segunda-feira, 18/12/2017
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Resenha: “Os portões do inferno”, de André Gordirro

Livro: Os portões do inferno (#01)
Série: Lendas de Baldúria
Autor: André Gordirro (@gordirro)
Páginas: 384
Editora: Fábrica231
Tradução:
Resenha por: Bru Fernández
Comprar: Saraiva Submarino Cultura Americanas Amazon

Romance de estreia do jornalista André Gordirro e volume inicial da trilogia Lendas de Baldúria, Os portões do inferno reúne o melhor da fantasia épica: guerreiros, magos, monstros, fortalezas, cenários fabulosos e combates sangrentos. Tendo à frente um improvável time de protagonistas – verdadeiros párias que, por acaso, ganham a chance de salvar o mundo de uma tropa de svaltares, estranhos e temidos elfos das profundezas –, o livro junta referências históricas e bíblicas a alegorias da sociedade contemporânea e um alto teor de cultura pop. Com origem direta no RPG, o livro é um bem-vindo cruzamento entre Os doze condenados e O Senhor dos Anéis de ritmo ágil, cheio de reviravoltas e com senso de humor apurado.

“Planejamento é a arte de evitar problemas.” – p. 105

Chega a ser engraçado como os meus olhos saltam sempre que vejo um livro de autor nacional, seja um livro de estreia ou não, no meio dos lançamentos das editoras. Se for um livro de fantasia então, melhor ainda! Alguns dos meus livros favoritos do gênero são de autores nacionais, então vocês podem imaginar o quanto eu fiquei animada ao ver Os portões do inferno, com um título e uma capa que já chamaram muito a minha atenção, dentre os lançamentos da Fábrica231, selo da editora Rocco. Além disso, o que mais me chamou a atenção foi o texto que vem nas orelhas do livro, afirmando que o grupo de heróis do enredo na verdade se trata de um bando de anti-heróis, mas já vamos chegar lá.

O primeiro livro da trilogia Lendas de Baldúria possui uma narrativa aparentemente simples que acaba se mostrando um tanto quanto complexa. Explico. O início do livro pode ser um tanto quanto confuso pois além de estarmos conhecendo um novo universo, suas raças e regras, também estamos conhecendo as personagens principais, que não são poucas. Os capítulos vão se intercalando entre pares de personagens e confesso que essa primeira parte da leitura foi bem arrastada pra mim. Entretanto, algumas deixas enigmáticas são deixadas ao longo do caminho para mexer com a imaginação do leitor e percebemos então que a rede de conflitos e intrigas é muito mais intrincada do que aparenta ser. Então, de uma hora pra outra, a narrativa engrena e é simplesmente impossível largar o livro.

A base central do enredo conta a história de seis personagens que são reunidas por Ambrosius, o conselheiro do rei, para formar um grupo que deve restabelecer o rei dos anões ao seu trono em Fnyar-Holl. Porém essas personagens estão longe de ser os honrados e nobres heróis com os quais estamos acostumados. Fazem parte do grupo um bardo, Od-lanor; um cavaleiro desertor, Baldur; um arquimago de Korongar, Agnor; um assassino, Kalanhar; um guerreiro com atitudes questionáveis, Derek Blak; e um pequeno ladrão, Kyle. Mais parece uma trupe de circo do que um grupo distinto capaz de salvar o mundo no fim do fia. Porém, é exatamente esse fato que dita o tom do enredo incrivelmente escrito por André: nada, nem ninguém, nesse livro é 100% do que aparenta ser. Nem mesmo a missão da nossa equipe de anti-heróis.

O maior problema a ser enfrentado é a tentativa de abertura dos portões do inferno – que é basicamente o que o nome indica mesmo, um portão para o inferno que dá acesso ao mundo, por onde vis criaturas presas no mundo inferior podem chegar à superfície. Portões esses que, anos atrás, já foram selados pelos heróis Krispinius e Danyanna, que depois da realização de tamanho feito, se tornaram reis de Krispinia. Até hoje são os responsáveis pela segurança do reino e pela garantia de que os demônios nunca mais voltem a andar pela superfície do mundo. Entretanto há um grupo de criaturas disposto a reabrir os portões, os svaltares – uma espécie de elfos que vivem nas profundezas e não podem resistir à luz do dia. Porém algo mudou, pois as criaturas estão viajando por terra até os portões e devem ser parados antes que o pior aconteça.

Mais uma obra de fantasia cuidadosamente escrita que reafirma o que sempre falo em minhas resenhas de livros nacionais: não deixamos nada a dever para a literatura fantástica mundial. Temos excelentes autores e histórias que merecem ser lidas, discutidas e compartilhadas pelo mundo afora.

“Com o tempo, você aprende que mentiras são mais letais do que adagas, venenos e feitiços. Assim que uma pessoa acredita em uma mentira, ela está à mercê do mentiroso.” – p. 308

Em tempo: Se você já leu e gostou de Os portões do inferno, ou se você ainda não se convenceu se irá mesmo gostar do livro, o autor liberou um conto que funciona como um prólogo para a trilogia, Um chamado do inferno, na Amazon. Aproveita que esse é de graça, vou ali ler o meu que eu acabei de baixar ;)


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

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