sexta-feira, 15/12/2017
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Resenha: “O último passageiro”, de Manel Loureiro

Livro: O último passageiro
Autora: Manel Loureiro
Páginas: 384
Editora: Planeta
Resenha por: Bruna Fernández
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Agosto de 1939. Um enorme transatlântico chamado Valkirie aparece vazio e à deriva no Oceano Atlântico. Um velho navio cargueiro o encontra e decide rebocá-lo até o porto, mas não sem antes descobrir que nele há um bebê de poucos meses… e algo mais que ninguém é capaz de identificar. Por volta de setenta anos depois, um estranho homem de negócios decide restaurar o misterioso transatlântico e repetir, passo a passo, a última viagem do Valkirie. A bordo, presa em uma realidade angustiante, a jornalista Kate Kilroy busca uma boa história para contar. Mas acabará descobrindo que somente sua inteligência e sua capacidade de amar podem evitar que o transatlântico pague novamente um preço sinistro durante o percurso. Inquietante. Enigmático. Viciante. Bem-vindo ao Valkirie. Você não poderá desembarcar…mesmo se quiser.

“Sobre o escovém da âncora, a vários metros de altura acima deles podia-se ler seu nome. Valkirie.” – p.19

Virei fã de carteirinha do autor espanhol Manel Loureiro quando conheci ele pela série Apocalipse Z. Nem preciso dizer que fiquei super animada quando soube que a Planeta ia lançar mais um livro do autor aqui no Brasil, o título e capa já me chamaram a atenção. Logo nas primeiras páginas me senti completamente envolvida pela história.

O prólogo parece ser a descrição de uma ambientação de filme de terror, muito mais profundo e forte do que um simples suspense. Acompanhamos a tripulação do Pass of Ballaster, anos atrás – mais exatamente o final dos anos 30 – quando eles encontram no mar um enorme navio à deriva e resolvem entrar e para investigar o que aconteceu com o enorme Valkirie. Tudo que eles encontram é um cruzeiro nazista completamente vazio, ainda com seus botes à bordo e apenas um bebê judeu abandonado em um dos salões.

A narrativa então tem um pulo para os dias atuais onde acompanhamos Kate Kilroy, uma jovem jornalista que recentemente perdeu seu parceiro Robert e “ganha” a história do misterioso navio alemão Valkirie, que ele estava se preparando para investigar, quando acabou falecendo após um atropelamento. Durante as suas investigações Kate descobre que um bilionário inglês comprou o navio e está reformando ele inteirinho, planejando colocar ele de volta na ativa.

São muitos os mistérios que circundam a história do navio e seu único sobrevivente. Como um navio fica à deriva sem nenhum homem à bordo? Por que um bebê foi abandonado no navio? Por que existem tantas pessoas interessadas em comprar um antigo cruzeiro nazista por uma alta quantia? O que aconteceu com os integrantes da tripulação do Pass os Ballaster que achou o Valkirie? O que aconteceu com o bebê? E aos poucos o autor vai revelando essas respostas, cada vez mais entrando no terreno do sobrenatural.

Muitas mortes e tentativas de assassinato começam a acontecer, deixando o clima de suspense ainda maior. O ponto que pode divergir a opinião dos leitores é quando a história começa a ficar sobrenatural/científica demais e o autor acaba adicionando ao suspense e à abordagem histórica alguns fantasmas, forças invisíveis e viagens no tempo. Tentei não me prender demais à realidade, com um enredo mais racional, e me deixar levar pela história, mas conhecendo outros volumes do autor, confesso que esperava um pouquinho mais do livro. Talvez por esperar um suspense real sem toda essa parte sobrenatural eu tenha me decepcionado um pouco (o desfecho clichê e previsível também pode ter ajudado um pouco), mas se você gosta dessa mistura, com certeza esse é um livro que pode entrar na sua meta de leitura.

“A questão não é no que nós acreditamos, e sim no que eles acreditam.” – p. 165


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

Um comentário

  1. Reinaldo J. Nunes

    Eu li o livro é gostei, dei 4 estrelas, porque não me senti com aquela vontade de “ah meu deus, que droga, não aguento mais ler isso”.

    Mas acho que a história em si poderia ter sido muito, mas muito, melhor.
    Começa bem, com todo aquele suspense. Achei isso muito massa. Mas aí quando já vem para os dias atuais, onde acontece aquela tentativa de morte da K.K na casa do último sobrevivente do Navio, já achei meio “ah?” A inclusão da Wolf and Klee achei meio sem convencimento, talvez porque não é bem inserido na história e tem pouca relevância. E o motivo deles quererem o navio só para voltar na época nazista… não colou. O que também pra mim não colou foi a força sobrenatural. Achei que ela seria mais imponente, talvez tomando uma personificação. Achei ela muito “fraquinha”. Esperava algo tipo “Atividade Paranormal”, sabe, no primeiro filme.

    Também acho que foi totalmente desnecessário as descrições demasiadas de sexo (como a parte onde a Senka recebe um Oral, ou onde a Kate faz um oral). Não achei necessário essas inclusões na história, porque sinceramente, sexo com um fantasma? Também não colou. Se no finalzinho, a alma do Robert tivesse aparecido e falado que dentro dela havia uma parte dele, que havia estado ali antes de ele morrer, faria muito mais sentido.

    Também muitos personagens, alguns nem contribuíram muito pra história (como Cherenkov, que morreu sem mais nem menos, Só apareceu ali pra falar da Tal Singularidade, mas nem adentrou tanto). Feldman também que tinha tudo pra ser um personagem forte foi jogado pra escanteio e no fim acontece aquilo com ele.

    Mas acho que o pior de tudo foi que de repente todo mundo fica louco, de uma hora pra outra. Estava na metade do livro e de repente, todo mundo surtou, todo mundo louco. Me senti perdido na história, como se faltasse algo.

    Enfim, muitos erros, mas mesmo assim, a história tem um ritmo bom, diverte e dá pra entender a ideia principal. O final nem vou comentar, apesar de um pouco lógico.. mas enfim. Dei 4 estrelas porque apesar de tudo, não foi dos piores (sim, já li coisa beeeeeeeeeem pior, que não faz sentido algum haha).

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