sexta-feira, 15/12/2017
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Resenha: “Silo”, de Hugh Howey

Livro: Silo (#01)
Série: Silo
Autora: Hugh Howey (@hughhowey)
Páginas: 512
Editora: Intrínseca
Tradução: Edmundo Barreiros
Resenha por: Bruna Fernández
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O que você faria se o mundo lá fora fosse fatal, se o ar que respira pudesse matá-lo? E se vivesse confinado em um lugar em que cada nascimento precisa ser precedido por uma morte, e uma escolha errada pode significar o fim de toda a humanidade? Essa é a história de Juliette. Esse é o mundo do Silo.

Em uma paisagem destruída e hostil, em um futuro ao qual poucos tiveram o azar de sobreviver, uma comunidade resiste, confinada em um gigantesco silo subterrâneo. Lá dentro, mulheres e homens vivem enclausurados, sob regulamentos estritos, cercados por segredos e mentiras.

Para continuar ali, eles precisam seguir as regras, mas há quem se recuse a fazer isso. Essas pessoas são as que ousam sonhar e ter esperança, e que contagiam os outros com seu otimismo.

Um crime cuja punição é simples e mortal.
Elas são levadas para o lado de fora.
Juliette é uma dessas pessoas.
E talvez seja a última.

Posso afirmar logo no começo dessa resenha que Silo foi um dos melhores livros que eu já li, uma distopia muito diferente das que temos no mercado ultimamente. Já começamos bem pela capa, simples porém muito bonita, que, depois que eu comecei a ler o livro, reparei que ela remete à sujeira, até mesmo sua textura ajuda, como se fosse um vidro sujo – que encaixa incrivelmente bem no contexto da história.

O mundo que Howey criou em Silo está em decadência. O ar, substância de suma importância para a nossa vida, se tornou em algo fatal. Então os poucos humanos que restaram vivem presos em uma pequena sociedade com regras muito estritas que são levadas à risca para que nada saia do controle. Mas onde existe um controle quase maníaco, existem segredos. E é exatamente aí que as coisas começam a se desenrolar…

“O que controlamos – disse Juliette – são nossas ações depois que o destino nos coloca onde estamos.” – p. 372

A história é dividida em quatro partes. Na primeira acompanhamos Holston, o atual xerife do Silo, que já começa com uma enorme reviravolta: ele mesmo comete um dos piores atos que alguém pode fazer na sociedade em que eles vivem, Holston afirma que deseja “ir lá pra fora”. Geralmente, as pessoas que saem da linha que são enviadas para o exterior, ou seja, para a morte certa; simplesmente afirmar em voz alta que você deseja sair é o maior crime que pode ser cometido. E esse é exatamente o desejo de Holston, ser condenado.

Cada um que é sentenciado a ir “para fora” recebe um traje antes de sair e levam em si a decisão de realizar ou não a limpeza dos vidros exteriores do Silo para que quem está lá dentro tenha uma visão do mundo lá fora. Sempre que alguém é mandado para fora os moradores do Silo ficam em enorme expectativa em saber se o condenado vai ou não realizar a limpeza dos vidros. Por algum motivo desconhecido a todos, os condenados quase sempre a fazem. Claro que descobrimos o motivo ao longo da leitura, mas é muito curioso quando nós sabemos mais do que as personagens, sempre fico com uma enorme vontade de entrar na história e deixar o personagem a par do que está acontecendo, ou pode vir a acontecer.

Com essas questões todas logo de cara, o leitor é jogado no meio de um enorme labirinto, cheio de questões e dúvidas que vão sendo levantadas a cada capítulo. Na segunda parte, a Prefeita Jahns, uma senhora, precisa ir atrás de um novo xerife e a pessoa mais indicada é a nossa protagonista: Juliette, uma jovem ágil e inteligente que trabalha nos andares mais profundos do silo, cuidando de toda a manutenção do local na Mecânica. A prefeita resolve fazer uma visita a Juliette e somos colocados a par de como funciona a vida e as leis do silo, além das intrigas entre os setores. A forma como o autor vai preparando o terreno para o que vai acontecer lá na frente da história é incrível, é como uma aranha tecendo uma enorme e intrincada teia, cheia de armadilhas.

Com personagens cativantes, tramas e subtramas bem construídas, mentiras deslavadas, verdades cruéis, reviravoltas inesperadas e um quê de romance, Silo é uma grande e enorme bola de tensão. Nas duas partes restantes, O começo e A descoberta, o leitor fica aflito na maior parte do tempo e sofre junto com Juliette em vários momentos durante o desenrolar do enredo. Há quem possa reclamar e afirmar que o autor é muito descritivo, não somente dos lugares mas também das ações dos personagens, mas eu não senti isso e olha que sou muito chata nesse ponto e não gosto de enrolações. Achei a escrita de Howey muito boa, e que ajuda o leitor a se ambientalizar nesse mundo arruinado que é apresentado ao leitor.

Pra quem gosta do gênero essa é uma leitura indispensável e, na minha opinião, Silo está quase no mesmo patamar dos clássicos distópicos. Espero que a continuação, Ordem, que foi lançada em março pela Intrínseca esteja a altura deste volume. Não vejo a hora de saber mais sobre o universo criado por Hugh Howey.

“- Qual o objetivo disso? (…)
– Qual é o objetivo de qualquer coisa?” – p. 145


Aviso Legal: Esse livro foi adquirido pela própria resenhista.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

5 comentários

  1. Felipe Borges

    Estou na segunda parte do livro parado ha um tempo, ganhei o livro de presente e não sabia o que esperar, e nesse começo, o Holston me intrigou, mas a Jahns eu to achando muito arrastado.
    Mas, gosto muito de distopia e após essa resenha vou continuar. Agora quero saber qual o desenrolar da historia.

  2. Muito bom o livro! Um dos melhores que ja li. Alguém sabe se tem uma previsão pra quando sai a continuação? Muito ansiosa!!! :-)

  3. Bruna Fernández

    Oi Alice, a continuação, Ordem, já foi publicada pela editora Intrínseca nesse ano! ;)

  4. Acabei de ler o livro, e foi o primeiro do gênero que eu li.
    Sua história apesar de boa começa extremamente arrastada e praticamente vira uma provação divina continuar a leitura.
    E então tudo melhora e você devora o livro em poucos dias até um pouco antes do final, onde pra mim voltou a ficar arrastado demais.
    O que mais me incomodou foram erros de edição grotescos!
    Tem uma parte em que estão descrevendo um personagem e ao invés de estar escrito “…tinha um QUEIXO quadrado” simplesmente diz “…tinha um QUEIJO quadrado”, fora outros erros que me incomodaram demais e por pouco não desisti de ler.

    E o final, achei fraco demais, eu realmente fiquei frustrada afinal o livro tinha todo um potencial mas o escritor perde a mão da história perto do final. Nem sei se vale ler a continuação agora.

  5. Alice o trilogia, ja foi lançada em outros lugares fora do Brasil, mas infelizmente aqui (Brasil) só tem a primeira parte >> SILO e a segunda >> ORDEM que foi lançada no mês de Julho, e devido atrasos (crise) chegou nas livrarias (Nobel) em Setembro. Leia a trilogia, não ira se arrepender garanto!!

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