quinta-feira, 25/05/2017
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Entrevista de Sarah J. Maas para o Good Reads

Original: Good Reads
Tradução: Monique
Revisão: Bru Fernández

Celaena Sardothien está de volta. A feroz heroína metade fada da série bestseller Trono de Vidro (publicada no Brasil pela Galera Record) é conhecida por suas tiradas sarcásticas e seu grande talento para lutas – uma criação da autora Sarah J. Maas, que ainda era adolescente quando começou a imaginar o mundo de Celaena. Com a publicação do quarto livro da série, Queen Of Shadows (A rainha das sombras, em tradução livre), que ainda não saiu por aqui, Sarah se juntou ao pessoal do Good Reads para responder perguntas sobre suas personagens, livros preferidos e como é ter tantos fãs, além de dar dicas para jovens escritores.

Good Reads (Kelli) – Você sempre soube a direção que a história tomaria ou houveram surpresas durante o caminho?
Sarah J. Maas – Bem, eu trabalho nessa série desde os meus dezesseis anos então muita, muita coisa mudou desde as primeiras ideias e os manuscritos até o que foi publicado hoje.

Acredito em deixar meus personagens guiarem a história e como estou escrevendo/trabalhando com eles há mais de uma década, eu os conheço o suficiente para confiar que eles guiarão a história para onde ela precisa ir. Então às vezes isso significa que terei planos que serão arrancados pela raiz, mas sempre é para o melhor e sempre faz com que a história fique mais forte. Amo o fato de Celaena ainda conseguir me surpreender, mesmo depois de tanto tempo. E como essa série é na verdade a história dela, deixo que ela tome conta dos acontecimentos. As vezes que tentei forçar personagens em uma história que planejei sempre resultaram em desastres (leia-se: isso é um saco, e tenho que cortar/reescrever tudo), então aprendi da pior maneira a seguir meus instintos, mesmo que isso signifique mudar o rumo dos planos antigos e entrar em um novo, emocionante e aterrorizante território.

Good Reads (Bree) – Como é ter uma base de fãs tão grande hoje?
Sarah – Honestamente? Isso ainda é uma loucura para mim. Essa jornada é como um sonho que se torna realidade e é algo em que trabalho desde a adolescência, então é simplesmente… insano ver o grupo de fãs crescer. E mais que isso, é maravilhoso que os leitores da série sejam tão gentis, receptivos e generosos – sou incrivelmente grata de poder chamá-los de meus leitores.

Good Reads (Rhapsodylime) – Quem você diria que é o personagem que mais mudou desde o Trono de Vidro original, que você postou no FictionPress?
Sarah – Definitivamente Maeve. Ela era bem benevolente na versão do FP – e bem chata como resultado. Ela é muito mais divertida de se escrever como antagonista (especialmente quando ela interage com Aelin)!

Good Reads (Hannah) – Qual é seu cronograma de escrita? Você planeja seu dia de acordo com a sua escrita ou escreve de acordo com o seu dia?
Sarah – Eu sou escritora em tempo integral, então meus dias são organizados em torno dos meus livros. Às vezes significa que reservo a manhã para coisas não relacionadas aos livros, como responder e-mails, mídias sociais, coisas do site, entrevistas e outros. Então depois do almoço, eu escrevo (ou reviso, dependendo do que estou trabalhando no momento) até o jantar. Algumas noites, eu escrevo depois do jantar até a hora de dormir e algumas noites eu aproveito com meu marido e meu cachorro. Se eu estou perto do prazo, significa que minhas as manhãs, tardes e noites estarão reservadas para trabalhar nos meus livros.

Mas fora isso minha vida é bem normal/entediante. Passeio com meu cachorro, como pasta de amendoim do pote porque sou muito preguiçosa para fazer o lanche corretamente, vou à academia, assisto TV, vou à feira todos os domingos… Ainda estou à procura do balanço certo entre trabalhar/escrever e ter uma vida, mas eu tenho em mente de ficar longe do computador sempre que posso (já que acredito que me deixa mais criativa/zen sobre as coisas).

Good Reads (Gabriela) – Quando você escreveu Trono de Vidro e A Court of Thorns and Roses (Tribunal de espinhos e rosas, em tradução livre), você aprendeu com os erros dos seus personagens?
Sarah – Eu não sei se aprendi com os seus erros, mas eu definitivamente uso a frase de Aelin, “Eu não terei medo”, em muitas ocasiões, e realmente me sinto calma/melhor com ela!

Good Reads (Jamie) – O que levou Aelin a escolher o nome Celaena Sardothien? Como ela criou isso ou alguém (Arobynn) escolheu por ela?
Sarah – Talveeeeeeeeez você irá descobrir isso em um possível conteúdo/cena extra no futuro! ;)

Good Reads (Dieg) – Fadas realmente conseguem mentir? (Risos) Isso me deixou incomodado depois de ler A Court of Thorns and Roses (Tribunal de espinhos e rosas, em tradução livre).
Sarah – Com certeza podem! Isso faz atormentar os humanos (que pensam que fadas não mentem) muito mais divertido.

Good Reads (OpenBooksBlog) – Quais tipos de livros você gostou de ler enquanto crescia? Quais autores/livros realmente inspiraram sua escrita?
Sarah – Grande surpresa, mas eu lia fantasia, o tempo todo. Tinha em torno de doze anos quando descobri Robin McKinley e Garth Nix, e ambos abriram os portões para que devorasse toda a fantasia YA que encontrasse. Quando devorei esses livros (as escolhas na época eram bem mais escassas), migrei para a fantasia adulta e li tudo que conseguia ter em mãos: Mercedes Lackey, Terry Brooks, Anne Bishop, James Clemens, Jacqueline Carey, Peter S. Beagle, Anne McCaffrey, Raymond E. Feist, Tolkien, Juliet Marillier, Katherine Kerr, Charles de Lint, Patricia A. McKillip, Ursula K. Le Guin, Emma Bull… A lista vai além (e tenho certeza de que estou me esquecendo vários). Hoje em dia Sharon Shinn se tornou minha escritora preferida de fantasia romântica. Leria até sua lista de compras.

Good Reads (Kendyl) – Se seus personagens estivessem no mundo moderno, quais seriam seus livros favoritos?
Sarah – Amei essa pergunta! Vamos ver…

Celaena: As séries Turner’s Queen’s Thief, de Megan Whalen; Outlander de Diana Gabaldon ou ainda a série Guild Hunder de Nalini Singh.
Dorian: The Alphabet of Thorn de Patricia A. McKillip.
Chaol: A série Shannara de Terry Brooks.
Rowan: A série Irmandade da Adaga Negra de J. R. Ward.
Aedion: Guerra Mundial Z de Max Brooks.
Nehemia: A série Twelve Houses de Sharon Shinn.
Manon: Sabriel de Garth Nix (se ela se importasse com a leitura).

Good Reads (Caitlin) – Quais obstáculos você teve que passar enquanto escrevia, procurava como publicar, etc.? E qual conselho você daria para aqueles que estão batalhando para ser como você – uma autora incrível, que sabe falar e gentil?
Sarah – Antes de mais nada, muito obrigada por suas gentis palavras! Muito fofo da sua parte falar isso.
Em segundo lugar… serei honesta: é uma longa e dura jornada conseguir ter um livro publicado. (E uma longa e dura estrada até depois disso.) Mas isso não é algo impossível, mesmo que pareça ser às vezes.
Comecei a escrever quando era adolescente e escrevi durante todo ensino médio e a faculdade, sempre com o objetivo de ser publicada um dia. E nesses anos, o maior obstáculo que eu encontrava era a negatividade das outras pessoas. Tive professores, amigos, familiares me falando que o que eu escrevia (fantasia) não era uma escrita “real”, que livros de fantasia não valiam a pena, que deveria focar em ter outra carreira, que deveria escrever outras coisas, etc.
Me recusei a escutá-los. Me recusei a me deixar abalar por eles. Me recusei em deixar que eles roubassem a única coisa que trazia (e ainda traz) a real alegria e propósito para mim: escrever.
Então ignorei esse barulho. Porque no final é isso que é toda essa negatividade: barulho.
Foquei em escrever, em me tornar melhor, em me esforçar. Todos. Os. Dias. Mesmo quando senti que ninguém acreditava em mim, eu acreditei.
Então este é meu conselho: acredite em você. Não escute as pessoas que te falam o que você não pode fazer. A única pessoa que pode te fazer parar de escrever é você. Se eu consegui, você também consegue.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

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