sexta-feira, 15/12/2017
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Resenha: “Encarcerados”, de Alexander Gordon Smith

Livro: Encarcerados (#01)
Série: Fuga de Furnace
Autor: Alexander Gordon Smith
Páginas: 296
Editora: Benvirá
Resenha por: Bruna Fernández
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De um dia para outro, Alex Sawyer passou de valentão a delinquente juvenil. Os trocados arrancados dos garotos na escola já não eram suficientes, e, com a ajuda de seu melhor amigo, Toby, começou a cometer pequenos furtos na vizinhança. Até que uma noite, homens fortes, de terno preto, e um esquisitão usando uma máscara de gás cruzaram o caminho dos dois. Toby foi cruelmente assassinado e Alex, preso e acusado pela morte do amigo. Seu novo lar? A Penitenciária de Furnace, um buraco – literalmente – para onde todos os garotos condenados são enviados, e de onde só é possível sair morto. Com guardas sádicos e criaturas terríveis responsáveis pela segurança, Furnace é o inferno. O lugar é infestado de criminosos – como as perigosas gangues Caveiras e os Cinquenta e Nove – mas também há muitos garotos que, como Alex, foram presos por crimes que não cometeram. Como escapar e provar sua inocência? Em quem confiar? O que na verdade era Furnace: um reformatório? Um depósito? Ou, pior, um laboratório maligno?

“Sob o céu fica o inferno, garotos, e sob o inferno, Furnace. Espero que desfrutem da permanência aqui.” – p. 66

Tenho um grande arrependimento com esse livro: não ter lido ele antes. Sempre via muitas pessoas comentando em círculos literários sobre a série Fuga de Furnace, mas nunca me interessei muito pelos títulos dos livros e acabou passando. Eis que surgiu a oportunidade de resenhar o primeiro livro da série pela nossa parceria com a Benvirá e eu cai de cabeça nessa penitenciária dos infernos.

Encarcerados, o primeiro volume de uma trilogia nos conta a história de um jovem adolescente encrenqueiro chamado Alex Sawyer que se envolveu em vários roubos e acabou sendo pego. Se fosse só um assalto ok, mas os oficiais acabam incriminando Alex por um assassinato, o problema é que ele não matou ninguém, logo, me apeguei muito ao personagem de Alex logo de cara. Como todos os menores de 18 anos, Alex é enviado para Penitenciária de Furnace, uma prisão subterrânea da qual nunca ninguém conseguiu escapar, ou sobreviver, feita para reformar os jovens que estavam há muito passando dos limites e precisavam de um “freio”. E ele é enviado para lá injustamente.

A ambientação da penitenciária é no mínimo sinistra. Só o fato dela ser subterrânea dá uma certa claustrofobia, e a medida que o autor descreve a prisão e como os garotos vivem por lá, a situação só piora. Alex chega à prisão com mais três garotos e acaba criando uma certa amizade com eles, principalmente com Zê, que aparentemente foi enviado para Furnace de forma injusta também. Cada novato é enviado para dividir uma cela com outro prisioneiro. O parceiro de Alex é Donovan, um jovem que já está há 4 anos em Furnace e que acaba se tornando um grande amigo e guia para se sobreviver na prisão.

Donovan não tem a intenção de ficar muito próximo de Alex, Zê e outros novatos, alegando que não existe amizade em Furnace. Cada um cuida do seu nariz pois já há o suficiente com o que se preocupar, mas na realidade eles acabam se tornando bons companheiros. Isso dá um novo gás aos meninos.

Além de apresentar os mesmos problemas de uma prisão comum, como vemos em séries, filmes e livros – as gangues, as brigas, a marcação de territorial, temos um elemento a mais: o terror. Quando acontece alguma briga, há um toque de recolher todos devem voltar para suas celas antes que as portas se fechem. Quem fica para o lado de fora deve enfrentar a ira de cães enormes, de aparência medonha com músculos à mostra que parecem ter vindo do inferno. É impossível não se desesperar com as descrições.

Isso sem falar dos policiais, que não são pessoas comuns, mas sim homens com ternos pretos, sendo que o chefe deles é um ser sinistro que tem uma aparência estranha e é impossível conseguir olhar nos olhos dele, como se seu olhar fosse desviado à força. E a cereja desse bolo sangrento são os Ofegantes, seres bizarros com máscaras de gás e ternos repletos de agulhas que às vezes aparecem no meio da noite quando a penitenciária é mergulhada em uma luz vermelha… os Ofegantes marcam algumas celas e acabam levando um de seus moradores embora. Para onde? Ninguém sabe, apenas sabe-se que os levados na noite nunca retornam.

A situação toda é um tanto quanto desesperadora e tudo o que o leitor quer é que os personagens consigam se safar. Apesar de conseguirem criar alguns momentos felizes, logo os garotos voltam a quicar no fundo do poço e o sentimento desamparador da solidão e depressão acaba vencendo e tornando tudo muito obscuro. Um livro cheio de ação e com um quê de sobrenatural. Alguns detalhes me lembraram muito da série Supernatural – principalmente os cães infernais com músculos à mostra – mas ainda acho que a explicação toda a série deve ter uma ênfase mais científica do que sobrenatural, pelo menos foi a impressão que me passou.

Só sei que estou muito satisfeita com o desfecho do primeiro volume, que deixa o leitor doido pra saber o que vem pela frente… e claro, traz revelações bombásticas sobre a penitenciária logo nas páginas finais. Mal vejo a hora de ter Solitária em mãos para saber o que vem pela frente nessa série muito bem apresentada pelo autor britânico Alexander G. Smith.

“- Obrigado – ele falou, os olhos cheios de lágrimas.
– Pelo quê?
– Obrigado por me dar esperança.” – p. 276


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

2 comentários

  1. Socorro! Que coisa linda ver Fuga de Furnace aqui *-* hahah!
    Amo a série, sou apaixonada pela ambientação, pelos personagens… to totalmente de acordo com td o q vc escreveu, Bru! É fácil demais se apegar aos personagens.

    Ai, vou aproveitar pra fazer “a fã chata” e perguntar se vcs tem alguma informação sobre o próximo livro da série que não sai nunca! </3 hahha!

    beeijo

  2. Simone Kawassaki

    Li os três volumes assim que sairam, mas acho que a editora não vai lançar os outros dois ( Fugitives e Execution)… É uma pena…Com certeze se lançassem eu correria pra livraria kkkk…

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