quarta-feira, 11/10/2017
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Resenha: “E não sobrou nenhum”, de Agatha Christie

Livro: E não sobrou nenhum
Autor: Agatha Christie
Páginas: 400
Editora: Globo
Resenha por: Bruna Fernández
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Anteriormente publicado como “O caso dos dez negrinhos”. “E não sobrou nenhum” é o maior clássico moderno das histórias de mistério. Dez pessoas diferentes recebem um mesmo convite para passar um fim de semana na remota Ilha do Soldado. Na primeira noite, após o jantar, elas ouvem uma voz acusando cada uma de um crime oculto cometido no passado. Mortes inexplicáveis e inescapáveis então se sucedem. E a cada convidado eliminado, também desaparece um dos soldadinhos que enfeitam a mesa de jantar. Quem poderia saber dos dez crimes distintos? Quem se arvoraria em seu juiz e carrasco? Como escapar da próxima execução?

“Dez soldadinhos saem para jantar, a fome os move; Um deles se engasgou, e então sobraram nove.” – p. 49

A minha felicidade quando essa nova edição de um dos clássicos da Rainha do Crime chegou em casa pelo correio foi indescritível. Como uma amante da literatura policial, esse é um livro do qual eu jamais me cansarei. Com um dos enredos mais originais e envolventes que eu já li nessa vida, ele deixa o leitor tenso desde as primeiras páginas até as últimas.

Logo no começo somos apresentados aos 10 personagens que foram convidados para passar uns dias na Ilha no Soldado e temos um vislumbre de seus pensamentos mais pessoais. São eles Emily Brent, Phillip Lombard, Vera Claythorne, Mr. Blore, Anthony Marston, Dr. Armstrong, General Macarthur, Juiz Wargrave e o casal Mr. e Mrs. Rogers. Existiam rumores de que a isolada mansão na Ilha do Soldado era propriedade de uma grande estrela de Hollywood, mas o barqueiro contratado pelo misterioso U. N. Owen para levar seus convidados até a ilha acredita que seja mentira, afinal os convidados não estão aos pés de um convite Hollywoodiano.

Quando os convidados começam a conversar entre si percebem cada vez mais uma atmosfera esquisita e misteriosa em torno de seu desconhecido anfitrião. Depois de se instalarem na mansão e serem avisados que U. N. Owen se atrasará, todos os 10 convidados estão reunidos quando uma Voz se faz ouvir e, como em um julgamento, todos os 10 personagens são acusados de homicídio. Depois de alguns recobrarem o senso, todos começam a tentar se justificar (ou até mesmo assumir as acusações). Mas então é dada a largada e os convidados começam a morrer, um após o outro. As mortes acontecem baseadas em uma antiga cantiga britânica: “os 10 soldadinhos”.

Depois de algumas mortes e uma busca infrutífera na ilha toda, os convidados chegam à conclusão de que U. N. Owen é na verdade um dos convidados e começam a suspeitar desesperadamente uns dos outros. Pouquíssimas pistas são deixadas ao longo do enredo para que o leitor consiga descobrir quem é o gênio sadista que arquitetou um crime tão detalhista. Essa não foi a minha primeira leitura deste livro, mas me recordo bem que na primeira vez que li, o tempo todo eu mudava de opinião sobre que seria o verdadeiro culpado.

Entretanto, só descobrimos como tudo realmente aconteceu somente nas últimas páginas. E só descobrimos pura e simplesmente por conta do enorme ego do assassino, e, como não podia deixar de ser com a Agatha Christie, é um desfecho de deixar o leitor de queixo caído.

A minha única decepção com essa edição é o fato dela ser “politicamente-correta”, já que os agentes literários da Agatha Christie propopuseram a mudança de título do original O caso dos dez negrinhos (Ten little niggers no original), perdendo a relação com a canção folclórica inglesa homônima, rebatizando ele de “E não sobrou nenhum”, e, consequentemente, mudando o nome da Ilha do Negro para Ilha do Soldado. Mas, de qualquer forma, é um clássico policial que não pode faltar em nenhuma estante!

“Um soldadinho fica sozinho, só resta um; Ele se enforcou, e não sobrou nenhum.” – p. 50


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

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