sexta-feira, 15/12/2017
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Resenha: “Level 2”, de Lenore Appelhans

Livro: Level 2
Série: The Memory Chronicles
Autora: Lenore Appelhans
Páginas: 336
Editora: LeYa
Resenha por: Bruna Fernández
Comprar: Saraiva Cultura Travessa

“Mas, então, eu morri. E agora não consigo dormir. Exceto, porém, quanto tenho acesso às memórias do meu sono. Você não acredita em quantas vezes vasculhei os dezessete anos e 364 dias de minha vida em busca daqueles raros e ininterruptos períodos de letargia, livres de pesadelos. Porque dormir é minha única e verdadeira pausa neste eterno carretel de lembranças, tanto as minhas como as que aluguei.”

Desde sua morte prematura, Felicia Ward está presa no Level 2, uma espécie de limbo localizado entre a Terra e o Céu. Junto com seus companheiros, a garota passa horas intermináveis plugada em uma espécie de câmara, revivendo lembranças de seu tempo na Terra e lamentando o que perdeu: família, amigos e Neil, o garoto que amava. Até que uma menina é encontrada morta em uma câmara vizinha e somente Felicia lembra de sua existência.

Ao mesmo tempo, Julian, um cara perigosamente encantador que ela conheceu em vida, aparece para oferecer uma saída. É quando Felicia descobre a verdade: juntando-se à rebelião para derrubar os Morati, anjos guardiões do Level 2, ela poderá estar com Neil novamente. Suspensa entre o Céu e a Terra, Felicia se encontra no centro de uma luta secular entre o bem e o mal.

As lembranças de sua vida voltam para assombrá-la e, com os Morati a caçá-la, a garota vai descobrir que não é apenas a sua própria redenção que está em jogo… Mas a salvação de toda a humanidade.

Diferente. Essa definitivamente seria minha escolha se me pedissem para definir Level 2 com apenas uma palavra. A autora apresenta um conceito novo sobre a vida após a morte: ao invés de irmos direto para o céu – ou o inferno – nós temos que passar por níveis diferentes para, aos poucos, ir ascendendo. O nível 1 é a Terra, onde nós vivemos. Ao morrer somos levados para o nível 2 – onde Felicia se encontra no começo da história – onde você não precisa se alimentar, não precisa dormir e tem acesso a uma máquina em que você pode reviver suas memórias, quantas vezes quiser. E ainda pode compartilhar algumas delas com os outros e ainda alugar memórias de outras pessoas, uma espécia de Netflix da vida alheia. Para poder partir do nível 2 e seguir para o 3 a pessoa precisa aceitar a sua morte e seguir em frente.

A personagem principal dessa história é Felicia. Ela está no nível 2, fazendo novas amizades com as suas companheiras de quarto e entrando em uma nova rotina, quando Julian, o ex-namorado da sua melhor amiga em vida – Autumn – aparece inesperadamente para recrutar Felicia para a rebelião que está acontecendo no nível 2. Para convencê-la a se juntar a ele, Julian afirma saber onde Neil, namorado de Felicia, está e promete explicar tudo para ela, se ela vier com ele. Porém a nossa protagonista não tem certeza se pode ou não confiar em Julian – os dois têm um passado, e aos poucos o leitor entende o motivo de Felicia ter um pé atrás com ele.

O enredo da história não é completamente linear. Lenore usa o recurso da máquina de memórias para voltar no tempo e mostrar passagens da vida de Felicia que nos mostram o quão complicadas eram as suas relações com a família e com os amigos. Gosto muito desse estilo de livros que somos jogados na história completamente no escuro e, aos poucos, o autor vai revelando pedacinhos de informação que vão se encaixando para formar o quebra-cabeças completo no final da história. Aos poucos percebemos que Felicia não é a protagonista guerreira e certinha, mas sim uma garota cheia de defeitos, que errou muito e tinha relações muito conturbadas. Uma mudança revigorante.

“Quero dizer, todo mundo tem experiências ruins, certo? Todos fizemos coisa que não queríamos ter feito.”

Além de todo o mistério envolvendo o passado de Felicia, temos uma revolução acontecendo no nível 2, mas confesso que essa parte do enredo foi a que menos me interessou. Não sei se pelo fato de achar a parte da vida de Felicia muito mais interessante ou simplesmente ter achado a parte da revolução explicada de forma superficial e corrida. A autora até inseriu alguns elementos da mitologia grega no mundo de level 2, mas achei que ela acabou focando muito mais na história da protagonista e seus elos com Julian e Neil do que na revolução em si.

O final do livro chega com uma reviravolta bem interessante e, como um bom primeiro livro de série, deixa o leitor com um gostinho de quero mais. A resenha pode parecer superficial mas eu poderia falar muito mais sobre a história aqui, mas aí estragaria totalmente a leitura do livro pra vocês. Minha sugestão? Leiam. A história de Felicia é diferente e vale a pena conhecer.


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

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