segunda-feira, 23/10/2017
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Resenha: “O último policial”, de Ben H. Winters

Livro: O último policial (#01)
Série: O último policial
Autor: Ben H. Winters (@benhwinters)
Páginas: 320
Editora: Rocco
Tradução: Ryta Vinagre
Resenha por: Monique Marie
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Qual o sentido de se investigar um crime quando o planeta tem apenas seis meses de vida? O detetive Hank Palace enfrenta essa questão desde que o asteroide 2011GV1 foi avistado em rota de colisão com a Terra. Em face da tragédia iminente, a maioria das pessoas abandona seus trabalhos, casas e famílias e as instituições começam a ruir, mas Palace insiste em investigar um suposto suicídio. Ganhador dos prêmios Edgar, dedicado à literatura policial e de mistério, e Philip K. Dick, voltado para livros de ficção científica, O último policial é a combinação perfeita do clássico romance noir com o melhor da ficção científica atual. Primeiro de uma trilogia, o livro pinta um retrato fascinante dos Estados Unidos pré-apocalipse através de um enredo original e envolvente e de um protagonista carismático.

Um asteróide gigantesco vai colidir com a Terra e a probabilidade de você morrer no momento do choque é de 50% e de morrer nos eventos que acontecerão após a colisão é de 50%. Você é um policial há pouco tempo e vê o caos instalado na sua cidade, no seu país e no mundo. Muitas pessoas cometem suicídio porque não querem morrer na catástrofe iminente e então chegando para mais um dia de trabalho você se depara com mais um suicida mas algo de estranho existe ali. Você tentaria remar contra tudo e todos e provar que aquilo não foi um suicídio ou deixa assim porque em alguns meses o mundo virará pó?

Achei isso absurdamente sensacional. Não se trata de um livro meramente policial onde você segue as pistas para descobrir quem matou e como fulano foi morto, é um livro onde você lida com o ser humano em outro nível. Você lida com o caráter, com essa briga interna de fazer aquilo que é certo x o mundo vai acabar em alguns meses então porque fazer?

A história em si não tem muito o que ser contato além do que está na sinopse e que falei acima, como já imaginam o detetive Palace dá continuidade ao seu trabalho e muitas coisas são descobertas, muitas pessoas entram na história e muitas histórias se cruzam, portanto contar qualquer uma delas quebraria o suspense e aquele frio gostoso que dá ao ler e descobrir cada pista nova junto a Hank.

Acredito que se você é um leitor que odeia os Estados Unidos não entenderá algumas referências no livro, já que são típicas de americanos, excessão feita a lugares como McDonalds e derivados que são mundialmente conhecidos.

Não tenho a menor dúvida que vocês vão adorar Hank, não tem um único motivo para não gostar dele. Ele é uma mistura de cara certinho com uma certa neurose e com problemas na família, boom, combinação perfeita! Falando em família vocês conhecerão sua irmã e tenho certeza que vão ter um desenho perfeito em sua cabeça, é muito fácil de imaginar a personagem de Nico com a descrição feita no livro, eu torço por ela de uma forma absurda. Aproveito a deixa de “imaginar o personagem” e falar que por mais que Hank seja o protagonista e existam mil formas de descrevê-lo eu não consegui montar uma pessoa em minha cabeça, achei isso muito estranho pois sempre imagino alguém, algo que não aconteceu com Hank.

Voltando a parte sensacional do livro, acho que vale a reflexão do caos que acontece no mundo e de como cada indivíduo lidou com o fato de saber que existem meses de vida para toda a humanidade. Uns se mataram, outros largaram os empregos e foram para as montanhas tentar a sorte em sobreviver, outros foram atrás de drogas e tudo que é ilícito e ainda tem aqueles que fizeram sua lista de “coisas que sempre quis fazer antes de morrer”. E vocês? É algo a se pensar não é?

“As pessoas na rua principal estão simplesmente andando. Vão trabalhar, sentar-se a suas mesas, na esperança de que a empresa ainda esteja de pé na segunda-feira. Vão para o mercado, empurram o carrinho, na esperança de que exista comida nas prateleiras hoje. Encontram seus amados na hora do almoço para tomar sorvete. Tudo bem, claro, algumas decidiram se matar e algumas decidiram chutar o balde, algumas estão apelando para as drogas ou “andando por aí com o pau de fora”, como gosta de dizer McGully. Mas muitos que chutaram o balde voltaram, decepcionados, e um monte de criminosos recentes que buscavam o prazer louco se viram na cadeia, esperando por outubro numa solidão apavorada.” – p. 60

Vale demais a leitura e estou louca pela continuação, não tem como não gostar deste livro.


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Monique Marie

Publicitária frustrada com o pouco dinheiro da área e admiradora de tudo que envolve a política. Gosta de seriados que tenham serial killers, filmes infantis, fanática por futebol e F1, além de tentar competir com o Dr. Reid (Criminal Minds) quem lê mais rápido. Geralmente não gosta de ler o que está "na moda", adora indicações e ainda acredita que muitos livros se vendem pela capa. Não se separa de seu amigo rivotril e escreve no mínimo um texto por dia.

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