sexta-feira, 15/12/2017
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Resenha: “Nuvens de ketchup”, de Annabel Pitcher

Livro: Nuvens de Ketchup
Autora: Annabel Pitcher (@apitcherauthor)
Páginas: 270
Editora: Rocco
Tradução: Petê Rissatti
Resenha por: Bru Fernández
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Indicado ao prêmio Edgar Allan Poe na categoria juvenil, Nuvens de ketchup é o segundo romance da inglesa Annabel Pitcher, autora do também premiado Minha irmã mora numa prateleira. A trama gira em torno da jovem Zoe, que narra, por meio de cartas enviadas a um prisioneiro condenado à morte, seu dia a dia com a família, seus envolvimentos românticos e um segredo sombrio que ela não tem coragem de contar a mais ninguém. As inúmeras dimensões dramáticas da jovem protagonista e a narrativa cativante mostram o desabrochar da juventude e percorrem temas como amor, culpa, luto, erros e acertos de forma sensível e bem-humorada.

“Ignore a mancha vermelha no canto superior esquerdo. É geleia, não é sangue. Mas acho que não preciso explicar a diferença para o senhor. Não foi geleia da sua mulher que a polícia encontrou nos seus sapatos.” – p. 09

O que me conquistou de cada nesse livro foi o título fora do convencional. Temos o costume de julgar o livro pela capa, eu costumo julgar pelo título também. A sinopse aumentou a minha curiosidade e quando finalmente iniciei minha leitura me deparei com a frase com a qual iniciei esta resenha e achei esse começo simplesmente incrível. Mal sabia eu naquele momento que essa mera frase já demonstrava um pouco da personalidade da personagem principal, Zoe – direta, sincera e espontânea.

Como aparece na sinopse a narrativa do livro é feita através de cartas, escritas por Zoe, uma jovem adolescente britânica que tem um segredo horrível guardado e não consegue/pode contar para ninguém, para o Sr. Stuart Harris, um homem que está no corredor da morte nos Estados Unidos, acusado de matar a sua esposa. Nessas cartas, Zoe resolve contar a história do seu segredo, mas no processo ela acaba descrevendo também a sua vida e os problemas de sua família, para conseguir dar o contexto todo da sua situação para o leitor de suas cartas, e também claro, nós leitores.

Zoe é a mais velha de três irmãs, a do meio é Soph e a mais nova é Dot. Por ser a irmã do meio, Soph se sente a filha mais negligenciada pela mãe, já que toda a atenção dela vai para a caçula Dot, que é surda. O ambiente familiar começa bem até o pai das meninas perder o emprego e o avô delas adoecer, então os pais começam a brigar com frequência. É muito interessante analisar a relação familiar pelos olhos de Zoe, que é até bem sensível para uma adolescente de 16 anos.

A outra parte de sua vida que ela conta ao Sr. Harris é sobre sua melhor amiga Lauren e também sobre como ela acaba ficando dividida entre dois garotos: Max, o garoto mais lindo e popular da escola, do qual todas as meninas são super apaixonadas; e Aaron, um garoto mais velho que ela conhece em uma festa na casa de sua amiga. Escrevendo assim parece até que é uma história simples e água com açúcar, mas eu garanto que não é. A autora consegue deixar o leitor a todo tempo curioso para saber o que realmente aconteceu com Zoe e porque ela se sente tão culpada.

Acredito que o maior mérito da autora foi ter conseguido contar uma história palpável, verossímil. O sentimento que eu tinha a todo momento era de estar lendo cartas verdadeiras, sobre coisas que realmente aconteceram, por conta da escrita tão bem desenvolvida pela autora. Através das cartas de Zoe para o Sr. Harris, podemos perceber que Zoe desabafa toda sua culpa sobre o que aconteceu, mas também toda a pressão que ela vive e vê dentro da sua própria casa, principalmente com segredos de alguns familiares sendo revelados. Esta é a forma que a jovem encontra de aliviar toda a sua tensão, quase como se estivesse conversando com uma amiga: nas primeiras cartas, ela chama o condenado de Sr. Harris mas depois de um tempo o tratamento muda e ela passa a chamá-lo simplesmente pelo seu primeiro nome, Stuart, criando um vínculo com seu interlocutor mesmo sabendo que jamais obterá uma resposta (por medidas de segurança ela deu nome e endereços falsos na carta). Também gosto da forma como, mesmo sendo uma comunicação unilateral, Zoe mostra interesse pelo caso de Stuart, afirmando que ele merece uma segunda chance e que ninguém deveria ter o direito de matá-lo, fazendo tudo ao seu alcance para tentar mudar o destino do seu amigo de cartas.

Um romance brilhantemente escrito que tem uma carga emocional muito maior do que aparenta ter, pois trata de assuntos como morte, segredos, culpa e luto de uma forma leve e bem-humorada. Vale, e muito, a leitura.


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

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