segunda-feira, 23/10/2017
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Resenha: “A morte de Sarai”, de J. A. Redmerski

Livro: A morte de Sarai
Série: Na Companhia de Assassinos
Autor: J. A. Redmerski (@JRedmerski)
Páginas: 255
Editora: Suma de Letras
Tradução: Michele Vartuli
Resenha por: Bruna Fernández
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Sarai era uma típica adolescente americana: tinha o sonho de terminar o ensino médio e conseguir uma bolsa em alguma universidade. Mas com apenas 14 anos foi levada pela mãe para viver no México, ao lado de Javier, um poderoso traficante de drogas e mulheres. Ele se apaixonou pela garota e, desde a morte da mãe dela, a mantém em cativeiro. Apesar de não sofrer maus-tratos, Sarai convive com meninas que não têm a mesma sorte.

Depois de nove anos trancada ali, no meio do deserto, ela praticamente esqueceu como é ter uma vida normal, mas nunca desistiu da ideia de escapar. Victor é um assassino de aluguel que, como Sarai, conviveu com morte e violência desde novo: foi treinado para matar a sangue frio. Quando ele chega à fortaleza para negociar um serviço, a jovem o vê como sua única oportunidade de fugir. Mas Victor é diferente dos outros homens que Sarai conheceu; parece inútil tentar ameaçá-lo ou seduzi-lo.

Em “A morte de Sarai”, primeiro volume da série Na Companhia de Assassinos, quando as circunstâncias tomam um rumo inesperado, os dois são obrigados a questionar tudo em que pensavam acreditar. Dedicado a ajudar a garota a recuperar sua liberdade, Victor se descobre disposto a arriscar tudo para salvá-la. E Sarai não entende por que sua vontade de ser livre de repente dá lugar ao desejo de se prender àquele homem misterioso para sempre.

“O primeiro assassinato é sempre o mais difícil, aquele que você nunca esquece.” – p. 136

Apesar de J. A. Redmerski ser uma autora famosa nos cilos literários nunca tinha me interessado por um livro dela… até me deparar com A morte de Sarai. Confesso que o que mais me chamou a atenção no livro foi o título, e claro, o nome da série. O mais engraçado foi a forma como o livro quebrou todas as minhas expectativas sobre ele.

Pra começar assim que peguei o livro nas mãos achei esquisito ele ser tão fininho. Acho que depois de ler As Crônicas de Gelo e Fogo eu me desacostumei com livros curtos. Mas isso não impede a autora de contar uma história mega interessante e cheia de ação. No enredo acompanhamos Sarai, um jovem americana que está presa há nove anos em uma fortaleza em algum lugar do México, prisioneira de um chefão do tráfico – de drogas e de jovens mulheres – , Javier. Sarai não chega a ser maltratada como tantas outras garotas que estão ali, mas está longe de ter uma vida normal, e, apesar de ter se acostumado com a sua realidade, nunca perdeu o sonho de escapar da prisão que a cerca.

Porém uma fuga é praticamente impossível sendo que Sarai não faz ideia de qual lugar do México ela se encontra, muito menos como poderá fugir se conseguir escapar da fortaleza. Eis que então surge uma oportunidade: Javier recebe a visita de um assassino de aluguel pois quer contratar seus serviços e Sarai vê nesse forasteiro a sua única chance de sair do pesadelo que se encontra. O que ela não tinha ideia era de que Victor, o assassino de aluguel, é uma pessoa muito mais fria e calculista do que ela esperava.

Gostei muito da forma que a autora delineou os personagens. Em muitas passagens sofri por Sarai e sua situação. Uma garota que passou toda sua adolescência na companhia de traficantes, sendo controlada a cada momento, simplesmente não sabe o que fazer com a sua própria vida quando se encontra em liberdade. E esse choque de Sarai no seu contato com o mundo me pareceu muito realista. Por outro lado, Victor, a máquina de matar é o estereótipo do espião/assassino perfeito, no estilo James Bond: com fontes infinitas de dinheiro – há alguma agência maior por trás, claro, e isso já despertou a curiosidade da amante de thrillers policiais dentro de mim – e um charme irresistível. Obviamente, os dois acabam meio que se envolvendo e confesso que no ínicio achei que o teor romântico da história poderia por tudo a perder, mas não acho que isso aconteceu. J. A. Redmerski soube dosar muito bem o enredo.

Outro personagem que eu gostei bastante foi do irmão de Victor, Niklas, que contrasta muito bem com o irmão nas cenas em que aparece, e acrescenta mais um núcleo para a narrativa: a história complicada da família desses dois irmãos que hoje trabalham juntos no ramo dos assassinatos por aluguel. E vou dizer que é cada caso que eles pegam, que deixam a leitura ainda mais interessante. Se você gosta desse tipo de livro e ainda curte umas cenas mais quentes, esse livro foi feito especialmente para você.

Uma leitura repleta de ação e com um final incrível que me fez soltar um sonoro “Vai dar m#$%@!” assim que eu terminei de ler, e que torna o nome do próximo livro muito mais óbvio na mente dos leitores: O retorno de Izabel. Taí um livro que muito me surpreendeu e eu estou muito curiosa pra saber o que vem por aí!

“Mas o primeiro assassinato é também aquele que reduz pela metade as chances de se levar uma vida normal.” – p. 136


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

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