sexta-feira, 24/03/2017
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Resenha: “A culpa é das estrelas”, de John Green

Livro: A culpa é das estrelas
Autora: John Green
Páginas: 288
Editora: Intrínseca
Resenha por: Guilherme Ferreira
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Hazel é uma paciente terminal. Ainda que, por um milagre da medicina, seu tumor tenha encolhido bastante — o que lhe dá a promessa de viver mais alguns anos —, o último capítulo de sua história foi escrito no momento do diagnóstico. Mas em todo bom enredo há uma reviravolta, e a de Hazel se chama Augustus Waters, um garoto bonito que certo dia aparece no Grupo de Apoio a Crianças com Câncer. Juntos, os dois vão preencher o pequeno infinito das páginas em branco de suas vidas.

Tenho o costume de pensar que cada livro que lemos acaba fazendo parte da gente. É a prova de que palavras são mágicas. A escrita é uma grande farsa que começa no autor como fantasia e que, sendo uma grande farsa por si só, dispensa análises realistas. Porém, quando o autor dá partida em uma fantasia e a entrega ao leitor com a força da realidade, ele faz mais do que mágica: ele transforma. Achei importante explicar isso para você entender o poder de A Culpa É Das Estrelas. Como a obra é poderosa.

Introduzir crianças com câncer era uma proposta ousada, ainda mais quando todo mundo sabe como termina quem sofre dele. A fantasia não torna o câncer menos cruel e, ao colocar a doença como fator inevitável na história, John Green tira toda a esperança. Em um livro assim, onde você passa a amar os personagens depois de poucas páginas, saber que eles não têm esperança é desolador. O autor não se propôs a suavizar o sofrimento, mas entregou a realidade crua que, embora com doses de amor adolescente, mostra que um romance não precisa ser maquiado para funcionar.

A trama de A Culpa É Das Estrelas mostra Hazel Grace, uma adolescente que visita um grupo de apoio para pacientes com câncer. Mais importante do que isso, no entanto, é a relação dela com seu amigo cego, Isaac, com Augustus Waters, o Gus, e com o câncer em si. A amizade que completa, o amor que salva e a inevitabilidade que anula os dois primeiros. É o relacionamento entre eles, o desenvolvimento das personalidades, da doença e suas interações com o restante dos personagens – com a família, colegas e paixões antigas – que faz o livro se destacar tanto.

Um dos grandes trunfos da obra é seu criador. John Green nunca deixa a desejar. Com uma narrativa cheia de deliciosos trocadilhos e diálogos memoráveis, ele encanta o leitor. Os vários – e excelentes – alívios cômicos do livro são a quimioterapia de Green para quem lê: doses de morfina que suavizam a leitura pesada. Mas não confunda isso com camuflagem, uma vez que John Green não poupa esforços para passar o dia a dia – e aí está a mágica da escrita – da doença.

Levando em consideração a história que faz brotar amor e esperança em um mundo onde ambos estão condenados desde a primeira página, nada mais justo do que um “eu aceito” para encerrar a bela construção de A Culpa É Das Estrelas. E, para quem lê, fica a mágica bem feita citada no primeiro parágrafo dessa resenha. Aquela que transforma fantasia em realidade, e faz você acolhê-la com todo o coração, mesmo sabendo que, no final, ele vai estar quebrado.

Como acontece quase sempre no mundo real.

Sobre Guilherme

Nasceu no Condado de Roseira e foi se perder na cidade grande de São Paulo, onde cursa o terceiro ano de Publicidade e Propaganda na Faculdade de Comunicação Cásper Líbero. Viciado em séries, música e livros, prefere passar uma noite de sábado lendo "Sob a Redoma" do que sair para balada. Escreveu um livro que - se tudo sair como deve - será publicado ainda esse ano, talvez em agosto. Vai que dá certo e ele vira um escritor famoso, né.

4 comentários

  1. Nossa Guilherme, o último parágrafo da resenha falou tudo!Li o livo a pouco tempo e amei.Ri,chorei e me diverti muito com ele e no final meu coração saiu quebrado,mas mesmo assim a leitura valeu apena.

    Bjs

  2. Melhor resenha de todos os tempos para a ACEDE!
    Perfeita, em todos os aspectos que uma resenha deve ter.
    Amei.

  3. Não tenho um vocábulo integro e inteligente, como você Guilherme se assim, posso escrever. O livro por si só tem o que eu considero de mais valioso simplicidade verdadeira. Nos transporta ao mundo que ele quer nos descrever, e como se fossemos um dos personagens, seja, no grupo de terapia, na rua, no restaurante enfim, fazemos parte deste mundo a partir do momento que nos propusemos a leitar. desta forma, deixamos de ser leitores e acabamos como atores fictícios em um mundo paralelo, dentro daquele que por muitos é considerado como um livro, mas, descrevo que não é um livro qualquer, mas sim O Livro….Obrigada por permite compartilhar esta opinião.

  4. Adorei a historia q vcs contaa no livroo é muito emocionate .

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