31 de julho de 2015
Postado por: Kinina @ Arquivado em: Lançamentos

Livro: Só por hoje e para sempre
Autor: Renato Russo
Organização: Leonardo Lichote
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“Perdi vinte em vinte e nove amizades/ por conta de uma pedra em minhas mãos”, rezam os versos iniciais do álbum O descobrimento do Brasil, lançado pela Legião Urbana em novembro de 1993. Menos de seis meses antes, em abril do mesmo ano, Renato Russo dava entrada na clínica de reabilitação Vila Serena, no Rio de Janeiro, não só para se desvencilhar do álcool e das drogas, como também para mergulhar numa reflexão profunda sobre sua vida.

Os vinte e nove dias que o músico passou ali internado o marcariam profundamente, tanto em sua trajetória pessoal quanto em sua produção artística, conforme revelam as várias letras subsequentes que, a exemplo de “Vinte e nove”, se referem a essa experiência radical de reclusão.

“Passei vinte e nove meses num navio/ e vinte e nove dias na prisão”, segue a canção, “e aos vinte e nove, com o retorno de Saturno,/ decidi começar a viver.” Perfeccionista e exigente em todas as etapas de seu processo criativo, da composição à execução diante do público, o homem que estava à frente da Legião Urbana – uma das bandas de maior sucesso na história da música brasileira – encarou com a mesma obstinação o Programa dos Doze Passos oferecido pela clínica, seguindo à risca os exercícios terapêuticos de escrita propostos.

É esse material inédito que vem à tona depois de mais de vinte anos em Só por hoje e para sempre, atendendo ao desejo do autor de ter sua obra publicada postumamente. Entremeando as memórias de Renato com passagens de autoanálise e um olhar esperançoso para o futuro, esse relato oferece a seus fãs, além de valioso documento histórico, um contato íntimo com o artista e um exemplo decisivo de superação.
“E vinte e nove anjos me saudaram/ E tive vinte e nove amigos outra vez.” Passados mais de vinte anos, vem à tona relato inédito dos dias que o líder da Legião Urbana passou numa clínica de reabilitação para combater a dependência química e reencontrar o equilíbrio.

Livro: Gêmeos
Autor: Allen Shawn
Tradução: Caroline Chang
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Quando Allen e sua irmã gêmea, Mary, tinham dois anos, os Shawn começaram a perceber sinais de que havia algo errado com a filha do casal. Aos oito anos, ela foi enviada para passar o verão em uma escola especial. O que era para ser uma ausência temporária acabou se transformando em uma internação permanente sem mais explicações, e Mary nunca voltou a viver no seio familiar. Posteriormente, sua condição seria diagnosticada como autismo acrescido de deficiência intelectual.

Décadas mais tarde, ao investigar as origens de sua agorafobia em seu primeiro livro de memórias, Bem que eu queria ir, o compositor Allen Shawn compreendeu que sua angústia estava inextricavelmente ligada à história de sua família. Nesse relato, ele refaz o percurso de sua relação com Mary, desde o berço partilhado nos primeiros meses de vida até a separação abrupta e radical, a fim de entender o papel que a condição de gêmeo e a perda traumatizante da irmã representaram em sua existência e em sua forma de perceber o mundo. Allen perscruta os segredos e a intimidade de seus progenitores – o pai, William Shawn, era o lendário editor da revista The New Yorker e manteve durante décadas, e com anuência da esposa, um caso extraconjugal com a jornalista Lilian Ross – e analisa que impacto tiveram na dinâmica familiar. Revisita autores e textos clássicos sobre o autismo, expõe de maneira clara as diversas formas de tratamento e ainda apresenta a compreensão sobre a doença na década de 1950, quando Mary foi internada, e hoje.

Franco, emocionante, vívido e delicado, o relato de Shawn vai além daquilo a que se propõe: ao término dessa jornada em busca de um afeto perdido, o leitor partilha com o autor a dor de uma perda tão importante, mas também uma “certa ideia expandida do espectro humano”.

Livro: Sempre em movimento
Autor: Oliver Sacks
Tradução: Denise Bottmann
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Quando Oliver Sacks tinha doze anos, um professor bastante sagaz escreveu num relatório: “Sacks vai longe, se não for longe demais”. Hoje está absolutamente claro que Sacks jamais parou de ir. Desde as primeiras páginas deste comovente livro de memórias, em que relata sua paixão de juventude pelas motos e pela velocidade, Sempre em movimento parece estar carregado dessa energia. Conforme fala de sua experiência como jovem neurologista no início dos anos 1960 – primeiro na Califórnia, onde lutou contra o vício em drogas, e depois em Nova York, onde começa a despontar como pesquisador -, vemos como sua relação com os pacientes veio a definir sua vida.
A ideia de estar sempre em movimento alimentou não apenas suas pesquisas, mas também sua vida. Quando revelou à família que era homossexual, ouviu de volta da mãe que ele era “uma abominação”. A mãe foi eventualmente perdoada, mas a sentença o fez abandonar a Inglaterra e o colocou na estrada. Nessas viagens, cruzando de ponta a ponta um país tão familiar quanto estrangeiro, surge o médico que viemos a conhecer: apaixonado, obstinado e perpetuamente curioso com o mundo.
Com a honestidade e o humor que lhe são característicos, Sacks nos mostra como a mesma energia que motiva suas paixões “físicas” – levantamento de peso e natação – alimenta suas paixões cerebrais. Ele escreve a respeito de seus casos de amor, tanto os românticos quanto os intelectuais, sobre a culpa de abandonar a família para ir aos Estados Unidos, sua ligação com o irmão esquizofrênico e os escritores e cientistas que o influenciaram – Thom Gunn, A. R. Lúria, W. H. Auden, Gerald M. Edelman, Francis Crick. Sempre em movimento é a história de um pensador brilhante e nada convencional, o homem que iluminou as muitas formas com que o cérebro nos faz humanos.

Livro: Um holograma para o rei
Autor: Dave Eggers
Tradução: Jorio Dauster
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Em uma próspera cidade da Arábia Saudita, longe da complicada realidade da recessão que assola os Estados Unidos, um empresário em apuros financeiros realiza uma última e desesperada tentativa de evitar a falência completa, pagar a caríssima faculdade da filha e, talvez, fazer algo de bom e surpreendente com sua vida.
Em Um holograma para o rei, Dave Eggers nos conduz por uma viagem pelo outro lado do mundo e pela comovente e por vezes cômica jornada de um homem para manter a família unida e a vida nos eixos diante da crise que devasta todos como uma tempestade. Nesse deserto insólito, ele irá se deparar com uma estranha e fascinante galeria de personagens, gente vinda do mundo inteiro para cumprir todo tipo de ambição, como se convergissem para lá os pontos de uma realidade que parece se esfacelar. É nesse espelho quebrado de nacionalidades e aspirações que o protagonista tentará juntar os cacos de sua própria vida e recriar sua existência.
Não por acaso a prestigiosa crítica Michiko Kakutani chamou o romance de “A morte de um caixeiro-viajante globalizado”: a ideia de um povo construindo a imagem de um país, central ao grande romance americano, é invertida aqui pela noção de que este país está agora sendo reconstruído de fora. O protagonista que busca um contrato no deserto saudita para vencer os chineses é um símbolo poderoso dessa mudança, e ninguém mais hábil do que Eggers, um dos grandes prosadores contemporâneos, para esmiuçar literariamente as ondas de choque que vêm transformando o mundo num ritmo tão vertiginoso.
Num romance carregado de tensão, Eggers realiza uma poderosa elegia aos tempos modernos, uma história não apenas sobre tempos atuais, mas um retrato tocante e sensível de como chegamos até aqui.

Livro: O diário de Guantánamo
Autor: Mohamedou Ould Slahi
Tradução: Donaldson M. Garschagen e Paulo Geiger
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Desde 2002, Mohamedou Slahi está preso no campo de detenção da Baía de Guantánamo, em Cuba. No entanto, os Estados Unidos nunca o acusaram formalmente de um crime. Um juiz federal ordenou sua libertação em março de 2010, mas o governo americano resistiu à decisão e não há perspectiva de libertá-lo.
Três anos depois de sua prisão, Slahi deu início a um diário em que conta sua vida antes de desaparecer sob a custódia americana, o processo interminável de interrogatório e seu cotidiano como prisioneiro em Guantánamo.
Seu diário não é apenas um registro vívido de um erro da Justiça, mas um livro de memórias denso, multifacetado, aterrorizante, sombrio e autoirônico.




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