terça-feira, 17/10/2017
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Resenha: “Os crimes do monograma”, de Sophie Hannah

Livro: Os crimes do monograma (#38)
Série: Hercule Poirot
Autora: Agatha Christie por Sophie Hannah
Páginas: 288
Editora: Nova Fronteira
Tradução: Alyne Azuma
Resenha por: Bru Fernández
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HERCULE POIROT SE APOSENTOU DA POLÍCIA BELGA HÁ MUITOS ANOS, MAS UM NOVO CASO NUNCA FALHA EM ENCONTRÁ-LO, ONDE QUER QUE ESTEJA, E É SEU DEVER INVESTIGAR. Em 1929, num café em Londres, o detetive é surpreendido pela entrada dramática de uma mulher certa de seu assassinato iminente. Mas, para o espanto de Poirot, ela não deseja ajuda: diz que merece o que está por vir e sai desabalada do local, sem mais explicações. Enquanto isso, o policial Edward Catchpool se depara com um cenário perturbador: em quartos diferentes do mesmo hotel, três cadáveres são encontrados dispostos da mesma maneira cuidadosa e com uma abotoadura de ouro com as iniciais P.I.J. em cada um. Juntos, Poirot e Catchpool tentarão desvendar a possível conexão entre aquela estranha mulher e os três crimes, antes que mais mortes ocorram e seja tarde demais.

“- Não é por sua causa, senhor. As pessoas estão com medo.
– De quê?
– Três estão mortos. Ninguém quer ser o próximo.” – p. 100

Quando soube do lançamento de uma nova história com um dos meus detetives favoritos eu senti aquele misto de felicidade e pânico que todos sentimos ao saber que algo do qual gostamos muito será retomado, mas por outra pessoa. O meu pânico – que estava mais para uma tensão infundada, mas me dei a licença de ser um pouco melodramática – também se agravou por eu não conhecer nenhum outro livro da autora Sophie Hannah e, por não conhecer seu trabalho, fiquei temerosa pelo que ela podia fazer com personagens tão queridos, majestosamente criados pela Rainha do Crime.

Acho que é válido avisar logo de cara que as minhas aflições foram todas pela janela assim que comecei a ler Os Crimes do Monograma. A narrativa de Hannah cumpre muito bem o papel de trazer de volta um mistério intrincado e cheio de reviravoltas, que só poderia ser resolvido pelas células cinzentas de Poirot: uma mulher está certa de que será assassinada e divide a sua aflição com Poirot. Logo depois, três corpos são encontrados, cada um deles em um quarto de um luxuoso hotel; todos dispostos da mesma forma, com uma abotoadura com as iniciais PIJ, e com as portas trancadas por dentro. Obviamente existe uma conexão entre a mulher e os corpos e é a partir daí que o mistério começa a se desenrolar.

Uma das maiores diferenças é que o sidekick de Poirot dessa vez não é Hastings, mas sim o policial Edward Catchpool, e é ele quem nos conta a história. Todo o resto da estrutura narrativa exala o estilo de Christie: as reviravoltas dadas na história com revelações bombásticas; o mistério que o detetive belga faz em torno dos detalhes do caso que ele já desvendou, mas que todos a sua volta – e muitas vezes o leitor também – não fazem ideia do que se trata; e ainda a reunião com os envolvidos no qual Poirot faz o seu discurso final e revela toda a verdade.

Uma história incrivelmente bem escrita, que não deixa a desejar e me fez acreditar o tempo todo estar lendo um autêntico “Christie”. Espero que as aventuras de Sophie Hannah por esse universo não se limite a apenas esse volume e que possamos ter mais novas e boas histórias não só de Poirot, mas também da mexeriqueira Miss Marple.

“Não se pode fazer tanto mal e não ferir a própria alma no processo.” – p. 203


Aviso Legal: Esse livro foi adquirido pela própria resenhista.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

2 comentários

  1. Olá, Bruna! Muito incrível essa ideia de retomar um personagem tão famoso da literatura policial nas mãos de uma outra escritora e renovar a vida desse personagem em nosso imaginário. Curioso pela leitura!

  2. Bruna Fernández

    Oi Lucas, a leitura vale a pena! Ela conseguiu trazer Poirot de volta de uma forma incrível!!! Bjs

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