quarta-feira, 18/10/2017
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Resenha: “Uma visão do fogo”, de Gillian Anderson e Jeff Rovin

Livro: Uma Visão do Fogo
Série: Saga do Fim do Mundo
Autores: Gillian Anderson e Jeff Rovin
Páginas: 304
Editora: Fantasy/Casa da Palavra
Resenha por: Bruna Fernández
Comprar: Saraiva Cultura Folha Travessa Amazon

O primeiro romance de Gillian Anderson, protagonista da série Arquivo X no papel da agente Scully, é um thriller de ficção científica de proporções épicas.

A especialidade de Caitlin O’Hara, uma renomada psicóloga infantil, é ajudar crianças e jovens que sofreram algum tipo de trauma. Mas sua vasta experiência é desafiada quando Maanik, filha do embaixador da Índia na ONU, começa a ter visões, falar línguas desconhecidas e se autoflagelar em uma espécie de transe. Caitlin tem certeza de que os ataques estão ligados à recente tentativa de assassinato do pai da menina, fato que provocou uma tensão nuclear entre Índia e Paquistão. Mas quando adolescentes de outras partes do mundo começam a ter visões semelhantes, Caitlin percebe que uma força oculta pode estar por trás do fenômeno…

Sob a iminência de um conflito global, Caitlin terá que viajar por diversos países em busca de possíveis ligações paranormais entre os incidentes a fim de salvar não apenas sua paciente, mas talvez o mundo.

“E esse é o problema, não é? Alguém tem que ser o primeiro a baixar a espada e acreditar que o outro quer a mesma coisa.” – p. 13

Faz um tempo que eu terminei de ler Uma visão do fogo e até agora não sei descrever direito o que essa leitura significou para mim. Foi um daqueles livros que você pega livre de toda e qualquer expectativa, ele te surpreende, mas ao mesmo tempo te deixa confusa sobre a sua opinião dele. Foi uma leitura boa, mas não excelente. Entretanto uma coisa é certa: essa foi, de longe, uma das leituras mais originais que eu fiz nos últimos tempos.

A personagem principal, Caitlin, é uma psicóloga infantil, que, de certa forma clichê, enfrenta seus próprios problemas dentro de casa com o próprio filho. Sua especialidade são crianças que sofreram fortes traumas, por isso ela é chamada para cuidar da jovem e adorável Maanik, filha do embaixador da Índia na Organização das Nações Unidas (ONU), quando, depois de sofrer um forte trauma quando seu pai sofre uma tentativa de assassinato, ela começa a agir de forma estranha e falar línguas desconhecidas. Caitlin é indicada aos pais de Maanik por um velho amigo da época da faculdade, Ben, que trabalhava como tradutor intérprete do embaixador indiano. É um detalhe bobo, mas, por trabalhar como tradutora, me senti “representada” no enredo e isso foi muito empolgante. Longe de mim falar híndi, urdu e outras línguas tribais e exóticas como o personagem e até mesmo ser intérprete, mas me deixava levar na leitura quando ele começava a falar sobre tecnicalidades que só os alunos de Letras e que gostam de aprender outras línguas vão entender meu entusiasmo.

Outro detalhe do enredo que muito me chamou a atenção foi o conflito escolhido para ser o pano de fundo do enredo. Os autores podiam ter escolhido qualquer história mais batida e conhecida, mas optaram por abordar o conflito na Caxemira que, admito, não sabia muito sobre ele até ler essa história. Pra resumir, a região da Caxemira fica entre a Índia e o Paquistão disputada por ambos desde o fim da colonização britânica. Gosto muito de história então foi interessante e inovador poder aprender um pouco mais sobre essas culturas tão distantes da nossa.

Me afeiçoei muito à personagem de Caitlin que vai ao extremo para conseguir tentar entender o que está acontecendo, não somente com Maanik, mas também com outros dois jovens: um garoto iraniano e uma jovem haitiana. Talvez por força do meu subconsciente, mas imaginei o tempo todo a personagem como a autora, que é a famosa Agente Scully do seriado Arquivo X. Sinceramente? Nem me lembro se há descrição da personagem no começo da história.

Além de acompanhar a psicóloga tentando ajudar esses jovens, temos uma trama paralela com outros personagens que estão em posse de um artefato no mínimo curioso. As personagens dessas narrativas paralelas não se relacionam entre si, mas o enredo costura com delicadeza vários pontos de contato da história. Tudo de uma forma muito curiosa e não muito clara para nós leitores.

Gostei muito da história, principalmente pela originalidade de alguns elementos e contextos usados, mas mesmo assim alguma coisa na história não me agradou por completo. Talvez sejam os elementos religiosos e sobrenaturais que permeiam a narrativa e não ficam tão bem explicados e foi exatamente por isso que escolhi a frase abaixo para ilustrar essa resenha.

“Por não ter como racionalizar, você tende a achar que o que experimentou é, portanto, irracional. Não é o caso. Não culpamos as palavras por serem insuficientes para expressar novas ideias. Nós simplesmente encontramos palavras melhores.” – p. 209


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

2 comentários

  1. Caio Borrillo

    “Os autores podiam ter escolhido qualquer história mais batida e conhecida, mas optaram por abordar o conflito na Caxemira que, admito, não sabia muito sobre ele até ler essa história.”

    E não é por isso que a gente lê? Para conhecer, descobrir e saber das coisas? Querer uma coisa mais batida é ignorar o próprio propósito da leitura, certo? E convenhamos, esse tema não é tão desconhecido assim. Os conflitos ocorrem até hoje por lá, com perseguição religiosa, inclusive.

    No mais, esse livro é tão ruim que não recomendo para ninguém. Adoro Arquivo X, adoro a Gillian, mas é um livro tão sem pé nem cabeça que me aborreceu tremendamente.

  2. Bru Fernández

    Caio, não critiquei a escolha dos autores, me desculpe se soou dessa forma. Eu achei realmente incrível o fato de eles terem escolhido algo menos disseminado na grande mídia.

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