sexta-feira, 20/10/2017
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Resenha: “Missão Moleskine”, de Stella Maris Rezende

Livro: Missão Moleskine
Autora: Stella Maris Rezende
Páginas: 240
Editora: Globo
Resenha por: Bruna Fernández
Comprar: Saraiva Submarino Cultura Travessa Fnac

Elvira Guiomar “tem nome de avó, já nasceu antiga”, mas não se engane o leitor: ela é uma menina original. E as paixões que a movem e comovem não têm data, não têm tempo – o amor do primeiro namorado, a poesia, a família, a curiosidade pelo outro.

Para essa menina, que usa a franja bem comprida e de vez em quando dá uma guinada no pescoço, jogando o cabelo para trás como se estivesse desafiando o mundo, “escrever desembesta”. Ou seja, “faz a pessoa deixar de ser besta, arreda, arreda, vira rodamoinho, tira as coisas do lugar”. Elvira é uma menina que pretende tirar as coisas do lugar – para tanto, recorre a um plano de boa sorte.

Quando Missão Moleskine chegou pelo correio me apaixonei na hora por ele! Seu formato, claro, de moleskine, cores chamativas, ilustrações descontraídas… simplesmente apaixonante. Mas não pude deixar de achar que a história seria mais infantil. Que nada! O livro é bem mais puxado pro juvenil com uma protagonista da qual é impossível desgostar. A personagem principal dessa história é Elvira Guiomar, que, apesar de ter nome de senhorinha antiga, é uma adolescente que vive de imaginação e poesia – um sintoma de família: sua mãe, Júlia Regina é poeta e já lançou um livro, mas teve que abandonar o sonho pra sustentar a família; já o pai Bernardo Ribeiro é músico compositor, e vive dentro de casa sem poder mostrar seu talento ao mundo; e temos também os irmãos gêmeos de Elvira: João Pedro e José Carlos, que inventam mil xingamentos um para o outro o tempo todo.

Elvira é ambiciosa, sonhadora e é dona de uma imaginação muito fértil: um de seus passatempos é imaginar a vida de estranhos que ela encontra pela rua. A protagonista também ama escrever pois segundo ela, escrever desembesta a pessoa e então ela acaba adquirindo um moleskine de capa verde do qual ela leva para cima e para baixo, escrevendo sobre sua vida, seus amores, dissabores e lutas diárias para ajudar a família.

“Os colegas vivem dizendo que têm dificuldade na escrita. Ela quer saber quem não tem. Escrever é o mesmo que viver; dificuldade é o que não falta.” – p.32

Outros personagens importantes além da família de Elvira são Ana Márcia, a atual melhor amiga da menina, que adora uma tragédia e vive praticamente sozinha já que os pais vivem fora em viagens à trabalho. A maior felicidade de Ana Márcia é quando alguma coisa sai errado e alguém morre ou é sequestrado, o perfeito contraponto para a personagem de Elvira. Já Antônio é o garoto por quem Elvira se apaixona e ela decide que ele será o namorado dela. O primeiro contato que ela faz com ele é através de um livro e o gesto com certeza vai derreter o coração dos bookaholics, eu sei que o meu derreteu! Porém Antônio também é um outro lado da moeda de Elvira: o que a menina tem de poética, Antônio tem de científico; a menina que fala e escreve sem parar e o menino que guarda tudo pra si; a garota que ama e vive para a família e o garoto que nunca fala de seus parentes.

“Existimos não com um propósito, Elvira. Existimos e pronto. O universo não tem um propósito. Então, é um espetáculo de aventura esta vida.” – p. 85

Depois de alguns problemas, quando tudo parece estar dando certo na vida de Elvira, ela inicia um “plano de boa sorte”: deixa seu moleskine com o namorado Antônio, para que ele leia seus textos e então ‘puf’, a garota que é todas as garotas possíveis simplesmente desaparece.

Como esse “plano de boa sorte” se desenrola e termina eu não vou contar aqui pra não estragar a história. Só digo que vale a leitura para acompanhar Antônio seguindo pistas e procurando por sua poética namorada, numa busca que com certeza irá transformar a vida dele para sempre. E a dos leitores também.

O início da minha leitura me causou enorme estranheza pois a escrita de Stella magistralmente imita o turbilhão que é a mente de um adolescente: mil ideias ao mesmo tempo, mudanças rápidas e por vezes bruscas de assunto e devaneios, entretanto com o virar das páginas logo entrei no ritmo delicioso da leitura.

“Sou todas as meninas impossíveis.” – p. 93

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

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