sexta-feira, 15/12/2017
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Resenha: “A cidade murada”, de Ryan Graudin

Livro: A Cidade Murada
Autora: Ryan Graudin
Páginas: 400
Editora: Seguinte
Tradução: Guilherme Miranda
Resenha por: Bru Fernández
Comprar: Saraiva Cultura Folha Travessa Amazon

A Cidade Murada é um terreno com ruas estreitas e sujas, onde vivem traficantes, assassinos e prostitutas. É também onde mora Dai, um garoto com um passado que o assombra. Para alcançar sua liberdade, ele terá de se envolver com a principal gangue e formar uma dupla com alguém que consiga fazer entregas de drogas muito rápido. Alguém como Jin, uma garota ágil e esperta que finge ser um menino para permanecer em segurança e procurar sua irmã. Mei Yee está mais perto do que ela imagina: presa num bordel, sonhando em fugir… até que Dai cruza seu caminho. Inspirado num lugar que existiu, este romance cheio de adrenalina acompanha três jovens unidos pelo destino numa tentativa desesperada de escapar desse labirinto.

“Aquela menina. Seus olhos impetuosos. Poderia ser eu. Minha irmã. Qualquer uma de nós.” – p. 14

Me interessei por A Cidade Murada assim que soube do seu lançamento pela Seguinte e li a sinopse do livro. Apesar de ter toda uma pegada de distopia, na verdade o enredo se passa um cenário que já foi realidade e realmente existiu no nosso mundo, a Cidade murada de Kowloon, em Hong Kong, e foi exatamente isso que chamou a minha atenção, despertando a minha memória lembranças de já ter lido matérias e ter até estudado sobre Kowloon, que foi demolida entre 1993 e 1994.

Entretanto, a cidade no livro chama-se Hak Nam, porém essa é a única diferença entre as duas. Assim como a cidade que a inspirou, Hak Nam é uma favela vertical repleta de bordéis, jogos de azar, ladrões e traficantes. Acompanhamos então a história de três personagens principais: Jin Ling, uma pequena garota que se passa por menino para poder sobreviver nessaa cidade e continuar a busca por sua irmã mais velha, Mei Yee, que se encontra presa em um bordel pois foi vendida por seu próprio pai. O destino das duas cruza com o de um garoto, cujo passado é complicado e o assombra a cada passo dado em busca de sua liberdade: Dai.

O livro tem um ritmo bem acelerado e é muito bem escrito. A autora utiliza o recurso, que vem cada vez mais sendo usado pelos autores, de dividir os capítulos entre os pontos de vista dos três personagens principais. É um enredo forte que em muitos momentos me deixou profundamente triste, como por exemplo passagem em que a autora narra o que o traficante dono do bordel fez com uma das garotas que tentou fugir para a liberdade, fazendo-a de exemplo para as outras. Crueldade na sua forma mais pura. O mais difícil é pensar que esse tipo de coisa devia realmente existir em Kowloon; pior, que ainda deve acontecer em muitos lugares do mundo. Incrível a forma como a autora conseguiu abordar temas tão pesados em uma aventura repleta de ação com uma narrativa super envolvente.

Para os leitores em busca de uma boa aventura com muita ação em um mundo perturbadoramente realista, A Cidade Murada é o livro que você está procurando. Pode correr pra livraria mais próxima agora mesmo.

“A diferença está nos olhos e na maneira como está mais perto. Como alguém perdido que reencontrou o seu caminho. Ele não é o único.” – p. 237


Aviso Legal: A prova desse livro foi cedida pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

2 comentários

  1. Tem alguns trechos repetitivos na resenha.

  2. Bruna Fernández

    Texto corrigido André, obrigada!

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