sexta-feira, 13/10/2017
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Resenha: “O orfanato da srta. Peregrine para crianças peculiares”, de Ransom Riggs

Livro: O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares (#01)
Série: Srta. Peregrine
Autor: Ransom Riggs (@ransomriggs)
Páginas: 336
Editora: LeYa
Tradução: Edmundo Barreiros e Marcia Blasques
Resenha por: Bru Fernández
Comprar: Saraiva Cultura Folha Travessa Amazon

Tudo está à espera para ser descoberto em O orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares, um romance inesquecível que mistura ficção e fotografia em uma experiência de leitura emocionante. Nossa história começa com uma horrível tragédia familiar que lança Jacob, um rapaz de 16 anos, em uma jornada até uma ilha remota na costa do País de Gales, onde descobre as ruínas do Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares. Enquanto Jacob explora os quartos e corredores abandonados, fica claro que as crianças do orfanato são muito mais do que simplesmente peculiares. Elas podem ter sido perigosas e confinadas na ilha deserta por um bom motivo. E, de algum modo, por mais impossível que pareça, ainda podem estar vivas. Uma fantasia arrepiante, ilustrada com assombrosas fotografias de época, O orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares vai deliciar adultos, adolescentes e qualquer um que goste de aventuras sombrias.

“- Eu? – Ele deu de ombros. – Desisti de tentar entendê-lo há muito tempo.
– Isso é triste. Você não estava interessado?
– Claro que estava. Mas, depois de algum tempo, perdi o interesse.
– Por quê?
– Quando alguém não lhe deixa entrar, você acaba parando de bater. Entende o que quero dizer?” – p. 82

O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares era pra mim aquele livro que você até tem curiosidade de ler, mas nunca dava uma chance pra ele por achar que não iria me agradar. Até que surgiu a oportunidade de resenhá-lo e duas amigas aqui no site super me incentivaram a ler, aí as coisas mudaram de figura, afinal elas conhecem meu gosto literário. E agradeço muito a indicação delas.

Quando comecei a ler não sabia muito bem como classificar O Orfanato (vou apelidá-lo dessa forma pra não escrever seu extenso título o tempo todo, ok?), mas a narrativa não tardou a se tornar, perdoem o trocadilho, peculiar. Conhecemos a história do garoto Jacob e sua família. A família de sua mãe tem muito dinheiro e seus tios são donos de uma rede de mercado onde o jovem está “estagiando”, como parte de um ritual de família. Jacob já tentou de tudo para ser demitido, mas não consegue, por conta de seu status de herdeiro. Já o pai de Jacob está sempre correndo atrás de um grande projeto/sonho, que sempre acabam engavetados e esquecidos. A pessoa com quem Jacob se dá melhor em sua família é seu avô paterno, Abraham, que sempre lhe conta histórias de seu passado. A história de como ele teve que lutar contra “monstros” quando era mais jovem ou sobre os amigos peculiares que tinha no orfanato e lhe mostrar fotos que eram, na maioria, fotos esquisitas que parecem ter algum efeito como por exemplo crianças levitando, como se elas tivessem um dom especial. Será que teriam mesmo?

As histórias soavam um tanto fantasiosas aos ouvidos do jovem Jacob que, ao ficar mais velho, acabou duvidando das histórias fantásticas de caçar monstros contadas pelo avô e deixou de acreditar nelas, até que seu pai lhe contou que na verdade Abraham, que era polonês e foi parar no orfanato em Gales fugido da guerra, deixou o orfanato para lutar na guerra em defesa do seu povo. Explicou que Abraham contava histórias fantasiosas para mascarar a crueldade da guerra e que, por isso e outros motivos, ele nunca foi próximo do pai de Jacob. Até o dia em que Abraham entra em parafuso e afirma que os monstros estão de volta.

Depois de perder o avô, Jacob começa a ter visões e seus pais o forçam a se consultar com um psiquiatra, que afirma que o garoto sofre de choque pós-traumático. Com o tempo, Jacob decide ir atrás do orfanato onde seu avô passou a infância e adolescência – em uma ilhota isolada no País de Gales – para saber mais sobre ele, entendê-lo melhor e conhecer as pessoas peculiares com quem ele viveu… e é aqui que a porção sobrenatural e fantástica entra na história. Será que Jacob encontra alguém vivo para lhe contar mais sobre seu avô cujas histórias ele começa a querer acreditar que não eram tão fantasiosas assim? Vocês já devem imaginar que é aqui também que fica complicado abordar maiores detalhes do enredo sem dar spoilers e estragar a leitura de quem ainda não leu.

Gostei muito da ideia do enredo de Riggs e a forma como ele construiu a narrativa, com um tom sombrio e deixando a realidade e o fantástico muito próximos. As fotos espalhadas pelo livro – a maioria das crianças peculiares – ajudam a criar essa atmosfera fantasiosa e dão um toque todo pessoal ao livro. Um ótimo diferencial. A história não chega a ser sombria no nível Stephen King, mas também não deixa a desejar.

Não entrou para a minha lista de favoritos mas é uma história contada com perfeição e que deve ser lida por todos. Mal posso esperar para revisitar e aprender mais sobre Jacob, Abraham e as crianças peculiares no próximo livro da série. Hollow City.

“Sempre soube que era estranho. Nunca sonhei que fosse peculiar.” – p. 232


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

3 comentários

  1. Gabriela Fernandes

    Olá, gostaria de saber se tem alguma previsão pro lançamento do 3º livro

  2. Gabi, o segundo livro acabou de ser lançado pela Intrínseca! Provavelmente o terceiro e último livro da trilogia só sai por aqui ano que vem :)

  3. Felipe Gregorio

    Adorei o livro e sua narrativa, já vou partir pro segundo. Ansioso pelo filme!

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