sábado, 28/03/2020
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Resenha: “Léxico”, de Max Barry

Livro: Léxico
Autor: Max Barry (@MaxBarry)
Páginas: 368
Editora: Intrínseca
Tradução: Domingos Demasi
Resenha por: Bru Fernández
Comprar: Saraiva Submarino Cultura Folha Americanas Amazon

Uma organização treina jovens talentosos para controlar a mente e o comportamento das pessoas usando combinações específicas de palavras. Os iniciados deixam suas verdadeiras identidades para trás e passam a usar nomes de poetas.

Identificada como um prodígio na arte da persuasão, Emily Ruff, que ganha a vida com truques de cartas nas ruas de São Francisco, é enviada para o treinamento em uma escola da organização e começa a aprender a técnica letal. Quando os líderes da instituição descobrem que ela está se envolvendo com outro aluno, Emily recebe uma missão aterrorizante.

Wil Parke, carpinteiro, sofre de amnésia. Um dia ele já soube o significado da palavrárida, um artefato com o poder de colocar o planeta em risco. No entanto, não lembra mais. Wil é sequestrado por dois agentes brutais, que acabaram de matar sua namorada, desesperados para impedir que um membro da organização, de codinome Virginia Woolf, cause uma grande destruição.

Em seu novo livro, Max Barry constrói uma trama sombria na qual as palavras são como armas e os tipos mais vis usam como pseudônimos grandes nomes da literatura.

“- Não entendo como pode ser uma palavra.
– É porque você não sabe o que são as palavras.
– São sons.
– Não, não são. Você e eu não estamos grunhindo um para o outro. Estamos transferindo significado. Transformações neuroquímicas estão ocorrendo em seu cérebro neste exato momento por causa de minhas palavras.” – p. 50

Acredito que apenas afirmar que sou formada em Letras e aficcionada por idiomas já conta como motivo de sobra para esse livro ter me chamado a atenção, né? Depois de ler a sinopse que promete um thriller cheio de ação e intriga, fiquei ainda mais curiosa sobre esse lançamento da Intrínseca – que, diga-se de passagem, anda publicando thrillers incríveis! Quando tive a oportunidade de solicitá-lo depois da nossa renovação de parceria, não hesitei nem um minuto e não me arrependo.

Léxico tem uma narrativa um tanto quanto agitada, perturbada e confusa, logo de início. Me senti um pouco perdida nas primeiras páginas, mas, aos poucos, tudo começa a fazer sentido. Demora um pouco para entendermos a conexão entre as pessoas e seus codinomes, quais são suas intenções verdadeiras. Mas não chega a bater aquele desânimo que faz a gente querer largar o livro e desistir da história, bate mesmo é a curiosidade de saber onde tudo aquilo vai dar.

A trama conta a história de uma organização que dá treinamento para jovens, previamente selecionados, de controle mental e comportamental, tudo com o uso das palavras. As pessoas se dividem em segmentos, existem um pouco mais de 200 segmentos diferentes em todo o mundo, e você pode facilmente definir a qual segmento uma pessoa pertence de acordo com a sua personalidade e, a partir disso, você pode descobrir um jeito de manipulá-la. Esses que aprendem essa prática são chamados pelo autor de poetas. Achei a sacada incrível, afinal, ninguém melhor que um poeta para lidar com palavras. Outra sacada muito boa foi a de dar codinomes de poetas famosos para os membros mais importantes da organização: Yeats, T.S. Eliot, Virginia Woolf, Charlotte Brönte, só para mencionar alguns.

Claro, em um livro de ficção as histórias sempre são extrapoladas, mas é palpável a crítica do autor sobre a manipulação verbal, algo que todos nós estamos fazendo o tempo todo, mesmo sem perceber. Quem nunca conseguiu o que queria porque “pediu com jeitinho”, ou “soube abordar a pessoa da maneira correta”, não é?

“Ela não curtia realmente ler, mas gostava do modo como os livros eram pistas. Cada um deles era uma peça de um quebra-cabeça. Mesmo quando não se encaixavam, elas revelavam um pouco mais sobre que tipo de imagem ela estava formando.” – p. 90

As personagens foram muito bem delineadas e a intensidade da história pessoal de cada uma delas acabou despertando ainda mais meu interesse nelas. Emily Ruff é a personagem central, uma garota simples porém muito sagaz que mora nas ruas, dona de uma personalidade intrigante que acaba sendo recrutada por ser “boa com as palavras”. Não posso falar muito sobre a história dela sem revelar parte do enredo, mas posso garantir que suas cenas são explosivas e repletas de carga emocional. Wil é outro personagem interessante, com a sua memória confusa e que acaba preso em uma perseguição sem saber o que está acontecendo e nem ter ideia de quem são e o que fazem os poetas. Basicamente, Wil é o personagem que ajuda o leitor a entender todo o enredo complexo que Barry construiu, ao ter toda essa intrincada história explicada a ele ao longo da narrativa.

Eu gostei muito de Léxico, principalmente por se tratar de um assunto que me interessa muito, mas principalmente por ser uma história diferente do que encontramos por aí. Como disse no começo da resenha a narrativa pode ser um pouco caótica no início e até mesmo pode haver dificuldade em alguns momentos em entender a linha do tempo na qual o enredo é contado, mas tudo isso cai como uma luva na evolução da história, que conta com algumas boas reviravoltas. Se você gosta de um bom thriller, que te prende do começo ao fim, recomendo fortemente a leitura dessa obra. Apesar da recomendação estar vindo de uma fã de estudos linguísticos, não se preocupe se gramática e outros idiomas não forem o seu forte: ainda há uma história incrivelmente bem contada para você descobrir nas páginas deste livro!

“A parte mais movimentada de qualquer livraria é sempre a dos lançamentos – comentou o homem alto. – É isso que atrai as pessoas. Não o melhor. E sim o novo.” – p. 17


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

3 comentários

  1. Yasmin Freitas

    Estou louca por esse livro. Já faztempo que estou querendo ele, mas não quero pagar frete! Estou cursando Letras, e esse assunto me interessou bastante.

  2. Bruna Fernández

    Oi Yasmin, como estudante de Letras, acredito que você vá curtir muito o livro assim como eu! Super indico sim! :D

    Fique de olho nas promoções de frete grátis das grandes livrarias ;)

  3. Uma coisa que me chamou atenção é na página onde ele afirma que nós estamos a todo tempo tentando persuadir. Persuadir de que somos os melhores, os mais bonitos, os mais descolados, ou sei lá.
    Pura verdade.

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