sábado, 14/10/2017
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Resenha: “Extraordinário”, de R. J. Palacio

Livro: Extraordinário (#01)
Série: Extraordinário
Autor: R. J. Palacio (@rjpalacio)
Editora: Intrínseca
Páginas: 320
Tradução: Rachel Agavino
Resenha por: Monique Marie
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O livro conta a história de Auggie, um menino que nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma severa deformidade facial. Em um manifesto em favor da gentileza, ele enfrenta uma missão nada fácil quando começa a frequentar a escola pela primeira vez: convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros.

Comprei o livro em uma dessas promoções loucas da Internet mas não sei porque eu o deixei encostado enquanto tinha uma outra lista de livros na frente. Eis que surgiu a ideia da ação da Intrínseca de falar sobre amizades que valem a pena na semana do dia do amigo, destacando a amizade de Auggie e Plutão, e então finalmente o li. R.J. Palacio, obrigada por ter escrito esse livro!

No começo da leitura estranhei um pouco, a narrativa é em primeira pessoa e cada capítulo lembra um diário, mas não escrito como um, sé é que vocês me entendem. O livro é dividido em partes e cada parte é contada por um personagem diferente, sendo Auggie o personagem central. De todas as narrativas a minha preferida é a do próprio Auggie, o jeito como ele fala da sua vida e de seus problemas é único, em nenhum momento você fica como o sentimento de dó ou pena pois ele não deixa que você sinta pena dele, na verdade você se apaixona por ele.

Extraordinário gira em torno da primeira vez que Auggie, um menino com uma deformidade facial severa, vai a uma escola. Temos o ponto de vista dele, de sua irmã Via e deu namorado Justin, de dois amigos e de Miranda. Cada um conta como enxerga Auggie, como passa por problemas também por querer seu bem e querer estar ao seu lado e claro contam histórias ótimas. Eventos importantes como: o primeiro dia de aula, festas temáticas, aniversário, a mesa para almoçar e passeios são descritos de uma forma que você consegue sentir o medo, a angústia e a dor que esse menino passou para se achar um pouco mais normal como as outras crianças de sua idade.

“- Mãe? Sempre vou ter que me preocupar com idiotas desse tipo? – perguntei. – Tipo, mesmo quando eu crescer, vai ser sempre assim?
Ela não respondeu de imediato. Em vez disso, pegou meu prato e meu copo, pôs na pia e enxaguou.
– Sempre haverá idiotas no mundo Auggie – falou, olhando para mim. – Mas seu pai e eu acreditamos, de verdade, que há mais pessoas boas que más na Terra, e que as pessoas boas olham umas pelas outras, cuidam umas das outras. Assim como o Jack ficou do seu lado. E o Amos. E os outros garotos.” – p. 285

Acredito que todos que leem Extraordinário criam uma empatia com todos os personagens que narram o livro, além, é claro, dos pais de Auggie. É totalmente compreensivo os ataques de Via, a irmã de Auggie, e a forma como ela se sente em relação a seus pais, já que o mundo gira em torno de seu irmão. Não dá para culpá-la por querer um pouco mais de atenção ou de amor já que ela é extremamente compreensível e amorosa com Auggie.

“Voltar para casa depois de quatro semanas foi muito estranho no começo. Lembro-me muito vividamente de cruzar a porta e ver August vir correndo para me dar boas vindas, e de por uma fração de segundos enxergá-lo não do jeito como sempre tinha enxergado, mas como as outras pessoas o viam. Foi apenas um flash, um instante enquanto ele me abraçava, completamente feliz por eu estar em casa, mas fiquei surpresa porque eu nunca o tinha encarado daquele jeito. E nunca sentira aquilo: algo que na mesma hora fez com que eu me odiasse. Enquanto ele me beijava com todo carinho, tudo o que eu conseguia notar era a baba escorrendo por seu queixo. E, de repente, ali estava eu, como todas aquelas pessoas que ficavam olhando fixamente para ele ou desviavam o olhar. Horrorizada. Enojada. Assustada. Ainda bem que só durou um segundo: no momento em que ouvi a risadinha estridente de August, tudo acabou. Tudo voltou a ser como era antes. Mas aquilo tinha aberto uma porta. Um pequeno olho mágico. E do outro lado havia dois Augusts: o que eu enxergava cegamente e o que as outras pessoas viam.” – p. 93

É uma bela história de superação, de amor incondicional, de amizade, de bullying, de perdão e porque não, uma lição de vida. Me peguei chorando em vários momentos do livro, eu sou emotiva normalmente, mas é impossível você não se comover com a história desse menino incrível, ou como diz o nome do livro: Extraordinário! Poderia também escrever mil quotes do livro, ele é cheio de passagens que deveríamos colar na casa e aprender com elas, mas deixo agora uma última vinda de um professor em seu primeiro dia de aula.

“Preceito de Setembro do Sr. Browne: Quando tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil.” – p. 55

Deixem que Auggie te levem para dentro de seu incrível mundo e experimentem viver um pouco com essa família que poderia mudar a forma de muitos enxergarem o mundo.


Aviso Legal: Esse livro foi adquirido pela própria resenhista.

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Sobre Monique Marie

Publicitária frustrada com o pouco dinheiro da área e admiradora de tudo que envolve a política. Gosta de seriados que tenham serial killers, filmes infantis, fanática por futebol e F1, além de tentar competir com o Dr. Reid (Criminal Minds) quem lê mais rápido. Geralmente não gosta de ler o que está "na moda", adora indicações e ainda acredita que muitos livros se vendem pela capa. Não se separa de seu amigo rivotril e escreve no mínimo um texto por dia.

Um comentário

  1. Maíra Souza

    Acabei de ler ele ontem e a primeira coisa que me veio a cabeça foi em como algumas crianças podem ser maldosas. As vezes por não entender, ou até mesmo por causa de como são criados. Provavelmente eu seria uma dessas crianças que ficariam um pouco assustadas e agiria um pouco mal, a maioria das crianças não estão prontas para o desconhecido.. E fiquei pensando no que podemos fazer pra mudar isso… Penso que, infelizmente hoje em dia os país não conversam muito com os filhos pra lhes ensinar o certo e errado. E daí conversar com os filhos é um grande passo pra não deixar que sejam maldosos ou que sejam os alvos, e mesmo que sejam os alvos ajudar eles a lidar com isso. Eu adorei o livro e adorei o Auggie! É uma leitura super leve e com boas lições!

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