sexta-feira, 15/12/2017
Últimas do LeS:
Capa » Resenhas Fora de Série » Resenha: “Jonathan Strange & Mr. Norrell”, de Susanna Clarke

Resenha: “Jonathan Strange & Mr. Norrell”, de Susanna Clarke

Livro: Jonathan Strange & Mr. Norrell
Autor(a): Susanna Clarke | @BloomsburyPub
Páginas: 824
Editora: Seguinte
Tradução: José Antônio Arantes
Resenha por: Monique Marie
Comprar: Saraiva Submarino Cultura Americanas Folha Amazon

Em 1806, a maioria da população britânica acreditava que a magia estava perdida há muito tempo – até que o sábio Mr. Norrell revela seus poderes, tornando-se célebre e influente. Ele abandona a reclusão e parte para Londres, onde colabora com o governo no combate a Napoleão Bonaparte e coloca em prática seu plano de controlar todo o conhecimento mágico do país.
Tudo corre bem até que Jonathan Strange, um jovem nobre e impetuoso, descobre que também possui talentos mágicos. Ele é recebido por Norrell como seu discípulo, mas logo os dois começam a se desentender… e essa rixa pode colocar em risco toda a Inglaterra.

Misturando ficção e fatos históricos, Jonathan Strange & Mr. Norrell levou dez anos para ser escrito e foi baseado em uma extensa pesquisa da autora sobre a história da magia inglesa. O livro combina a mitologia fantástica de J.R.R. Tolkien com a comédia de costumes de Jane Austen, de quem Clarke é admiradora confessa, e ainda acena ao romantismo, à observação social de Charles Dickens e à literatura gótica de Anne Radcliffe.

Recebeu o Hugo Award, um dos prêmios mais importantes no gênero fantástico, além de ter sido indicado ao Man Booker Prize e eleito o melhor livro do ano pela revista Time. Agora adaptado para a TV pela BBC, o livro recebe nova edição, com introdução do escritor Neil Gaiman.

Assim que chegou a lista da Seguinte para os livros de cortesia ele me chamou atenção, não teve como! Quando esse pequeno bebê de 820 páginas chegou em casa eu pensei “Ó meu Deus, será que darei conta?”. Mas só posso dizer que não poderia ter escolhido um livro melhor e uma leitura tão incrível, o que já deixo claro que vocês devem ler, precisam ler Jonathan Strange & Mr. Norrell.

A história é uma delícia de se ler mas não pode ser feita se você tem prazo ou se tem aquela terrível mania de ler 10 livros ao mesmo tempo, ele precisa ser compreendido em todos os seus sentidos, ele precisa ser delicadamente esmiuçado e porque não até com algumas anotações de histórias que podem ser procuradas para melhor entendimento. Falo isso porque Susanna Clarke nos brinda com uma história que pula entre a magia em seu estado puro e uma Inglaterra em meio a uma guerra. Ouso falar que Clarke é detalhista como Tolkien, então sobre o espaço da história pouco importa se você entende algo sobre a Inglaterra ou sobre a época, você vai se sentir em todos os lugares e a praça Hanover em Londres será sua moradia por todo o tempo que este livro estiver em suas mãos.

Neil Gaiman fez a introdução da nova edição do livro e acredito que as palavras usadas definem tudo o que senti ao ler. Não vou conseguir me expressar em relação aos personagens de uma forma melhor que Gaiman quando escreveu que: “Adorei o rabugento Norrell e o não tão irresponsável quanto parece Strange. E John Uskglass, o Rei Corvo, que não aparece no título do livro a menos que esteja se escondendo atrás do &, mas que mesmo assim paira por ali. Adorei os personagens secundários, as notas de rodapé e a autora que, tenho certeza, não é a sra. Clarke, mas uma personagem própria, que escreve o livro mais perto do tempo de Strange e Norrell do que do nosso”.- Introdução pág. 13

Não tenho como descrever a história sem contar cada detalhe, o que acabaria com toda a graça da leitura fantástica desse mundo, mas ouso resumir que se trata de dois grandes magos que pretendem trazer a magia de volta a Inglaterra e ajudar o país da melhor forma possível, mas alguns detalhes fazem com que você acabe escolhendo de qual lado quer ficar, seja pelo homem que quer usar seu conhecimento para conseguir poder (vencendo batalhas em nome da Inglaterra por exemplo) e esconder do resto do mundo tudo o que existe sobre magia ou pelo homem que prefere usar de uma forma mais leve, que acredita na existência de magos tão poderosos quanto eles e que esse direito não lhes poderia ser negado. A história fica ainda mais gostosa quando você inclui elementos como: a morte precoce de uma jovem da alta sociedade, o uso de elementos fantásticos da natureza, a guerra contra Bonaparte, a descoberta de manuscritos perdidos por um mago não tão picareta como Vinculus, ajudantes que vão muito além do que aparentam ser e muito mais.

“Existiam agora dois magos em Londres para ser venerados e adulados, mas duvido que alguém se surpreenderá em saber que, dos dois, Londres preferia Mr. Strange. Ele correspondia à ideia que todos tinham de um mago. Era alto, encantador, tinha um sorriso assaz irônico e, ao contrário de Mr. Norrell, falava bastante sobre magia e não se opunha a responder a perguntas sobre o assunto. Mr. e Mrs. Strange iam a muitos jantares e saraus e, a certa altura dessas reuniões, Strange geralmente comprazia aos convidados com a demonstração de uma magia menor. A mais popular consistia em fazer visões aparecerem na superfície da água. Ao contrário de Norrell, ele não utilizava uma bacia de prata, o recipiente tradicional para se verem essas imagens.” – pág. 278

Uma observação muito importante a ser feita para quem for ler é que vocês precisam dar a devida importância a todas as notas de rodapé, não pulem uma sequer para que a leitura seja mais rápida, esqueçam que isso pode ser feito. As notas transformam a leitura em algo muito mais rico, ajudam a entender alguns medos dos personagens e a magia como um todo, por favor não pulem!

Por incrível que pareça, ao terminar o livro, as 824 páginas parecem poucas e você fica com a sensação de que quer muito mais. Então me vejo mais uma vez concordando com Gaiman em relação a ter os personagens como velhos conhecidos e que a primeira impressão de que este livro seria para poucos se desfaz, felizmente.


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Monique Marie

Publicitária frustrada com o pouco dinheiro da área e admiradora de tudo que envolve a política. Gosta de seriados que tenham serial killers, filmes infantis, fanática por futebol e F1, além de tentar competir com o Dr. Reid (Criminal Minds) quem lê mais rápido. Geralmente não gosta de ler o que está “na moda”, adora indicações e ainda acredita que muitos livros se vendem pela capa. Não se separa de seu amigo rivotril e escreve no mínimo um texto por dia.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*