domingo, 15/10/2017
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Resenha: “O visitante inesperado”, de Agatha Christie & Charles Osborne

Livro: O visitante inesperado
Autora: Agatha Christie & Charles Osborne
Páginas: 140
Editora: BestBolso
Resenha por: Bruna Fernández
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Não se deve confiar no óbvio. Pelo menos quando o assunto é Agatha Christie. Em O VISITANTE INESPERADO — peça teatral transformada em romance por Charles Osborne — a velha dama do suspense mostra porque é considerada mestre no assunto e já vendeu milhares de exemplares em todo o mundo. O mistério é o personagem principal numa trama repleta de reviravoltas, diálogos tensos, diversos suspeitos e com final surpreendente.

O VISITANTE INESPERADO pode ser definido como um mistério disfarçado de não-mistério, pois começa aparentemente com a resolução de um caso de assassinato. O engenheiro Michael Starkwedder atola seu carro numa vala num frio fim de tarde de novembro. Ao procurar ajuda numa casa das imediações, dá de cara com um cena bizarra. Uma mulher, segurando uma arma ao lado do cadáver do marido, se confessa culpada. Mas nada é tão simples quanto parece. O morto — o deficiente físico Robert Warwick — era um sádico de caráter irascível, odiado por muitos.

A cada virada de página, ao se descortinarem as idiossincrasias de Warwick, fica mais difícil acreditar que ele tenha sido morto pela esposa. Satarkwedder encarna o detetive amador e começa a investigar o caso. A ele logo se junta um inspetor de polícia com inclinações poéticas — sempre citando autores famosos, entre eles Keats. Os dois suspeitam que a viúva está tentando encobrir alguém. Talvez o pai de um menino atropelado e morto por Warwick dois anos antes. Quem sabe o cunhado retardado. Ou o amante da viúva.

A dúvida fica no ar até o último instante. Ao adaptar a peça O VISITANTE INESPERADO, Charles Osborne resgata uma história inédita para uma legião de fãs de Agatha Christie.

Essa obra na verdade foi escrita em forma de peça de teatro, uma outra grande paixão de Agatha. Para a felicidade dos fãs e colecionadores de seus contos e livros, Charles Osbourne – o biógrafo da escritora – resolveu adaptar a história em um romance. Charles também adaptou outra peça da rainha do crime para romance: Café Preto, que infelizmente ainda não tive a oportunidade de ler. Entretanto, essa não é a primeira obra de Agatha Christie que eu leio que vem de uma adaptação de uma peça: no ano passado tive a oportunidade de ler A teia da aranha e fica claro o talento da escritora para criar enigmas e atiçar a curiosidade tanto de seus leitores, quanto de seus espectadores.

Em O visitante inesperado um narrador em terceira pessoa nos conta a história que começa com um homem adentrando uma casa em busca de ajuda pois seu carro ficou atolado na estrada de uma cidadezinha no interior da Inglaterra. A personagem, Michael Strarkwedder, entra na casa pois encontra a porta de vidro destrancada e então se depara com o cadáver de Richard Warwick, um velho deficiente físico. Logo depois encontra Laura Warwick, a atraente esposa do falecido, sentada em uma cadeira com uma arma nas mãos. É então dada a largada para um jogo mental insano.

Laura confessa que assassinou seu marido e que Michael deve ligar para a polícia e delatar o crime. Porém, Michael com seu enorme cavalheirismo resolve ajudar a recém viúva: eles montam uma nova cena do crime. Só que a cada nova página fica cada vez mais claro para o leitor que Laura está apenas tentando encobrir alguém. A polícia chega no dia seguinte e então somos apresentados aos outros personagens da casa: a Sra. Warwick, a mãe do falecido; Benny, ou Sra. Bennet, a empregada de longa data da família; Jan, o irmão do falecido, possue problemas mentais; Major Julian Farrar, um grande amigo do casal Warwick e Henry Angell, o assistente pessoal do falecido Sr. Warwick.

O melhor dessas personagens é que elas são reais. Apesar do livro ser curtinho (afinal trata-se de uma peça de teatro!) é incrível como todos os personagens são muito bem delineados nesse curte espaço. O clima de suspense é tão grande que cada hora eu suspeitava de um personagem, até, por fim, me decidir por um. Pensava estar totalmente certa, mas… eis que o final me deixou impressionada. Incrível! Quanto tempo que a identidade de um assassino não me surpreendia!

O visitante inesperado foi escrito com maestria e Charles Osbourne fez jus às grandes obras de Agatha Christie. Até Mathew Prochard, neto da escritora, concordou: “Lê-se como um autêntico Christie, da mais pura safra. Tenho certeza de que Agatha ficaria orgulhosa de havê-lo escrito”.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

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