sábado, 14/10/2017
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Resenha: “O Teste”, de Joelle Charbonneau

Livro: O Teste
Série: Teste, O
Autora: Joelle Charbonneau
Páginas: 320
Editora: Única
Resenha por: Bruna Fernández
Comprar: Saraiva Submarino Cultura Fnac Folha

No dia de formatura de Malencia ‘Cia’ Vale e dos jovens da Colônia Cinco Lagos, tudo o que ela consegue imaginar – e esperar – é ser escolhida para O Teste, um programa elaborado pela Comunidade das Nações Unificadas, que seleciona os melhores e mais brilhantes recém-formados para que se tornem líderes na demorada reconstrução do mundo pós-guerra. Ela sabe que é um caminho árduo, mas existe pouca informação a respeito dessa seleção. Então, ela é finalmente escolhida e seu pai, que também havia participado da seleção, se mostra preocupado. Desconfiada de seu futuro, ela corajosamente segue para longe dos amigos e da família, talvez para sempre. O perigo e o terror a aguardam. Será que uma jovem é capaz de enfrentar um governo que a escolheu para se defender?

Ao se deparar com O Teste, muitos podem reclamar: “mais uma distopia, não!”, outros afirmarem que é “mais do mesmo” e outros ainda comemoram: “quanto mais, melhor!”. O fato é que em O Teste nós temos uma grande mistura de elementos de outras distopias bem conhecidas – Jogos Vorazes, Divergente, Maze Runner – mas com um toque pessoal e novo dado pela autora.

Confesso que o comecinho da leitura não me empolgou muito, devido às semelhanças com as outras séries já citadas. Acompanhamos a protagonista, Malencia “Cia” Vale, no dia de sua formatura na pequena colônia de Cinco Lagos. Seu sonho é ser escolhida para o Teste, assim como seu pai foi escolhido um dia. Porém as informações sobre essa seleção são escassas e há 10 anos ninguém de sua colônia é chamado para o Teste. Cia faz parte de uma família grande. Ela tem mais 4 irmãos: os gêmeos Hart e Win, Hamin e seu irmão mais velho e confidente, Zeen. Cia não entende como ele nunca foi chamado para o Teste, por conta de sua assombrosa inteligência. Eis que um dia depois de sua formatura, um encarregado de Tosu City (cidade central) chega à colônia e informa que quatro jovens foram selecionados para o Teste: duas garotas – Cia e Zandri – e dois garotos – Tomas e Malachi.

Porém a protagonista percebe que há mais por trás do Teste, quando sua colega Zandri questiona o que acontece se o candidato escolher não participar do Teste e eles são informados que, de acordo com a lei, o candidato será punido e pagará com a sua vida, justificando – de uma forma bem falha – que essa é uma lei antiga, de quando haviam rebeldes que eram contra a Comunidade Unida que queriam derrubar o novo governo.

Quando Cia revela à sua família que ela foi escolhida para o Teste e deve partir no dia seguinte para Tosu City, cada membro tem uma reação diferente: alguns de seus irmãos comemoram; sua mãe fica feliz por ela e triste ao mesmo tempo, afinal, os candidatos que partem para o Teste quase nunca voltam para a sua colônia de origem; seu irmão Zeen aparenta uma ponta de inveja; e seu pai apresenta grande preocupação. Depois das comemorações, o pai de Cia pede para conversar com ela a sós. Ele alerta a filha de que o Teste para a entrada na universidade não é nada do que ela espera: ele mesmo não se lembra de nada que aconteceu durante os testes e acredita que sua memória desse período foi apagada. Tudo que ele se lembra são fragmentos que aparecem em flashes em pesadelos diários. Seu principal conselho à Cia é a frase chave que permeia todo o enredo: NÃO CONFIE EM NINGUÉM. A partir desse momento a história começa a tomar forma.

“Se for um erro, é meu erro. As consequências serão minhas.” – Cia, p. 61

Acompanhamos então o progresso – e algumas falhas – de Cia e seus colegas de Cinco Lagos e outros candidatos até Tosu City e as quatro fases do Teste – que tem como função criar líderes que saibam lidar com a pressão e as consequências de seus atos. Vale mencionar que os candidatos são testados de formas cruéis, demonstrando que uma vida não tem lá muito valor para os oficiais de Tosu City. O menor sinal de fraqueza leva o candidato a ser eliminado do processo. Em todos os sentidos. Um sistema opressor e brutal no qual um passo errado pode custar a vida. E no qual a diferença entre amigos e inimigos é praticamente nula.

Não esperava uma leitura que fosse me agradar tanto, com discussões interessantes sobre o real papel de um líder, questionamentos do que esse líder deve ser capaz de fazer pelo bem da sua população e quão longe algumas pessoas estão dispostas a ir pelo poder que tem um líder. Só achei que a autora poderia ter contado um pouco mais sobre os Sete Estágios da Guerra – forma como o mundo chegou à sua ruína (basicamente uma guerra entre ocidente e o oriente). Joelle se mostrou impiedosa na sua narrativa logo de cara, perdi a conta de quantas mortes e crueldades estão presentes nesse primeiro livro da trilogia. O segundo volume, Estudo Independente será lançado no Brasil esse mês e eu espero que a autora mantenha o ótimo nível na continuação e que, ao contrário do primeiro volume, que ele contenha menos erros. Faltou um cuidado mais especial na hora da revisão.

“Só para você saber, não estou feliz de vê-lo vivo.” – Will, p. 288


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

4 comentários

  1. Allison Norberto

    Curto bastante distopias e, realmente, só pela capa já me vieram à memória todas as citadas no começo da resenha – Maze Runner, Jogos Vorazes… e mesmo depois de ler a resenha, penso que será algo bem semelhante (tipo São Tomé, que só acredita vendo! kkk), mas mesmo assim me deu vontade de conhecer. Quando se fala em muitas mortes você logo fica naquela “vou gostar de alguma personagem e vão matar a pessoa só de ruim”. ^^

  2. Estou lendo ele, até agora tô até gostando. Só queria perguntar se vai ter romance.

  3. Bru Fernández

    Até tem Dudda, mas não é muito o foco da série.

  4. Desde o começo do livro eu juro q to desconfiando de todos eles, ainda não terminei, mais eu estou lendo bem rápido até, e o legal é q esse livro te faz querer ler mais.

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