quinta-feira, 16/11/2017
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Resenha: “Filho Dourado”, de Pierce Brown

Livro: Filho Dourado (#02)
Série: Red Rising
Autor: Pierce Brown (@Pierce_Brown)
Páginas: 548
Editora: Globo Alt
Tradução: Alexandre D’Elia
Resenha por: Bru Fernández
Comprar: Saraiva Cultura Amazon

Há setecentos anos meu povo é escravizado e desprovido de voz e de esperança. Agora eu sou a espada deles. E eu não perdoo. Não esqueço. Portanto, deixe que ele me conduza à sua nave. Deixe que ele pense que me possui. Deixe que ele me receba de braços abertos na sua casa para que eu possa destruí-la.

ATENÇÃO! Esse livro não é o primeiro da série e a resenha pode conter spoilers! Confira nossas resenhas anteriores dessa série, clicando na capa desejada:

“- O velho Ceifeiro tem algumas cartas na manga – diz Tactus. – Vocês podem não ter estado lá pra ver, mas ele não matou Apolo com seu sorriso.” – p. 60

Quando o assunto são trilogias, geralmente fico apreensiva para ler o segundo volume da série, principalmente se gostei muito do primeiro. Fico tensa por medo de que o autor “perca a mão” e acabe estragando a própria história. Acontece que eu gostei tanto, mas TANTO de Fúria Vermelha que eu simplesmente abstrai essa minha apreensão boba e simplesmente me desliguei do mundo quando Filho Dourado finalmente chegou nas minhas mãos! Estava na hora de me reencontrar com alguns dos meus personagens literários favoritos: Sevro e Darrow.

O segundo livro da trilogia se inicia algum tempo depois do final do primeiro quando Darrow se torna um lanceiro de Nero au Augustus, pai de Chacal e Mustang, porém, principalmente, o homem que mandou assassinar Eo, esposa de Darrow quando ele ainda era um Vermelho. Nada poderia ser mais perfeito do que estar infiltrado no exército de um dos homens mais poderosos do universo, não é mesmo? O problema é que Darrow começa a ficar um pouco perdido e não tem ideia do que fazer sem receber direções de Ares – que ainda não sabemos ao certo quem ele é, já que o misterioso personagem não deu o ar da graça ainda – ou até mesmo de Dancer. Para complicar ainda mais, a família Bellona está no seu encalço: buscando o troco pela morte de Julian, Cassius e seu irmão mais velho, Karnus, estão com sede de sangue.

“Como é cruel uma vida em que a visão da minha mulher morta significa esperança.” – p. 76

Apesar de ter morrido logo no início de Fúria Vermelha, o que viria a se tornar o estopim da revolução dos Filhos de Ares – Eo, esposa de Darrow, tem uma enorme presença do segundo livro também. É por ela, por memórias de palavras dela e atitudes dela que o herói criado por Pierce Brown permanece firme e forte no caminho pavimentado de sangue e discórdia. Eo, essa sim é a verdadeira personagem principal dessa série, afinal, tudo começou com ela.

“Será que eu havia esquecido de fato? Sou um filho do inferno, e passei tempo demais no céu deles.” – p. 113

Poderia ficar aqui escrevendo uma longa dissertação cheia de elogios à história, mas vou apenas ressaltar algumas coisas que talvez justifiquem os motivos de eu gostar tanto desta série. Primeiro, o herói da saga não é invencível e sua queda não vem apenas no final dos livros. Darrow trava milhares de mini-batalhas ao longo do livro, às vezes com as pessoas mais improváveis, e nem sempre sai vitorioso ou ainda consegue resultados satisfatórios. Esses altos e baixos da personagem tornam a história mais verossímil e deixa um clima de constante incerteza no ar, o que acaba eletrizando o leitor e tornando a personagem de Darrow ainda mais forte.

Todas as personagens são absurdamente profundas e bem delineadas, até mesmo alguns coadjuvantes possuem seus traços enfatizados pelo autor e a quantidade de personagens é grande. É espantosa a forma como o autor consegue dar conta de dar vida cada um dos personagens e formar a complexa rede de intrigas e traições que cercam essas personagens. Conseguimos perceber muito da personalidade de cada um apenas em suas falas e atitudes. A sabedoria calma de Mustang. A ira manipuladora de Chacal. A calma passiva de Roque. São inúmeras as variedades e são todas surpreendentemente bem trabalhadas.

“- Você é repulsiva. (…) Todo esse poder, e é dessa maneira que você o utiliza? Matando famílias no meio da maldita noite. O fato básico é o seguinte, você é uma desgraçada. Espero que você se lembre do que proporcionou aos outros quando eu estiver em pé em cima do seu cadáver.” – p. 208

Outro detalhe que ajuda muito no conjunto da obra é o estilo da escrita de Pierce e, claro, a tradução extremamente bem trabalhada de Alexandre D’Elia. Durante a minha leitura constantemente tinha a impressão de estar lendo o roteiro de um filme, que ia surgindo sozinho na minha mente por conta das palavras do autor. Isso sem contar os incríveis diálogos, simplesmente não conseguia reprimir algumas gargalhadas sempre que Sevro – um dos amigos mais fiéis de Darrow e, de longe, meu personagem favorito – solta alguma de suas pérolas. Por outras vezes, tive que me controlar para não soltar um sonoro palavrão por conta de alguma reviravolta absurda.

Por falar em reviravolta absurda, apesar de todas as revelações feitas ao longo do livro – e olha que não são poucas, se levarmos em consideração o fato de que a identidade de Ares nos é revelada! (Fiquei de cara!) – o final deste livro não é para os fracos de coração. Fiquei momentaneamente sem chão, sem fala, sem rumo. O meu dia acabou ali, não consegui focar em mais nada depois do término da minha leitura. Tudo que eu sei é que o livro final dessa trilogia, Morning Star, tem tudo para ser ainda mais incrível que seus predecessores. Mal posso esperar para ter o desfecho desse rico universo em mãos, porém tenho certeza de que será um sentimento agridoce. Espero que Pierce resolva criar spin-offs eternos para expandir mais e mais esse universo singular criado por ele.

“Tire do homem aquilo que ele ama e sobra o quê? Apenas ódio. Apenas raiva.” – p. 479


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

4 comentários

  1. O final foi de arrasar mesmo fiquei tipo, Como? Serio isso? Me ajuda aki plz. kKkkkkk

  2. Também fiquei sem chão com o final! Como assim? Eu já esperava aquela reviravolta, mas o que ele fez no ultimo parágrafo… me deixou transtornado. Eu estou muito ansioso para o ultimo livro, mas tenho quase certeza que vamos ver um dos nossos personagens favoritos morrer. Afinal é uma guerra, e sabemos que não existe final feliz depois dela.

  3. Gostei muito de sua resenha, mostrou muito bem como foi delineado esse segundo livro.

  4. Bru Fernández

    Obrigada, Francisco :)

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