segunda-feira, 20/11/2017
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Resenha: “Aniquilação”, de Jeff Vandermeer

Livro: Aniquilação (#01)
Série: Comando Sul
Autor: Jeff Vandermeer (@jeffvandermeer)
Páginas: 208
Editora: Intrínseca
Tradução: Braulio Tavares
Resenha por: Bru Fernández
Comprar: Saraiva Submarino Cultura Americanas Amazon

Aniquilação, o primeiro livro da trilogia Comando Sul, apresenta um grupo de quatro mulheres enviadas para a Área X, um lugar incompreensível e isolado do restante do mundo há décadas, onde a natureza tomou para si os últimos vestígios da presença humana. Elas fazem parte da décima segunda expedição ao local, cujos objetivos são explorar o terreno desconhecido, tomar nota de todas as mudanças ambientais, monitorar as relações entre elas próprias e, acima de tudo, não se contaminarem. Uma missão mortal, visto que todas as expedições anteriores tiveram resultados assustadores, como suicídios em massa, tiroteios descontrolados e casos de mudança de personalidade súbita seguidos de morte por câncer. As mulheres partiram para a Área X esperando o inesperado… e foi exatamente isso que encontram.

“Eu lhes diria os nomes das outras três, se isso tivesse alguma importância, mas apenas a topógrafa vai durar mais um ou dois dias. Além disso, nos recomendaram com insistência que não usássemos nossos nomes: ali, deveríamos estar focadas na missão e “tudo que fosse pessoal deveria ser deixado para trás”. Os nomes pertenciam ao lugar de onde viéramos, e não a quem nos tornamos quando transplantadas para a Área X.” – p.13

Me lembro claramente da época de lançamento de Aniquilação no ano passado e que, apesar do título intrigante, foi um título que acabou passando batido por mim. Felizmente. Calma, deixa eu explicar. Felizmente porque agora eu pude emendar a leitura de Aniquilação com a do segundo livro da série, Autoridade. Mas isso é assunto pra outra resenha (que sai na segunda!).

Nem a sinopse conseguiu me preparar para a loucura que é a leitura desse livro. Aniquilação narra a história de um grupo de quatro mulheres – a bióloga (a narradora), a psicóloga, a topógrafa e a antropóloga – que são enviadas para explorar um local denominado de Área X. Mas o que é essa Área X, afinal? Boa pergunta. Quanto a isso há uma mistura de incerteza e confusão e tudo que é revelado para a mídia, no livro, é que essa área parte de uma “catástrofe ambiental localizada” e, por isso, foi isolada. Em outras palavras, uma enorme enrolação. Essa expedição que acompanhamos é apenas mais uma das várias que já investigaram a Área X, e o progresso não parece ser grande. Algumas até implicam mudanças de personalidade nos integrantes, morte por câncer, suicídios…

As personagens não são chamadas pelo seus nomes, apenas por sua função na expedição, conforme mostra o primeiro trecho que destaquei nessa resenha. Foi muito estranho acostumar com isso e é apenas uma das formas que o autor se utilizou para deixar o texto ainda mais estranho e impessoal, causando essa quebra durante a leitura. Ao mesmo tempo que senti essa estranheza, fiquei extremamente curiosa em saber mais. Esse definitivamente é um daqueles livros que a gente simplesmente não consegue deixar de lado. A minha ideia era quebrar a leitura e ler alguma coisa diferente entre os dois livros, mas falhei miseravelmente nessa tentativa, mergulhei de cara em Autoridade assim que terminei de ler esse volume e sei que leria o livro final na sequência, mas ele ainda não saiu por aqui, só em 2016.

Voltando às personagens, o livro todo é narrado pelo olhar da bióloga, que, apesar de ter passado por uma longa seleção para conseguir integrar a nova expedição, tem um motivo maior do que apenas curiosidade científica para adentrar na Área X (não vou comentar o que, apesar de não achar que seja spoiler, algumas pessoas podem achar que é.) O grupo todo é um tanto peculiar, mas a bióloga parece ser ainda mais intrigante do que as companheiras. Seus instintos são mais aguçados que o das outras e seu modo de ver e viver a vida também, e isso acaba refletido na narrativa.

Criei tantas expectativas e teorias na minha mente durante a minha leitura que a comparação com a série de TV Lost foi imediata. Tantos mistérios são apresentados nesse primeiro volume que o meu maior medo ao finalizar a leitura foi o mesmo que tive ao acompanhar Lost: o medo de que os mil mistérios incríveis que são jogados na nossa cara terminem mal explicados ou até mesmo sem explicação nenhuma. Espero que isso não aconteça, pois é uma trilogia que tem um potencial enorme!

Se a minha resenha soou um tanto confusa e desconexa, me desculpem, mas minha cabeça ficou exatamente assim ao final da leitura: um enorme apanhado de ideias e teorias disconexas, tentando achar sentido para coisas que, talvez, não tenham sentido e sejam mais simples do que o leitor pode imaginar, é esperar o último volume (e as próximas resenhas!) pra saber ao certo. Essa é uma história que beira a ficção científica, mas que tem um pezinho no terror – como se o autor fosse uma mistura de Ray Bradbury e Stephen King.

Se você já leu, vamos conversar e compartilhar teorias. Se você não leu ainda, vai comprar seu exemplar e depois volta aqui pra teorizar comigo! Você vai devorar esse livro em menos de dois dias. Vai lá, eu espero. ;)

“Tenho consciência de que toda esta especulação é incompleta, inexata, imprecisa, inútil. Se não tenho respostas verdadeiras é porque ainda não sabemos que perguntas devemos fazer. Nossos instrumentos são inúteis; nossa metodologia, defeituosa; nossas motivações, egoístas.” – p.194


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

2 comentários

  1. Essa é a resenha?

  2. Bru Fernández

    Oi Isa, por algum motivo ficou salvo o rascunho. Já arrumamos!

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