quinta-feira, 19/10/2017
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Resenha: “A vida como ela era”, de Susan Beth Pfeffer

Livro: A vida como ela era
Série: Os últimos sobreviventes
Autor: Susan Beth Pfeffer
Páginas: 378
Editora: Bertrand Brasil
Resenha por: Monique Marie
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Quando Miranda começa a escrever um diário, sua vida é como a de qualquer adolescente de 16 anos: família, amigos, garotos e escola. Suas principais preocupações são os trabalhos extras que os professores passaram tudo por causa de um meteoro que está a caminho da Lua.

Ela não entende a importância do acontecimento; afinal, os cientistas afirmam que a colisão será pequena. Mas, mesmo assim, acredita que esse será um evento interessante a se observar, com binóculo, do quintal de casa.

Para surpresa de todos, o impacto da colisão é bem maior do que o esperado, e isso altera de modo catastrófico o clima do planeta. Terremotos assolam os continentes, tsunamis arrasam os litorais e vulcões entram em erupção. Em 24 horas, milhões de pessoas estão mortas e, com a Lua fora de órbita, muitas outras mortes são previstas. Os supermercados ficam sem comida, e Miranda e sua família precisam, então, lutar pela sobrevivência em um mundo devastado, onde até a água se torna artigo de luxo.

A Bertrand Brasil fez uma ação super interessante com vários blogs literários onde todos receberam o seu exemplar no mesmo dia e o LeS estava nessa também.

Falando sobre o livro em si: eu adoro páginas mais amareladas e grossas, ainda não descobri o porquê disso. A capa é bem legal e retrata o maior evento do livro, pontos para quem teve a ideia de deixar a Lua texturizada. Ponto que achei meio desnecessário é o lembrete que diz “Uma das melhores séries para os fãs de Jogos Vorazes”, não acho uma comparação válida, são duas séries completamente diferentes.

A Vida Como Ela Era nos apresenta a história de Miranda e sua família. São muitos personagens nas 375 páginas, alguns não aparecem o livro todo mas esse fato não diminui a importância que eles tem, como as amigas de escola Sammi e Megan, o astro da patinação Brandon, o namorado da mãe Dr. Elliot, a amiga da família Sra. Nesbitt, seu pai e sua madrasta Lisa e sua paixão, Dan. Os personagens que aparecem no livro todo são Miranda, sua mãe e seus irmãos Matt e Jonny.

A história começa com Miranda contando a expectativa que todas as pessoas ao redor do mundo tinham para o grande acontecimento do ano: o choque de um asteroide com a Lua que poderia ser visto a olho nu. Na rua de Miranda todos estavam para fora de suas casas quando o momento mais estranho aconteceu: ao chocar-se com a Lua o asteroide levou metade dela e a deixou mais próxima da Terra.

“Mas o céu não exibia mais a metade da Lua. Ela estava inclinada, na posição errada, como se estivesse minguante, e parecia maior, muito maior, maior que a Lua que nasce no horizonte, só que não estava nascendo. Ela estava no meio do céu, grande demais e visível demais. Era possível ver, mesmo sem o binóculo, detalhes das crateras que, antes, eu observava com o telescópio do Matt” – p. 29

A partir desse momento o mundo não seria mais o mesmo. Acontecimentos estranhos ocorrem em sequência, como se o mundo estivesse acabando: cidades sendo engolidas pelo mar, vulcões em erupção constante, tornados fora de época, geadas, tremores de terra entre outros. Como Miranda morava em uma cidade não afetada por maiores fatores da natureza, sua família achou melhor permanecer em casa e esperar por pronunciamentos oficiais que, como podem imaginar, não aconteceram. Falta de luz constante, chuvas em proporções épicas, histeria generalizada e então o livro te conta como uma família tenta sobreviver a todos os problemas possíveis e impossíveis e ainda lidar com o fato que de alguma forma o amanhã poderia não existir.

Basicamente essa é a história do livro e como é uma série composta por quatro volumes, nós não temos um final que explique tudo. Também adianto que muitos personagens morrem como é de se esperar (então cuidado com os ninjas cortadores de cebolas próximos à você, alto risco de suor pelos olhos). Por ser uma história contada em forma de diário eu achei que seria um tanto quanto chato de ler, errei feio. O livro flui e você quer terminar de uma única vez, você se pega fortemente torcendo para que alguns personagens consigam sobreviver, fugir para outras cidades e tentar recomeçar a vida.

A autora aproveita para nos mostrar e até nos fazer pensar até que ponto chegaríamos para sobreviver, quais seriam as pessoas que nos preocuparíamos de verdade, quais amigos fariam algo por você, o que o Governo faria, o que a Fé cega faria e será que pensaríamos em tudo e a longo prazo? Será que estaríamos prontos para perder alguém próximo? Para escolher quem sobreviveria da sua família? Para abrir mão da sua comida para que seu irmão coma? Para não ter condição básica para sobrevivência?

“Será que as pessoas percebem quanto a vida é preciosa? Sei que nunca percebi isso antes. Sempre havia tempo. Sempre havia um futuro. Talvez por não saber mais se terei um futuro, fico grata pelas coisas boas que aconteceram comigo neste ano. Eu nunca soube que poderia amar de modo tão profundo. Nunca soube que estaria disposta a sacrificar coisas por outras pessoas. Nunca soube que o gosto do suco de abacaxi poderia ser maravilhoso, assim como o calor de um fogão a lenha, o som de Horton ronronando ou a sensação de roupas limpas contra a pele recém lavada. Não seria Ano-Novo sem uma resolução. E a minha é reservar um momento, todos os dias, pelo resto de minha vida, para apreciar tudo o que tenho. Feliz Ano-Novo, mundo!”- p. 320

Desde que terminei esse livro só penso em ler os outros e cheguei a conclusão que não faria metade do que fizeram e provavelmente não passaria tanto tempo viva. Confesso que chorei em alguns momentos e que sentimentos verdadeiros nos ajudam a passar pelos piores momentos. Se eu indico o livro? Sim, sim e sim!


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Monique Marie

Publicitária frustrada com o pouco dinheiro da área e admiradora de tudo que envolve a política. Gosta de seriados que tenham serial killers, filmes infantis, fanática por futebol e F1, além de tentar competir com o Dr. Reid (Criminal Minds) quem lê mais rápido. Geralmente não gosta de ler o que está "na moda", adora indicações e ainda acredita que muitos livros se vendem pela capa. Não se separa de seu amigo rivotril e escreve no mínimo um texto por dia.

Um comentário

  1. Felipe Borges

    Nunca ouvi falar desse livro, e olha, que resenha maravilhosa. já quero ele pra ler! *–*

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