quinta-feira, 16/11/2017
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Entrevista de Jeff Kinney para O Globo

Original: O Globo
Tradução:
Revisão: Bru Fernández

O americano Jeff Kinney veio ao Rio pela primeira vez para lançar o sétimo volume da série Diário de um banana. O autor já vendeu 75 milhões de livros desde 2007, sendo 2,1 milhões no Brasil.

Kinney passou oito anos criando uma história em quadrinhos gigante, de 1.300 páginas, sobre a saga do pré-adolescente Greg Heffley para enfrentar o colégio e ser aceito socialmente pelos colegas. A editora, porém, achou que seria melhor dividir a obra em volumes também direcioná-la ao público infantil, diferentemente do que Kinney havia imaginado a princípio. A série, então ganhou o formato de um diário, intercalado por ilustrações. O diferencial da trama é que nem sempre o garoto toma decisões éticas. Trapacear e mentir para os pais fazem parte das habilidades do menino.

Em “Segurando vela”, Greg está ficando mais velho. Dessa vez, ele precisa encontrar uma garota para acompanhá-lo no baile de Dia dos Namorados da escola… Foi mais difícil escrever o sétimo livro?
Quando eu tinha a idade dele, também tinha muitos problemas com garotas. Eu definitivamente me identifico com esse aspecto da vida do Greg, então foi muito divertido escrever sobre isso.

Qual foi sua inspiração para “Segurando vela”?
No livro há um pouco do que aconteceu na minha própria pré-adolescência, principalmente os sentimentos que eu tinha naquela época, mas eu também usei muito a imaginação. De cara, fiquei empolgado de falar sobre esse grande evento social na escola. Os meninos (Greg e seu melhor amigo, Rowley) nem estavam animados para ir ao baile, mas, quando descobriram que poderiam ficar de fora do círculo social da escola se não fossem, decidiram marcar presença. Esse tipo de coisa acontece muito com os pré-adolescentes, por isso achei bacana escrever sobre o assunto.

Originalmente, a saga “Diário de um banana” era um livro de quadrinhos feito para adultos. Para você, é estranho se imaginar como um autor de livros infantis?
Ainda é muito estranho pensar que escrevo para crianças. Cheguei aqui por acidente. Quando escrevi o primeiro rascunho do livro, minha intenção era contar uma história que fizesse os adultos lembrarem como é ser criança, por isso achei tão legal encontrar adultos que são fãs da série aqui no Brasil. Em nenhum outro lugar do mundo vi tantos fãs crescidos de “Diário de um banana”.

Você, na adolescência, era parecido com Greg?
Eu era muito parecido com ele em alguns aspectos, só que mais maduro, claro. Digamos que o personagem é uma versão exagerada do meu pior lado adolescente.

Hoje, as histórias sobre vampiros e lobisomens estão na moda, mas você preferiu escrever sobre um garoto normal. Por quê?
Eu nunca me identifiquei com personagens sobrenaturais, porque eu nunca me senti com super poderes quando criança. Então quis criar um personagem com quem as pessoas pudessem se identificar, com falhas…

Nos livros, Greg mente para os pais, passa a perna no melhor amigo… Você não tem a preocupação de passar uma lição, certo?
As crianças não procuram por uma moral nas minhas histórias. Elas procuram rir, e há outros lugares onde elas podem encontrar esse tipo de conto com moral. Acredito que parte do sucesso dos meus livros vem justamente do fato das crianças lerem as obras para se divertir. Elas não sentem que há um adulto ali por trás tentando ensinar uma lição a elas.

Mas muita gente o critica por essa postura…
De vez em quando leio textos que me criticam. Algumas pessoas acham que o Greg não é um bom exemplo para as crianças. Acho que essas pessoas não entendem que a ideia é apenas contar histórias engraçadas, e elas são engraçadas justamente porque o protagonista nem sempre faz a escolha certa.

A série já tem sete volumes*. Você imaginou que ela faria tanto sucesso?
No começo, eu queria escrever um livro gigante. O primeiro rascunho tinha 1.300 páginas, mas a editora achou que seria melhor dividir em uma série. Então pensei que, se tivesse sorte, publicaria uns três livros… Acabei ampliando minha ideia para cinco, depois sete, e agora quero chegar ao número 10. E por que parar lá?
* lembrando que essa é uma entrevista antiga, a série já possui 9 exemplares publicados no Brasil, sendo que o décimo deve sair em breve!

E tem história para tantos livros?
Confesso que é difícil continuar criando situações interessantes, mas essa é a parte divertida e também o maio desafio de escrever “Diário de um banana”: continuar sendo criativo com o mesmo personagem.

Já foram lançadas três adaptações para o cinema das suas histórias. Há mais filmes a caminho?
Acho que, em vez de filmes com atores, vou mudar para especiais animados por um tempo. E talvez, um dia, a gente reinicie a série de filmes do zero, com novos atores.

Você pensa em escrever algum livro fora da série?
Estou começando a trabalhar em um novo livro, também ilustrado, sobre um menino que é muito pequeno para a sua idade. Ele se sente uma formiguinha no mundo, mas tem um enorme coração.

Tem medo de ficar marcado como o cara do Diário de um banana?
Isso definitivamente pode acontecer. Há artistas destinados a escrever apenas sobre uma história, outros escrevem sobre múltiplos personagens. Vou dar uma chance a algo novo para ver se as pessoas se interessam. Não gostaria de ficar preso a só um trabalho como autor. Quero fazer algo diferente e me desafiar.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

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