sábado, 14/10/2017
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Resenha: “O fio da vida”, de Kate Atkinson

Livro: O fio da vida
Autora: Kate Atkinson
Editora: Globo Livros
Páginas: 536
Resenha por: Nina Lima
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E se você pudesse mudar as escolhas da sua vida? E se ao nascer de novo, refazendo sua trajetória, pudesse mudar o destino de outras pessoas e até o curso da história? É esse fascinante jogo com o tempo que permeia a narrativa de Ursula, a personagem principal de O fio da vida, livro da escritora britânica Kate Atkinson. Na trama, Ursula, que nasce em 1910, parece viver em um eterno déjà-vu. Às vezes, sabe o que alguém vai dizer antecipadamente. Ou prevê um incidente banal que vai acontecer. Fica confusa entre o que é real ou não.

Sua família vive no interior da Inglaterra. Uma das criadas acha que Ursula tem um sexto sentido. A tia a considera uma pequena vidente. A mãe chega a dizer que Ursula é uma estranha no ninho. E o psiquiatra, dr. Kellet, comenta sobre reencarnação quando ela tem dez anos. Ele explica que seu cérebro pode ter uma pequena imperfeição, que a leva a pensar que esteja repetindo experiências, morrendo e renascendo, apesar de isso não ser verdade.
A autora Kate Atkinson narra os destinos de Ursula – todo o contexto se passa entre 1910 e 1945, abarcando os dramas das duas guerras mundiais – e desenha novas perspectivas a partir de um mesmo fato. E se ele tivesse acontecido de outra maneira, qual seria o seu fim?
O relacionamento, nem sempre muito cristalino, entre os integrantes da família Todd, as criadas e os jardineiros, é muitas vezes pontuado por mortes, que nem sempre são esclarecidas. E é assim, com uma morte, a do futuro líder nazista, que Kate Atkinson nos apresenta Ursula e começa a jornada de sua personagem: ela saca da bolsa o velho revólver de seu pai, um movimento ensaiado uma centena de vezes, e dá um tiro, bem na altura do coração de Hitler. Cai a escuridão. Tudo recomeça?

Muitas vezes na vida eu paro pra refletir e fico pensando, “Hum, poderia ter feito isso ou aquilo de forma diferente.” Ou “Poderia ter escolhido esse ao invés desse.” E se fosse verdade? E se realmente pudesse acontecer? Pois é isso o que acontece com Ursula Todd.

Nascida em uma noite de muita neve, Ursula teve muitas chances. De primeira, nem vingou. Mas ao longo dos anos, ela foi tendo a chance de driblar a morte e reescrever sua história, mudando pequenos detalhes, que no fim, mudariam tudo. E conforme o tempo ia passando, e novas chances de se reescrever lhe foram dadas, ela ia sentindo uma inquietude dentro de si, como um presságio, para que ela possa fazer novas escolhas e assim, mudar o curso dos acontecimentos.

Não dá para falar muito do enredo, porque ele é muito dinâmico. Ao mesmo tempo em que estamos acompanhando o nascimento de Ursula em 1910, logo mais estamos em 1930 ou 1940, e de volta a 1910. E isso de modo algum deixa o livro confuso. É instigante. Aguça aquela curiosidade de saber qual foi a escolha que a fez chegar naquele determinado momento e então, começar tudo outra vez. Ursula foi mãe, foi assassinada, morreu na guerra quando adulta, no mar quando criança e a cada vez que sua história recomeçava, ela fazia diferente e um novo detalhe vinha a tona! E quando uma escolha era ligeiramente diferente da primeira (comprar ou não um vestido amarelo estampado de andorinhas pretas?), todo o futuro era novo e diferente! Dos mais simples detalhes, o mais surpreendente dos desfechos!

Um detalhe que me prendeu muito na história foi como a história real das guerras foi entrelaçada na trama de Ursula, e como ela tentou mudar os rumos da Segunda Guerra e teve vários papéis, sofrendo as consequências estando dos dois lados. Eu adorei o modo como a autora costurou a história com seu enredo, uma construção brilhante.

A personagem Ursula é sem dúvida a mais cativante, porque tudo é enxergado pelos seus olhos, a história de sua vida. Mas os outros personagens não deixam a desejar: as escolhas de Ursula não afetam apenas sua própria história, mas a vida de todos os outros personagens. Particularmente, vale ressaltar, a vida de Teddy (ou Edward), que foi tantas vezes salvo pelas escolhas de sua irmã – de ter seu coração partido pela morte de seu amor de infância, de morrer pela gripe, de desaparecer na guerra. E isso afeta sua mãe, Sylvie, que morre de amores pelo menino. É possível acompanhar essa construção de acordo com as mudanças no destino de Ursula, como as relações familiares são forjadas a partir dos acontecimentos.

Eu confesso que estou muito empolgada em escrever sobre o livro, que foi a melhor leitura do ano, tanto que não sei mais o que dizer, porque sinto que vai ficar repetitivo. Mas se quiserem um bom presente de Natal pra quem gosta de uma boa história, O Fio da Vida é, sem dúvida, uma ótima escolha!


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Nina Lima

Poderia ser qualquer outra coisa, mas resolveu ser turismóloga e apaixonada pela Inglaterra e pelo McFLY. Leu a trilogia Jogos Vorazes em três dias e amou; considera Harry Potter a melhor série do mundo, adora a escrita da Meg Cabot e topa qualquer YA Book.

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