segunda-feira, 23/10/2017
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Resenha: “O sopro dos deuses”, de Bernard Werber

Livro: O Sopro dos Deuses
Série: Ciclo dos Deuses, O
Autora: Bernard Werber
Páginas: 588
Editora: Bertrand Brasil
Resenha por: Bruna Fernández
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No início, quando chegaram à cidade de Olímpia e foram aprovados na categoria de anjos da guarda, os alunos-deuses eram 144. Agora, esse número está reduzido quase pela metade. Ao longo do jogo em que precisam fazer evoluir seus próprios humanos – e ao fim do qual somente um aluno sairá vencedor –, muitos já foram eliminados e transformados em seres mitológicos. Diante desses perigos, Michael Pinson tenta sobreviver e impedir a extinção de seu povo.
Para piorar, Michael também tem outras preocupações: apaixonado por Afrodite, ele descobre detalhes sobre o passado da deusa do Amor que o fazem repensar seus sentimentos e acabam por envolvê-lo em um perigoso triângulo amoroso.
Uma história em que os leitores aprenderão, de forma divertida, sobre mitologia e, além disso, sobre história geral. Por meio do narrador, Werber apresenta uma releitura de episódios importantes da humanidade, descrevendo-os sem citá-los diretamente. Na verdade, ele fornece dicas para que os leitores possam interpretá-los e descobrirem sozinhos do que se trata.
Neste segundo volume, O sopro dos Deuses, o autor dá sequência à sua viagem por um mundo divino de fantasia, repleto de suspense e imaginação, onde propõe uma emocionante reflexão filosófica sobre a história humana e o significado da vida.

“Na verdade, muito de perto, os humanos logo se tornam insuportáveis” – p. 52

O segundo volume dessa trilogia começa com uma espécie de “anteriormente na série…”, com o protagonista Michael Pinson narrando o que aconteceu com os povos dos alunos-deuses e as saídas do grupo de amigos de Michael para desbravar Aeden. O assassino (deicida) ainda está a solta e não sabemos quem ele é, apenas a sua motivação: eliminar a competição, que vai ficando acada vez mais acirrada.

Cada vez mais seguimos a história dos povos dos alunos-deuses de perto e acabamos por nos apegar a alguns deles. Apesar das consecutivas quedas do povo dos golfinhos de Michael Pinson e seu ideal utópico de evitar a guerra a todo custo, me vi torcendo por eles a todo instante. Porém a estratégia – ou falta de uma – jogo de Michael não funciona muito bem, pois ele leva seus ideais a ferro e fogo. Outro povo também muito carismático são as mulheres vespas, uma das poucas sociedades matriarcais do jogo, que são lideradas pela querida Marilyn Monroe.

De longe, as minhas passagens preferidas são as aulas dos alunos-deuses com seus mestres, geralmente com um deus olimpiano ou figura mitológica. Várias questões sobre como o mundo deveria funcionar, como os seres humanos devem reagir e questionamentos sobre a guerra – ou a cooperação – entre povos são levantadas e começa então uma discussão religiosa, filosófica, e até mesmo histórica, com exemplos de civilizações que realmente existiram. Cheguei até a questionar algumas de minhas opiniões e visões de mundo em algumas dessas passagens, percebendo que nem tudo é o que realmente parece e que a História é construída pelos vencedores.

“Ser deus talvez fosse uma punição para almas arrogantes.” p. 113

Lá pelo meio do livro Michael é atacado pelo deicida e acaba ferindo-o no ombro. Na busca pelo culpado em Aeden, ele é encontrado e sentenciado a um destino cruel. Porém, fica a questão no ar: a pessoa sentenciada era mesmo o culpado ou foi apenas um bode expiatório?

O protagonista, Michael, acaba se metendo em grandes confusões ao tentar salvar o seu povo e acaba se aventurando sozinho pelas terras proibidas de Aeden… e acaba conseguindo ir mais longe do que seu grupo de amigos jamais conseguiu ir em conjunto. Acaba até reencontrando um personagem com o qual temos um breve contato no primeiro livro, que é uma grande surpresa. O terço final do livro é completamente focado no personagem de Michael e sua importância para o enredo, além do crescimento pessoal de si mesmo como aluno-deus: ele precisa compreender algumas coisas para que possa continuar no jogo, lutando pelo seu povo dos golfinhos.

Uma série singular. A escrita de Bernard nesse volume é mais fluída que no primeiro e igualmente cativante e você nem sente o tempo passar ao virar as páginas. Quando me dava conta, já tinha lido mais de 80 páginas em menos de duas horas ou então quase perdia o ponto do ônibus de tão concentrada que eu estava na leitura. Curiosidade extrema de saber qual será o desfecho da história, que levantou muitas questões curiosas ao final desse volume e não consigo imaginar qual será a manobra no escritor para encerrar essa trilogia. O jeito é aguardar e esperar pelo lançamento de O mistério dos deuses que deve sair ainda esse ano pela bertrand Brasil.

“A realidade é o que continua a existir quando a gente para de acreditar.” – p.213


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

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