sexta-feira, 20/10/2017
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Resenha: “Desaparecida”, de Catherine McKenzie

Livro: Desaparecida
Autora: Catherine McKenzie
Páginas: 320
Editora: LeYa
Resenha por: Bruna Fernández
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Emma Tupper não existe mais. E por que não, então, inventar uma nova Emma Tupper? “Só poeira. É como se eu tivesse sido apagada. Transformada em cinzas.” Quem nunca sonhou em recomeçar a própria vida do zero? A jovem advogada Emma Tupper se vê diante dessa oportunidade quando volta para casa, após passar seis meses desaparecida na África. Surpresa, percebe que todos acreditam que ela estava… morta. Emma descobre que sua antiga vida foi apagada. O apartamento onde vivia acaba de ser alugado para um novo inquilino, o misterioso fotógrafo Dominic. No escritório de advocacia, no qual construía uma carreira brilhante com chances de concorrer ao cargo de sócia, sua rival Sophie se apossou não só de seus clientes e de sua sala, mas também de seu namorado, Craig. Enquanto tenta resolver o caos no qual seu mundo se transformou, Emma se questiona: ela era feliz antes de sua viagem à África? Tinha valido a pena se sacrificar tanto em nome do trabalho? Amava Craig de verdade? Queria mesmo ter aquela vida de volta? Romântico e espirituoso, Desaparecida revela a envolvente trama de uma mulher à procura de si mesma.

Desaparecida foi mais uma leitura que me impressionou de uma forma positiva nesse ano. Nele, acompanhamos a narrativa da história de Emma Tupper, uma advogada dedicada, no melhor estilo workaholic dos estadunidenses, que faz de tudo pra crescer na empresa e se tornar uma associada o quanto antes. Emma (aparentemente) está em relacionamento estável e saudável com outro advogado, tão trabalhador e dedicado quanto ela, Craig. Enfim, Emma tem uma ótima relação com a sua mãe, e não fala muito sobre o seu pai, mas a personagem não deixa de sentir que, apesar de ter o emprego perfeito, o relacionamento perfeito, que sua mãe está, de alguma forma, desapontada com as suas escolhas na vida.

A mãe de Emma é apaixonada pela África e sempre teve o sonho de visitar o continente, porém ia sempre adiando seu sonho, acabou adoecendo e falecendo sem realizá-lo. Entretanto, ela não deixou esse mundo antes de arquitetar um plano que, sem ela saber, irá mudar a vida de sua filha para sempre – e não da forma que a sua mãe esperava. Ao falar com o advogado que cuida das finanças da família Emma descobre que sua mãe deixou para ela, como herança, uma passagem de ida e volta para a África – para que ela pudesse realizar o sonho da mãe.

Apesar de contrariar os seus superiores – que são contra Emma ficar um mês longe da empresa, imagina que absurdo descansar por um mês inteiro! – Emma decide fazer a viagem, pensando que isso dará a ela um desfecho em relação à perda de sua mãe.

O que Emma – ninguém, na verdade – esperava era a peça que o destino pregaria: Alguns dias depois de chegar no continente africano, Emma adoece e acaba ficando presa em um vilarejo que ficou isolado por conta de um terremoto de proporções catastróficas, perdendo completamente a comunicação com o resto do mundo. Ela consegue para casa somente seis meses depois, com o pensamento de que poderia simplesmente continuar a sua vida de onde ela parou. O que ela não contava era com o fato de todos os seus conhecidos pensarem que ela está morta.

“Eu aprendi a não colocar prazo em coisas que não posso controlar.” p. 86

Ao chegar em seu apartamento, ela descobre que outra pessoa está se mudando para lá: Dominic, um fotógrafo que acabou de ter uma enorme desilusão amorosa. Sem casa, sem amigos, sem emprego, sem carro e sem namorado, Emma acaba percebendo que sua vida está longe de ser o que era antes e ela começa a se questionar se realmente sua vida era tão perfeita assim.

Começa então o processo de retomada de vida, mas claro, as coisas nem sempre acontecem de acordo com o desejo da gente, e a mesma coisa acontece com a personagem principal. Tinha certeza que o livro terminaria do jeito mais clichê possível, mas a autora conseguiu me surpreender em alguns pontos e isso é sempre revigorante.

Durante a narração do livro, temos trechos intercalados da volta de Emma e de trechos da sua aventura na África. Um livro curtinho e gostoso de ler, que faz a gente pensar que é preciso ponderar tudo nessa vida, tudo que que é em excesso, até a tão almejada perfeição, não faz bem a ninguém.


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

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