sexta-feira, 13/10/2017
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Resenha: “A estrela”, de Jennifer duBois

Livro: A Estrela
Autor(a): Jennifer duBois
Páginas: 448
Editora: Rocco
Tradução: Waldéa Barcellos
Resenha por: Monique Marie
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Uma jovem norte-americana é presa na Argentina, acusada de assassinato. E sua inocência parece cada vez mais improvável. Eleito livro do ano por veículos como Salon e Cosmopolitan, A estrela, da promissora Jennifer duBois, surpreende com um suspense digno dos grandes mestres. Inspirado no caso real de Amanda Knox, americana acusada de matar sua colega de quarto na Itália, o romance é um thriller psicológico vigoroso e de rara sutileza moral. À medida que as investigações sobre a morte de Katy Kellers avançam, sua ex-colega de quarto Lily Hayes aparece ora como suspeita, ora como inocente, deixando o leitor em suspense até a última página.

Como de costume começarei minha resenha falando sobre o livro em si, o título eu achei que teria um significado maior com a obra mas percebi que é a menção a um fato e apenas isso, fiquei um pouco decepcionada. A menina na capa é a nossa personagem central, Lily, em uma de suas inúmeras personalidades se assim puder dizer.

Assim que terminei o livro entrei em uma relação intensa de amor e ódio. Teria exatamente o mesmo número de motivos para amá-lo como para odiá-lo. Acredito que isso seja bom, pois uma das funções de um livro é despertar reações fortes no leitor, principalmente quando o ódio não está ligado a uma história mal escrita e/ou mal construída, mas a fatos decorrentes no livro. O único incômodo verdadeiro é em relação a como Buenos Aires é descrita, eu senti que a crítica não era apenas do personagem mas também algo como provavelmente a autora enxerga esses países subdesenvolvidos do terceiro mundo (incluam o Brasil, pois nós também somos citados no livro).

Explicando meu ponto de vista: se o lado ruim da cidade que é falado em inúmeras páginas fosse apenas citado por Andrew que é cidadão norte americano eu entenderia que é algo do personagem, vez que eu sei que infelizmente é assim que muitos dos nativos desse país que eu gosto tanto nos enxergam, mas essas críticas também partem de Eduardo, o promotor argentino. Por isso me leva a acreditar que é uma maneira de ver a América Latina, já fui a Buenos Aires e juro que não enxerguei metade do que é falado, que não achei essa decadência toda nos locais turísticos. Lado positivo disso: me fez pensar como os argentinos estão se enxergando depois de tantas crises e porque esse foi o destino de duas norte americanas para seus intercâmbios.

Eu, sendo filha de advogada, adoro uma história que envolve assassinato, advogados de defesa e acusação e um tribunal. A história é extremamente bem escrita e feita em vários pontos de vista, algo que eu considero muito difícil de ficar bom, já que você precisa manter o interesse do leitor com formas diferentes de apresentar a história. Mil pontos para Jennifer por isso, entendi porque a autora já ganhou prêmios em algumas áreas! Existe uma lógica clara na cronologia da história mas você tem que prestar bastante antenção, pois os capítulos misturam acontecimentos recentes com a prisão de Lily, acontecimentos passados que contam como ela conheceu Katy sua colega de quarto e Sebastien seu namorado em potencial e acontecimentos aleatórios da vida da família de Lily.

O livro não possui muitos diálogos entre os personagens mas possui muitos diálogos internos, todos os personagens estão sempre com algum problema que tentam pensar em várias soluções, daquela forma estranha que conversamos com nossa mente quando já nos damos respostas e achamos que somos loucos? Todos os personagens importantes do livro são assim.

Não criei empatia com nenhum personagem, nem com Sebastien que é o sarcasmo em pessoa. Apesar de dar as melhores respostas para perguntas idiotas ele acaba se mostrado um completo idiota e de homens idiotas o mundo já está cheio (como de mulheres idiotas também, não levem isso para o pessoal). Andrew é um pai preocupado demais em mostrar que sua filha não matou sua colega de quarto e deixa passar mil fatos que influenciaram nessa posição que a filha se encontra, mas o modo como a autora o descreve e o faz encarar tais fatos durante o livro é uma das melhores partes. Acredito ser ele o melhor personagem e o que teve maior destaque, maior até que a suspeita e a vítima!

“Ele não precisava fazer parar uma doença terminal, o apocalipse ou um tsunami iminente. Não precisava atrair a atenção ou a graça de uma divindade. Tudo o que precisava fazer era descrever, com muita clareza e persuasão um fato real sobre o mundo: que sua filha não tinha matado ninguém. Andrew era um explicador profissional. Para salvar Lily, só precisava fazer melhor o que já fazia bem”. – Pág 158

Lily é indecifrável, principalmente para saber se ela é inocente ou culpada. Ela parece uma jovem normal criada por pais superprotetores pois perderam uma filha com dois anos de idade e ela resolve viver a vida de seu jeito para mostrar que tudo pode ser visto de um ângulo diferente, o que eu particularmente adorei, mas ao mesmo tempo ela era paranóica demais em relação ao que achavam dela, muito drama talvez e muito obscura no que gostava e no que escrevia, dados os quais não ajudavam em nada na tentativa de provar sua inocência.

“Em minha ira e pressa, acionei sem querer o alarme. Preciso me movimentar com vigor agora. Pego rapidamente o colar. Ele é lindo. Seus tons multicoloridos cintilam, ofuscantes, à luz. Olho para ela dormindo serena ali. Admiro seu pescoço de marfim, como o de um cisne; ele é tão inocente, tão confiante. Ergo minha faca, com uma cólera assassina, mas não desfecho o golpe”. – Conto escrito por Lily – págs 65 e 66

A história em si é básica e posso contar sem dar o spoiler do resultado do julgamento: Lily e Katy são duas americanas que decidem fazer intercâmbio em Buenos Aires. Lily tem espírito livre e quer ser diferente de todos, Katy é linda e o modelo de perfeição californiana. Elas moram na casa de um casal que está vivendo problemas financeiros mas fazem de tudo para esconder, incluindo a bebedeira e a depressão do Senhor Carizzo. Logo a frente existe a casa gigantesca de Sebastien, um órfão milionário de um passado e um futuro obscuro, um tanto quanto óbvio que ele seria alvo romântico de uma das meninas ou de ambas. Katy é encontrada morta por Lily que vai presa como principal suspeita. O que segue são páginas e mais páginas explicando como era o relacionamento dos três, a visão da promotoria do caso (que é um advogado cheio de problemas pessoais) e a visão da família de Lily: pai, mãe e irmã. O livro se desenrola até a data do julgamento o que me deixou bem chateada que exploraram pouco já que gosto tanto, mas foi algo esperado. Então vem o resultado se Lily é culpada ou inocente e quem teria ajudado ou não na morte de Katy. O resultado e se existe mais uma pessoa na história deixo a cargo da leitura de vocês, acredito que vão gostar do que a autora preparou.

O que me decepcionou demais foi o final do livro. O famoso “tantos anos depois de tal fato” com um final totalmente chato. Fiquei sem saber como Lily reagiu a sua nova condição e achei absurdamente sem graça como Sebastien lidou com o tal resultado, aquilo não tinha absolutamente nada a ver com a personalidade dele, ou era uma personalidade que estava escondida durante todo o livro que ele tentou mostrar algo que não era, pode ser, mas não curti.

Fora as últimas três páginas é um livro que eu recomendo fortemente. Leiam, prestem muita atenção, não pulem uma única frase pois fará falta para o entendimento em algum momento do livro. Como disse, eu gosto de livros que me fazem amá-lo e odiá-lo, esse é o caso.

“Devemos agir como se nosso entendimento, por limitado que seja, fosse o entendimento mais panorâmico e completo possível. Devemos agir como se tudo nesta vida fosse importante, como se tivéssemos apenas uma chance de acertar as coisas. Devemos agir como se ninguém fosse ver a verdade, se nós não víssemos a verdade.” – pág 384


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Monique Marie

Publicitária frustrada com o pouco dinheiro da área e admiradora de tudo que envolve a política. Gosta de seriados que tenham serial killers, filmes infantis, fanática por futebol e F1, além de tentar competir com o Dr. Reid (Criminal Minds) quem lê mais rápido. Geralmente não gosta de ler o que está "na moda", adora indicações e ainda acredita que muitos livros se vendem pela capa. Não se separa de seu amigo rivotril e escreve no mínimo um texto por dia.

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