segunda-feira, 16/10/2017
Últimas do LeS:
Capa » Resenhas de Série » Resenha: “O canto das Sereias”, de Val McDermid

Resenha: “O canto das Sereias”, de Val McDermid

Livro: O canto das sereias
Série: Tony Hill & Carol Jordan
Autora: Val McDermid
Páginas: 490
Editora: Bertrand Brasil
Resenha por: Bruna Fernández
Comprar: Saraiva Cultura Travessa Folha

Inspirado pelo acervo de um museu dedicado a aparelhos de tortura, o Assassino de Bonecas – como é conhecido por abandonar suas “obras de arte” em locais de público gay – parece ter descoberto a grande vocação de sua vida. E suas mortes são planejadas com tamanha frieza e impiedade que não deixam nenhum rastro para trás.
Por causa da ausência de pistas, o psicólogo Tony Hill é convocado para ajudar na investigação. Com a ajuda da detetive Carol Jordan, sua missão é entrar na mente do criminoso e estabelecer um perfil que possibilite desvendar sua identidade. No entanto, mesmo para um profissional experiente como ele, a série de mutilações sexuais seguidas de assassinato é diferente de tudo que já viu antes.
Um suspense psicológico tenso e muito bem escrito, O canto das sereias explora a mente atormentada de um assassino em série diferente de qualquer outro que o mundo da ficção já tenha visto. Os métodos de tortura utilizados, assim como o modo de abordagem das vítimas – narrados pelo criminoso em seus relatos sombrios – chocarão os leitores.

Sempre tive muita vontade de ler uma obra da autora escocesa, pois simplesmente amo o gênero de livros policiais/suspense/thrillers psicológicos, mas nunca tive a oportunidade até me deparar com O canto das sereias. Sempre me apego muito ao título de um livro, mas dessa vez o que realmente me conquistou foi a capa do livro, que é um tanto fria e obscura, e o trabalho feito na sua textura só acrescenta à sua beleza exótica.

A primeira coisa que devo avisar na resenha é que o leitor pegue esse livro pra ler e tenha a noção de que ele foi escrito há 19 anos. Por isso, a história é um pouco datada por conta do avanço tecnológico que o mundo sofreu nesse meio tempo. Mas é só você não se apegar aos detalhes que nem vai perceber. Já se você é um pouco mais novinho e já é da geração “internet banda larga”, pode ser um pouco mais difícil conseguir se distanciar, por exemplo, do fato dos personagens não se comunicarem por celular. Entretanto, fora esse detalhe tecnológico, a história é atemporal, muito bem estruturada e poderia ter sido lançada nesse mesmo ano em que nos encontramos.

Nesse primeiro livro da série que acompanha os personagens de Carol Jordan, uma durona e incansável detetive da Divisão de Homicídios e de Tony Hill, um psicólogo forense especialista em traçar perfil de psicopatas e serial killers, a polícia está com um enorme problema nas mãos: depois de alguns assassinatos com o mesmo padrão, o chefe do departamente se vê forçado a afirmar – contra a sua vontade e julgamento – que existe um serial killer à solta na cidade. Porém, eles estão sem recursos e pistas e é assim que Tony Hill surge na história – a polícia espera, com a ajuda dele, poder descobrir pelo menos o perfil desse psicopata cruel que anda assustando toda a comunidade local, principalmente os gays, já que a polícia acredita que as vítimas são todas homossexuais, ou pelo menos bisexuais. É assim que o assassino ganha o apelido de “Assassino de Bonecas”.

A história é dividida entre duas narrativas. A principal, que conta a evolução do caso, em terceira pessoa, na qual acompanhamos os personagens de Tony e Carol, e uma paralela, com trechos mais curtos e retroativos, que são trechos em primeira pessoa, escritos pelo próprio assassino, salvos em disquetes (mais um dos detalhes que datam a história, tecnologicamente). Esses trechos dão o toque especial ao livro: com passagens precisas de cada passo dado pelo assassino em relação à todas as suas vítimas, o leitor tem a oportunidade de entender melhor o caso com essas passagens. McDermid não poupa o leitor de detalhes, assim como o serial killer não poupa suas vítimas de uma cruel tortura. Lia e relia esses trechos com uma enorme atenção, procurando por pistas para tentar descobrir a identidade do assassino. Porém, a autora é boa em mudar o foco e me via suspeitando de um novo personagem a cada capítulo lido. No final, uma das minhas suposições acabou se tornando semi-verdadeira, mas confesso que o final foi surpreendente.

Os personagens principais são muito marcantes e extremamente reais e parecidos. Ambos são incrivelmente bons no que fazem, e, de certa forma, se completam em suas funções. Carol é uma personagem forte que precisa de paciência e firmeza sobrehumanas para poder sobreviver no meio de tantos homens na polícia. O livro ilustra muito bem que ser uma mulher com um cargo importante, acima de vários homens não é uma tarefa nada fácil. Já Tony Hill é dono de uma mente impressionante. É extremamente inteligente, porém, com uma vida pessoal um tanto quanto problemática. Assim como o personagem de Steve Dark, da série Grau 26, aprendemos com Tony Hill que é necessário uma mente monstruosamente perigosa e torturada para reconhecer outra. Adoro quando os “mocinhos” tem esse lado obscuro e deixam a linha entre certo e errado bem borradas.


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*