sexta-feira, 15/12/2017
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Resenha: “A canção do sangue”, de Anthony Ryan

Livro: A canção do sangue
Série: A sombra do corvo
Autor: Anthony Ryan
Páginas: 640
Editora: LeYa
Resenha por: Bruna Fernández
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Quando Vaelin Al Sorna, um garoto de apenas 10 anos de idade, é deixado por seu pai na Casa da Sexta Ordem, ele é informado que sua única família agora é a Ordem. Durante vários anos ele é treinado de forma brutal e austera, além de ser condicionado a uma vida perigosa e celibatária. Mesmo assim, Vaelin resiste e torna-se líder entre seus irmãos. Ao longo de sua jornada, Vaelin também descobrirá de quem foi o verdadeiro desejo para que ele fosse entregue à Ordem o objetivo sempre foi protegê-lo, mas ele não tem ideia do quê. Aos poucos, indícios de uma esquecida Sétima Ordem e questões acerca das ações do Rei Janus fazem Vaelin Al Sorna questionar sua lealdade. Destinado a um futuro grandioso, ele ainda tem que compreender em quem confiar. Neste primeiro volume da trilogia A Sombra do Corvo, Anthony Ryan estreia de maneira promissora na literatura com uma aventura repleta de ação.

“Um tolo é qualquer homem que acha que não é tolo.”

Uma coisa é certa sobre A canção do sangue: esse é um livro “às avessas”. Começamos a leitura no presente (o do livro, é claro, não o nosso presente) e através do relato da personagem principal, somos levados de volta no tempo. E essa foi a chave de Anthony Ryan pra surpreender seus leitores.

O personagem principal do livro chama-se Vaelin Al Sorna. No começo da história – o tempo presente – ele é um prisioneiro a caminho de um duelo que provavelmente resultará na sua morte. Vaelin, inclusive, é conhecido como o Matador do Esperança, um título bem forte e ambíguo. A partir daí, ele começa a contar a sua história, como chegou até ali, para o seu captor. Depois de perder sua mãe, aos dez anos, seu pai o “abandona” na porta da Sexta Ordem para que ele cresça lá e aprenda a se tornar um soldado que vai defender a Fé do Reino. Mestres, Aspectos e outros garotos que se tornam seus irmãos, essa agora é a sua família.

A trajetória de Vaelin vai de garoto abandonado a herói, e é simplesmente impossível não se render ao carisma da personagem, não por sua bondade, por ele foi treinado para ser um soldado duro, líder nato e cruel, mas por sua maturidade desde tenra idade. A impressão que ficou em mim é de uma alma velha presa ao corpo de um jovem, que aos poucos conquista o leitor, em suas aventuras – que de início podem parecer desconexas – no trajeto de ascensão dentro da Sexta Ordem.

Apesar de ser um livro de fantasia, achei o pano de fundo da história, cidades, línguas foi construído com certo descaso. Alguns elementos como nomes dos meses diferentes dos nossos são introduzidos a esmo e parecem simplesmente jogados no meio da história, mais atrapalhando do que realmente ambientalizando. Mas o enredo da história em si é tão envolvente e os personagens tão diferentes entre si e palpáveis que eu praticamente não senti falta de um pano de fundo tão bem estruturado.

É muito interessante poder acompanhar a jornada de Vaelin, a criação do “mito” no qual ele se tornou – bem diferente da maioria dos heróis fantásticos. Os irmãos que crescem junto de Vaelin são igualmente interessantes, cada um com sua particularidade especial, e desenvolvimento ao longo da narrativa. Nortah, Barkus, Dentos e até mesmo o jovem Frentis são todos personagens bem construídos. Outro fato que torna o livro bem mais realista é o fato de Vaelin não ser o melhor de todos em tudo. Ele é um ótimo guerreiro no combate com espada e um excelente estrategista, mas seus irmãos todos têm a sua especialidade particular. Juntos, são praticamente imbatíveis.

Gostei mais do que imaginei desse livro e estou bem animada para saber o que aguarda Vaelin nos próximos livros da trilogia.

“A vida não espera. Você tem que fazer acontecer. Você tem de vivê-la enquanto ela está acontecendo ao seu redor. A vida segue em frente.”


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

4 comentários

  1. Tiago Santos

    Aaah, vi esse livro ontem na saraiva e fiquei na dúvida entre comprar ou não e acabei não levando, mas depois dessa resenha vou lá buscar haha :D

  2. Que livro é esse?! Fantástico. Trata-se de uma obra que narra a trajetória de Vaelin Al Sorna, um jovem entregue por seu pai para servir em uma ordem religiosa. O interessante é que o mundo criado por Anthony Ryan, repleto de intrigas, traições, jogos políticos e religiosos é perfeitamente factível, em outras palavras, esta é uma fantasia sombria, mas sem exageros. Apesar de o tamanho do livro assustar, mais de 600 p, a leitura é fluida e impossível de parar. Recomendo muito!!!! A. Ryan, com todos os méritos, é uma dos novas vozes da literatura fantástica e sua trilogia é, e minha opinião, muito, mas muito melhor que as tranqueiras escritas por George R. Martin (que, sinceramente, não sei porque é tão venerado)

  3. Acabei de ler esse livro ontem, o livro é muito bom, com uma leitura fluida que não te deixa parar de ler, o escritor te prende a vida de Vaelin, sendo que a qualquer momento tudo pode mudar, ele te leva por um caminho e depois muda pra outro te deixando atordoado. A tempos que não lia um livro tão bom.

  4. Fantástico, maravilhoso e emocionante da primeira a ultima pagina. Leitura imperdível.

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