terça-feira, 17/10/2017
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Resenha: “A menina que brincava com fogo”, de Stieg Larsson

Livro: A menina que brincava com fogo (#02)
Série: Millennium
Autor(a): Stieg Larsson (Site)
Páginas: 611
Editora: Companhia das Letras
Tradução: Dorothee de Bruchard
Resenha por: Nina
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“Não há inocentes. Apenas diferentes graus de responsabilidade”, raciocina Lisbeth Salander, protagonista de A menina que brincava com fogo, de Stieg Larsson. O autor – um jornalista sueco especializado em desmascarar organizações de extrema direita em seu país – morreu sem presenciar o sucesso de sua premiada saga policial, que já vendeu mais de 10 milhões de exemplares no mundo.

Nada é o que parece ser nas histórias de Larsson. A própria Lisbeth parece uma garota frágil, mas é uma mulher determinada, ardilosa, perita tanto nas artimanhas da ciberpirataria quanto nas táticas do pugilismo, que sabe atacar com precisão quando se vê acuada. Mikael Blomkvist pode parecer apenas um jornalista em busca de um furo, mas no fundo é um investigador obstinado em desenterrar os crimes obscuros da sociedade sueca, sejam os cometidos por repórteres sensacionalistas, sejam os praticados por magistrados corruptos ou ainda aqueles perpetrados por lobos em pele de cordeiro. Um destes, o tutor de Lisbeth, foi mor-to a tiros. Na mesma noite, contudo, dois cordeiros também foram assassinados: um jornalista e uma criminologista que estavam prestes a denunciar uma rede de tráfico de mulheres. A arma usada nos crimes – um Colt 45 Magnum – não só foi a mesma como nela foram encontradas as impressões digitais de Lisbeth. Procurada por triplo homicídio, a moça desaparece. Mikael sabe que ela apenas está esperando o momento certo para provar que não é culpada e fazer justiça a seu modo. Mas ele também sabe que precisa encontrá-la o mais rapidamente possível, pois mesmo uma jovem tão talentosa pode deparar-se com inimigos muito mais formidáveis – e que, se a polícia ou os bandidos a acharem primeiro, o resultado pode ser funesto, para ambos os lados.

A menina que brincava com fogo segue as regras clássicas dos melhores thrillers, aplicando-as a elementos contemporâneos, como as novas tecnologias e os ícones da cultura pop. O resultado é um romance ao mesmo tempo movimentado e sangrento, intrigante e impossível de ser deixado de lado.

ATENÇÃO! Esse livro não é o primeiro da série e a resenha pode conter spoilers! Confira nossas resenhas anteriores dessa série, clicando na capa desejada:

A menina que brincava com fogo é o segundo livro da série Millennium. Você pode conferir a resenha do primeiro livro, Os homens que não amavam as mulheres , aqui.

Acho que na equipe do Livros em Série, somos todas fãs de livros policiais e suspense, e geralmente há um luta para novas resenhas do gênero. O caminho com esse livro foi um pouco diferente, pois a Bruna começou a resenhar e eu pude continuar. Mas nada disso teria acontecido se em um dos nossos amigos secretos, a própria Bruna não tivesse me dado o primeiro volume da série. Mas já chega de historinha! Vamos ao livro!

Um pouco diferente da história do primeiro livro, em A menina que brincava com fogo, o foco principal da história é Lisbeth Salander, a nossa heroína hacker. Mikael Blomkvist também faz parte da história, mas há uma inversão de papéis: enquanto no primeiro livro, Mikael precisa da ajuda de Lisbeth para ser salvo, agora é ele quem precisa salvá-la.

Como visto no final do primeiro livro, Lisbeth deu um golpe muito bem sucedido no arqui-inimigo de Mikael e responsável pela condenação desse último, e agora está milionária. Depois de ter seu coração ligeiramente destroçado pelo mocinho mulherengo, ela resolve dar um tempo, viajando pelo mundo e saindo de sua zona de conforto: ela conhece pessoas, faz leves mudanças na sua postura comportamental e também em sua aparência física.

A parte tensa da trama começa quando a Millennium está preparando seu próximo volume, e sua reportagem principal fala sobre o tráfico de mulheres envolvendo grandes nomes da sociedade, polícia e política sueca. Essa reportagem é toda baseada na tese de doutorado de Mia Bergman e, posteriormente, se tornará um livro, publicado por seu companheiro, Dag Svensson. A história toda promete abalar a Suécia, e Mikael está muito empolgado para publicá-la. No entanto, esses planos acabam sendo adiados, pois Mia e Dag são assassinados.

Coincidentemente, o advogado e tutor de Lisbeth, Nils Bjurman (o porco estuprador do primeiro livro, um verme, na minha humilde opinião), é assinado na mesma noite. Quando a polícia junta A + B, acusa Lisbeth dos três crimes, e ela passa ser a procurada número 1 da Suécia. E para completar o seu azar, ninguém acredita em sua inocência por conta do histórico psiquiátrico – exceto Mikael Bloomkvist, com quem Lisbeth cortou todo tipo de contato.

O que é incrível nesse livro é que, mesmo as 300 primeiras páginas quase não fazendo diferença no final, ainda assim não são entediantes. Você sabe que algo muito tenso está se formando no ar, que uma enorme rede de intrigas e conspirações está se formando, e que as pessoas envolvidas ainda não têm consciência de que algo de tamanha proporção está para cair bem em cima da cabeça delas, e não há como fugir. A história é cheia de pequenos detalhes, que juntos, formam a ideia completa do porque Lisbeth Salander é um tipo que parece desajustado da sociedade, justificando seu modo defensivo.

Eu acho que, de acordo com seu histórico e comportamento, a Lisbeth é um personagem muito complexo e difícil de causar identificação, mas ainda assim, você consegue sentir empatia, mesmo ela dando uma de louca e fazendo umas coisas erradas e ligeiramente (ou não) fora da lei. É um dos meus personagens favoritos de todos os tempos e eu não poderia estar mais ansiosa pelo próximo livro.

Acho que eu poderia encher mais várias e várias linhas com as minhas impressões, de quão fantástico eu acho a construção da narrativa, ou dos personagens e seus encaixes e de como eu não consigo achar um furo na história, mas isso significaria dar muitos e muitos spoilers, e eu não gostaria de atrapalhar essa leitura espetacular para ninguém! Teceremos mais elogios em A Rainha do Castelo de Ar!


Aviso Legal: Esse livro foi adquirido pela própria resenhista.

Sobre Nina Lima

Poderia ser qualquer outra coisa, mas resolveu ser turismóloga e apaixonada pela Inglaterra e pelo McFLY. Leu a trilogia Jogos Vorazes em três dias e amou; considera Harry Potter a melhor série do mundo, adora a escrita da Meg Cabot e topa qualquer YA Book.

Um comentário

  1. minha leitura atual. e só estou lendo porque achei que valeria a pena depois do fim do primeiro livro, que é MUITO irregular pra mim (não na narrativa, nem técnicas). mas ainda estou muito no inicio. tenho esperanças que tenha valido o meu tempo….

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