás, foi a única coisa que me confundiu foi a quantidade de personagens e seus nomes asiáticos, todos muito parecidos. Os alunos acreditam estarem indo para uma excursão, quando tudo fica muito confuso e eles acabam caindo no sono. Acordam todos em uma sala de aula com o Kinpatsu Sakamochi, o vilão sem escrúpulos da história, que é um empregado do governo e administrados do programa Battle Royale.

A premissa é basicamente seguinte: na República da Grande Ásia Oriental, todos os anos, uma turma do oitavo ano é escolhida para ser levada a uma cidade (geralmente uma ilha) evacuada, onde recebem as instruções, uma mochila com mantimentos e uma arma cada. Eles devem matar uns aos outros até que reste somente um, o grande vencedor. Claro existem alguns poréns: todos os alunos “ganham” uma coleira; se não houver nenhuma morte dentro um espaço de 24 horas, um botão será acionado as coleiras explodem. Ao longo do tempo, alguns espaços do território acabam se tornando proibidos, forçando os alunos a se movimentarem. Caso alguém esteja/entre em um quadrante proibido, a coleira também explodirá.

Supostamente, o programa foi criado como uma forma de investigação militar, com o resultado de cada batalha divulgado na televisão local. Porém, na verdade, trata-se um meio de aterrorizar a população, já que, depois de ver tais atrocidades, o povo se torna paranóico e dividido, evitando uma rebelião organizada – a verdadeira intenção do governo facista: manter todos sob pressão e medo constante.

Acredito que pelo fato de serem, de certa forma, amigos/conhecidos, isso torna a matança muito mais cruel do que vemos nos Jogos Vorazes de Suzanne Collins. A pressão psicológica e a confiança acabam atrapalhando e elevando os nervos dos participantes, levando alguns a loucura. A crueldade aumenta com a desigualdade na distribuição das armas – cada aluno no programa, ao deixar a sala de aula, recebe uma mochila cujo um dos itens é uma arma, que pode variar brutalmente: de uma metralhadora a um garfo.

O que mais impressiona é o final. Apesar de aparentar seu uma história de final óbvio, Koushun consegue surpreender o leitor a cada página virada. Nada do que eu esperava para o final aconteceu. E, por muitas vezes, não sabia o que esperar, muito menos na palavra de que aluno confiar. Passei grandes momentos de angústia junto aos personagens, me apeguei a muitos deles e sofri com cada perda (Ok, algumas eu cheguei a comerar, confesso. Hahahaha). Não é à toa que o livro é um grande sucesso de vendas. De longe, uma das minhas melhores e mais impressionantes leituras de 2014.


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

6 comentários

  1. Realmente, Battle Royale é extremamente mais sangrento que Jogos Vorazes. As histórias são semelhantes no quesito “jogo” e achei as regras bem parecidas. Suzanne ainda diz que não copiou, mas acho difícil ela nunca ter escutado sobre algo assim, ainda mais por causa daquela cena [SPOILER] com os fios em volta da árvore (Hello, Catching Fire)!
    Beijos.

  2. Camila Camui

    Amei sua resenha, expressa bastante o que BR é, e o que ele representa.
    O que mais acho fantástico nesse livro é como o autor conseguiu nos apresentar cada personagem, e nos dizer porque alguns são e agem de tal forma, exemplo ao Kazuo Kiriyama , um dos personagens mais bem formados no meu ponto de vista.
    Conheço BR faz anos e sempre acompanhei suas produções (mangás e filmes), e quando Jogos Vorazes surgiu, tbm fiquei com o pé atras ,mas logo me rendi a série =D.♥

    Mas nada supera a cena do farol!! Nunca chorei tanto em um livro. =//

    Adoro o site, e sua resenhas Bruna!! Beijos!

  3. Oi flor,
    Tenho muita curiosidade em ler esse livro porque adorei Jogos Vorazes e ele parece ter várias semelhanças. Meu namorado que me apresentou a ideia faz alguns anos porque saiu um filme japones ou chines não lembro do mesmo, voce sabia???Enfim não assisti ao filme mas quero muito ler o livro porque tenho certeza que vou amar.
    Beijos

  4. Tiago Santos

    Esse livro eh demais, acabei ele essa semana, o q eh mais interessante eh ele conseguir ser surpreendente do começo ao fim, pensei q ia ser super cliche e fácil de se deduzir, mas ele conseguiu trazer surpresas do começo ao final :D

  5. Estou pensando seriamente em encarar esse livro… Mas fico em duvida, se “Jogos Vorazes” já me deixou emocionalmente abalada e revoltada, pois de jeito nenhum eu esperava aquele fim, imagina o que vou sentir lendo esse livro? Claro que admito, achei “Jogos Vorazes” um livro muito digno, o que pode me levar a achar “BR” igualmente incrível.

  6. Caio Borrillo

    Tanto Jogos Vorazes quanto Battle Royale são igualmente aterrorizantes e violentos. A diferença é que em JV, o Estado é unido à mídia que tornou uma crueldade num espetáculo envelopado de festa nacional. Em BR, a tática é direta, sem maquiar de festividade. E ambas são igualmente monstruosas.

    O grande problema de BR é ser um livro misógino, homofóbico, racista e com esterótipos irritantes nos personagens. Menos nos heróis, esses aí são perfeitos. Enquanto em JV a coisa é bem mais complicada.

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