domingo, 15/10/2017
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Resenha: “Minha mãe é uma peça”, de Paulo Gustavo

Livro: Minha Mãe É Uma Peça
Autora: Paulo Gustavo (Curtir no Facebook)
Páginas: 152
Editora: Objetiva
Resenha por: Bruna Fernández
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Essas crianças ainda matam Dona Hermínia de tanta preocupação. Após berrar com os filhos no teatro, no cinema e na TV, ela agora narra as desventuras com a família em livro. Marcelina, que está “imensa de gorda”, e Juliano, que em vez de trabalhar prefere decorar as coreografias daquela “cantora negona linda, a Cebion”, não são os únicos que escutam poucas e boas. Sobra bronca também para o ex-marido, Carlos Alberto, para a nova mulher dele, “a vaca da Soraia”, e para a empregada Valdeia, “que prefere ser chamada de secretária, mas ainda não chegou lá”.
Em sua estreia na literatura, Dona Hermínia — ou melhor, Paulo Gustavo, seu criador — fala sobre sexo, dietas e religião, dá conselhos de como criar os filhos, explica a antipatia que tem por Freud e sua “mania de colocar tudo que é culpa na mãe”, mostra como navegar na internet e faz seu guia de viagens. E, ao contrário dos manuais que ensinam como segurar o marido, conta os segredos para não perder o ex.

“- Eu vi tanta coisa surgir e não esperava que ainda estaria viva pra ver uma coisa mais doida que a internet. Gente, não foi Deus que fez isso, não, foi o capeta.” – p. 91

É humanamente impossível não ser afetado pelo carisma da personagem de Paulo Gustavo, protagonista de sua peça que agora virou livro e ainda trouxe contos inéditos da Dona Hermínia: uma dona de casa que sofre por seus filhos Marcelina e Juliano e ainda mais com o seu ex-marido, Carlos Alberto, que segundo a própria Dona Hermínia, deixou ela pra casar com “a vaca da Soraia”.

Já tinha ouvido falar da peça do Paulo, mas infelizmente acabei não indo assistir e meu primeiro contato com essa personagem tão carismática acabou acontecendo pelo livro mesmo. Posso afirmar que as poucas horas que passei lendo esse livro – poucas porque ele é bem curtinho e o texto de comédia é bem fluído – foram algumas das horas mais engraçadas do meu dia.

O livro é dividido em 16 contos e cada um deles tem um tema diferente: sexo, preconceito, internet, dicas de viagem e até mesmo um manual de como segurar ex-marido. Tudo, claro, sempre abordado de uma forma bem leve e divertida e envolvendo seus dois filhos mais novos: Marcelina, que segundo a mãe é gorda e tem uma fome eterna; e Juliano, o filho desempregado gay que ainda não saiu do armário e sabe todas as coreografias da “Cebion” de cor e salteado. O mais legal é que em vários momentos você consegue realmente distinguir alguns traços da sua própria mãe na personagem de Dona Hermínia, seja no jeito de falar, em uma opinião sobre algum dos temas, etc. Só aí percebemos que mãe é quase tudo igual mesmo e o que muda é só o endereço.

Os meus contos favoritos foram o que a Dona Hermínia dá dicas de viagem de quando ela foi para Lisboa, Londres, Paris e Nova York. Impossível não cair na gargalhada com as observações dela. O conto Tudo que sobe… também é super engraçado apesar de ser um dos mais curtos.

A verdade é que eu me afeiçoei demais à reclamona, irreverente e divertida Dona Hermínia e gostaria muito de poder sempre ler mais materiais dessa personagem. Fica a dica, Paulo Gustavo: tenho certeza que uma legião de leitores adoraria poder ler mais sobre essa sua incrível criação.

“- Eu fiz um pacote de Londres, França e Lisboa, e outro para Nova York. Então não rodei o mundo todo. Mas quem vem ao Rio só vai ao Pão de Açúcar, Cristo Redentor e Copacabana e volta dizendo que conheceu o Brasil. Então eu já dei volta ao mundo já, comparativamente.” – p. 65


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

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