sexta-feira, 20/10/2017
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Resenha: “Não se esqueça de Paris”, de Deborah McKinlay

Livro: Não Se Esqueça de Paris
Autora: Deborah McKinlay
Páginas: 208
Editora: Globo Livros
Resenha por: Monique Marie
Comprar: Saraiva Cultura Folha Travessa Amazon

Tudo começa com uma carta.

Eve Pethwork é uma inglesa insegura e um tanto ansiosa que está assoberbada com os preparativos para o casamento da filha. Eve tem mais de quarenta anos e vive enclausurada em sua casa, pois espaços públicos lhe provocam angústia e a interação com outras pessoas é difícil para ela.

Jackson Cooper é um escritor bem-sucedido que vive nos Estados Unidos. Apesar de estar sempre rodeado por pessoas, especialmente mulheres, vive em eterna crise amorosa. Enquanto tenta colocar seu relacionamento com a nova namorada nos trilhos, Jackson vive o maior bloqueio criativo de sua carreira. Sem rumo para o novo livro, começa a questionar suas escolhas e suas expectativas para o futuro.

Vencendo sua própria timidez, Eve decide escrever uma carta para Jackson, seu autor preferido, elogiando uma cena narrada em um de seus livros. Embora esteja acostumado com o assédio das fãs, ele é atraído pelas palavras de Eve e decide responder sua mensagem. A partir daí uma troca de mensagens surge entre eles.

A criatividade que falta a Jackson nas páginas em branco acaba sendo canalizada para a cozinha, onde passa horas preparando os mais diferentes pratos. Porém, para sua frustração, sua namorada é vegetariana e ele quase sempre é obrigado a degustar suas criações sozinho. Só que ele logo descobre que a culinária também é uma das paixões de Eve e o amor pela boa-mesa estreita ainda mais os laços entre os dois.

Apesar da distância e de não terem aparentemente nada em comum, a curiosidade fala mais alto e Jackson decide marcar um encontro com Eve. Como vivem em continentes diferentes, ele propõe como cenário a cidade de Paris, a Meca da gastronomia e dos amantes. Eve é então colocada em xeque, sendo desafiada a vencer todos os seus medos em nome daquilo que pode ser a história de amor com a qual sempre sonhou.

Não se esqueça de Paris mostra que todos têm uma chance de ser feliz, independente da idade, da distância e dos próprios fantasmas. Considerado Absolutamente perfeito, pelo The New York Times e com os direitos para o cinema vendidos para a BBC, Não se esqueça de Paris mistura cartas, gastronomia e uma narrativa leve e repleta de sentimentos. Uma receita sedutora.

A sinopse do livro basicamente conta tudo aquilo que poderia falar da história em si sem dar spoilers do que vai acontecer e tirar a magia do fim do livro. Então vou dar uma rebolada aqui para falar de alguns detalhes que interessem.

Personagens principais são: a britânica Eve e o americano Jackson, mas não dá para deixar de mencionar Izzy, a filha de Eve que está prestes a se casar com Ollie e Dex, o melhor amigo de Jackson. Tanto Izzy como Dex tem influência direta em alguns acontecimentos na vida dos personagens principais, a carga dramática maior recai sob Izzy já que seu casamento trás a tona grandes problemas da vida de Eve.

Jackson é um escritor norte americano dono de best sellers que ele mesmo não considera como obras primas e sim livros que foram escritos apenas para serem vendidos. Ele passou por dois casamentos sendo que o último foi trocado por uma bibliotecária, mas o livro não aborda esse tema, apenas deixa claro que foi trocado por uma mulher e que Jackson não teve maiores problemas com isso, na verdade o que incomodou foi o fato dela lidar com livros e não a opção sexual da ex mulher. Em seu atual relacionamento em parte arrumado por Dex ele tenta fazer diferente, tenta ser mais presente e prestar mais atenção na vida a dois, mas a sua atual paixão por culinária e o fato de Adrienne ser vegetariana complica um pouco a situação.

“-Só isso? – indagou Jack, incrédulo, quando o garçom pegou os cardápios e os fechou com um floreio. Ele achou que o sujeito saiu parecendo ridiculamente satisfeito para alguém que ganhava a vida vendendo feijão.

– O que você está insinuando? – perguntou Adrienne.

-Vinte minutos de discussão e você pede uma salada verde?” pág. 126

A paixão pela culinária pode em parte ter Eve como culpada. A britânica começou uma troca de cartas com o escritor há um certo tempo tendo uma passagem de seu livro como tema e brincando com uma comida que combinaria melhor, começando assim uma troca de ideias e até de receitas secretas de bolos deliciosos de família. Aparentemente começava ali uma forte ligação entre duas pessoas completamente desconhecidas.

Eve é uma britânica que teve um casamento fracassado, uma filha não muito presente, uma mãe que fora uma megera, uma condição financeira muito confortável e um problema de saúde de fundo psicológico (mais uma vez me vejo na situação de um dos personagens). O nascimento de Izzy foi como um trauma na vida de Eve, que nunca conseguiu dar todo o amor que sua filha merecia e deixando para sua mãe a quase total incumbência de sua criação. Nunca superou o fim de seu casamento e o fato de seu ex marido ter formado uma família feliz a incomodava em inúmeros aspectos, o que colaborou um pouco mais para a sua fobia social, ansiedade e pânico.

O começo da narrativa é um pouco estranho, com algumas trocas de correspondências entre os personagens soltas você fica um pouco perdido na história. Achei até que eu não fosse gostar do livro e me perguntei como que algo assim foi tão bem aceito pelos críticos e já teve seus direitos vendidos para uma adaptação para o cinema. Com o passar da história você vai se ambientando e começa a gostar do que se passa, se você tiver a mesma impressão que tive no começo pode acreditar em mim e dar uma chance ao livro.

Ele é pequeno, apenas 203 páginas e você lê rapidamente. São dois núcleos distintos que não se conhecem, duas histórias completamente diferentes acontecendo ao mesmo tempo, uma nos Estados Unidos e uma na Inglaterra que são unidas pelas cartas dos personagens.

Na vida de Jackson não existe nenhum drama a ser resolvido, ele apenas vive um bloqueio criativo pós fim de casamento e embarca em mais uma tentativa de viver um romance. O tempo todo fica claro que caso ele não consiga mais escrever esse não seria um problema para sua vida pois seus livros o deixaram com uma condição financeira mais que confortável, a única dúvida que fica é se ele encontrará ou não com Eve em Paris.

Já na vida de Eve muitas coisas acontecem, sua empregada e melhor amiga a incentiva a procurar ajuda de uma psiquiatra para um tratamento de seu problema (insiro aqui a opinião de uma pessoa que sofre de distúrbio da ansiedade e obrigada Deborah McKinlay por tratar de uma doença séria que é vista por muitos como frescura de uma forma leve e incentivar pessoas que sofram disso a conversar sobre e claro procurar o melhor tratamento), sua filha a deixa maluca com os preparativos do casamento e com o fato de desejar que sua avó estivesse viva mesmo com todos a odiando. Izzy tenta uma aproximação com o pai por conta de seu casamento o que torna ainda mais complicada a situação de Eve, já que ela teria que lidar com um de seus maiores traumas. O livro leva a história até um ponto onde Izzy quer desistir de seu casamento e coloca em cheque a sua situação afetiva com a mãe, fazendo com que Eve chegue ao ponto mais crítico de sua vida.

“Izzy se aproximou com cautela, sem saber como se comportar diante dos pais juntos. Eve se sentiu comovida com ela. Não surpreendia que a filha estivesse tão insegura. Era uma mulher frágil. Não aguerrida como Virginia, ou como Eve a via, julgamento pelo qual se envergonhava naquele momento. Izzy parecia especialmente tensa nessa noite.” pág. 121

Não vou contar o que se passa para não estragar a surpresa mas vale ressaltar que a autora foi de uma sensibilidade incrível ao escrever sobre esse problema de mãe e filha, pais separados, nova família do pai e o medo de um casamento. Pontos mais que positivos para essa parte do livro. Eis que já chegamos ao fim onde esses problemas da vida de Eve são resolvidos de alguma maneira e ela tem em suas mãos a decisão de ir ou não a Paris para encontrar com o famoso Jackson Cooper de tantas cartas escritas. O final não é em nada óbvio e é feito de uma maneira incrível, me surpreendi de verdade.

Não se esqueça de Paris foi mais um livro para entrar para a lista daqueles que esquentaram o coração quando terminei a leitura. Mais uma aposta certeira da Globo Livros. Que venha o filme, quero ver como vão passar para a tela grande algo tão bem construído.


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Monique Marie

Publicitária frustrada com o pouco dinheiro da área e admiradora de tudo que envolve a política. Gosta de seriados que tenham serial killers, filmes infantis, fanática por futebol e F1, além de tentar competir com o Dr. Reid (Criminal Minds) quem lê mais rápido. Geralmente não gosta de ler o que está "na moda", adora indicações e ainda acredita que muitos livros se vendem pela capa. Não se separa de seu amigo rivotril e escreve no mínimo um texto por dia.

3 comentários

  1. Não sei se leria um livro assim. É muito drama pra pouco eu.
    Mas a resenha foi muito bem escrita, de verdade.

    Talvez eu veja o filme. :)

  2. Monique Marie

    Oi Luany!
    Obrigada pelo elogio =D
    De fato, é muito drama mas caso você resolva ler, a autora não se aprofunda tanto a ponto de deixar algo pesado.

    Espero que o elenco não tire minha vontade de ver o filme =P

  3. Não sou muito fã de romances ou livros semelhantes ao gênero apresentado, mas estou com muita vontade de ler graças a sua resenha e a sinopse. E, vale ressaltar que, graças a sua resenha eu já estou curioso até demais para saber o final hahahah. Obrigado, Marie :D

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