sábado, 14/10/2017
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Resenha: “Liberta-me”, de Tahereh Mafi

Livro: Liberta-me (#02)
Série: Estilhaça-me
Autora: Tahereh Mafi (@TaherehMafi)
Páginas: 444
Editora: Novo Conceito
Tradução: Bárbara Menezes de Azevedo Belamoglie
Resenha por: Bru Fernández
Compre: Saraiva Submarino Cultura Fnac Travessa

Se no primeiro, Estilhaça-me, importava garantir a sobrevivência e fugir das atrocidades do Restabelecimento, em Liberta-me é possível sentir toda a sensibilidade e tristeza que emanam do coração da heroína, Juliette. Abandonada à própria sorte, impossibilitada de tocar qualquer ser humano, Juliette vai procurar entender os movimentos de seu coração, a maneira como seus sentimentos se confundem e até onde ela pode realmente ir para ter o controle de sua própria vida. Uma metáfora para a vida de jovens de todas as idades que também enfrentam uma espécie de distopia moderna, em que dúvidas e medos caminham lado a lado com a esperança, o desejo e o amor. A bela escrita de Tahereh Mafi está de volta ainda mais vigorosa e extasiante.

ATENÇÃO! Esses livro não são os primeiros da série e podem conter spoilers! Confira nossas resenhas anteriores dessa série, clicando na capa desejada:

Juro que não entendo o motivo de eu demorar tanto pra ler algumas séries. Aconteceu isso comigo com Mazer Runner e, com certeza, Estilhaça-me é uma delas. Eu adorei o estilo de escrita da Tahereh quando li o primeiro livro – que eu comprei num impulso quando passei pela livraria – e estava super curiosa pra ler a continuação, Liberta-me, que começa exatamente de onde paramos: com Juliette no Ponto Ômega, lugar que abriga as pessoas com genes mutados, que possuem algum tipo de ‘poder’ e estão se preparando para uma guerra contra o Reestabelecimento.

Antes de iniciar a minha leitura, achava que o livro começaria de forma leve, com a ação aumentando aos poucos. Estava tão errada. O enredo de Liberta-me começa explosivo, com uma guerra iminente e Juliette, a protagonista, ainda não progrediu no controle do seu poder – o toque letal de suas mãos. Em resumo: nada está acontecendo do jeito que deveria.

Juliette não consegue se concentrar em seus poderes pois não consegue enxergar nenhum lado positivo em seu poder destrutivo. Ela passou seus 17 anos sendo tratada como um monstro, e é exatamente assim que ela se sente. Não á um trabalho psicológico feito com a personagem, apenas uma incrível pressão para que ela esteja pronta para a batalha, e isso não é lá muito justo com ela. Fora isso, Juliette também tem outras preocupações: seu relacionamento com Adam está um pouco abalado, ele está agindo de forma estranha – por um motivo justo (leiam pra saber qual é!) – e os dois acabam se distanciando. E há também os sentimentos dela por Warner, dos quais ela não entende completamente. Tudo isso acaba a distraindo do seu objetivo de controlar seu poder. Depois de muito relutar ela concorda em ser treinada por Kenji.

“- Mas… agora? No meio da noite?
– A merda no ventilador não trabalha de acordo com a sua agenda, princesa.” – Kenji, p. 181

Kenji é um dos meus personagens favoritos da série. Além de ser o alívio cômico da história, ele é também uma peça importantíssima na estrutura do Ponto Ômega. Ele é um dos poucos – além de Warner – que consegue se empolgar positivamente com o poder de Juliette, chegando até a invejá-la. Mas como sempre, estar/ser próximo a Juliette, quase sempre significa viver à beira do perigo de ser ferido por ela. Nesse volume temos uma melhor ideia da dimensão do poder dela e o quão desesperadamente ela precisa aprender a lidar com ele, o quanto antes.

Temos também uma visão melhor do personagem de Warner (yay! #TeamWarner). Em algumas – longas – cenas de conversas entre ele e Juliette, Tahereh dá aos leitores uma possibilidade de ao menos tentarmos entender o jovem ‘vilão’ um pouco melhor. Mas, assim como seu personagem, muitas respostas que ele oferece às questões da protagonista são muito enigmáticas. Outro personagem que conhecemos melhor é o Comandante Supremo do Reestabelecimento, o cruel e imponente pai de Warner. Esse segundo livro vem deliciosamente recheado de reviravoltas inesperadas, de deixar o queixo caído, do começo ao fim. Cada hora um dos personagens fica na posição de refém da oposição e pequenas revelações do enredo vão sendo feitas. E com essas reviravoltas e revelações o enredo se complica e fica mais e mais intrincado.

“Procuro palavras e frases extras em meus bolsos, mas não encontro nenhuma, nem um advérbio, nem uma preposição, nem mesmo um particípio oscilante porque não há uma única resposta para um pedido tão bizarro.” Juliette, p. 269

Em resumo, Liberta-me, a escrita poética de Mafi traz aos leitores a libertação de Juliette. Ela precisa passar por inúmeras provações e situações de pressão para finalmente se aceitar e entender o que precisa ser feito pelo seu mundo para que ele seja um lugar melhor. Com um final de tirar o fôlego, muitas dúvidas pairam no ar e só nos resta esperar que todas elas sejam elucidadas em Incendeia-me, o último livro da série que já está à venda nas melhores livrarias.


Aviso Legal: Esse livro foi adquirido pela própria resenhista.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

Um comentário

  1. Helio de Oliveira e Souza

    Depois de se ver livre da prisão em que esteve agora tem de se relacionar com outras pessoas e tomar cuidado com seu poder e lidar com seus sentimentos que estão aflorando e isso em meio a uma guerra que querem que ela participe provavelmente a personagem esta totalmente perdida e confusa em relação ao que acontece em volta dela muito interessante e este livro.

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