quinta-feira, 25/05/2017
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Resenha: “Autoridade”, de Jeff Vandermeer

Livro: Autoridade (#02)
Série: Comando Sul
Autor: Jeff Vandermeer (@jeffvandermeer)
Páginas: 208
Editora: Intrínseca
Tradução: Braulio Tavares
Resenha por: Bru Fernández
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Por décadas, o único vínculo humano com a Área X — um lugar cercado por uma fronteira invisível, misteriosamente sem vestígios de civilização — foram as expedições monitoradas pelo Comando Sul, uma agência secreta do governo. Após a tumultuada décima segunda expedição, narrada em Aniquilação, a agência acaba imersa em um completo caos. John Rodriguez, conhecido como Controle, é então nomeado diretor.

Apesar dos funcionários desconfiados e desesperados da agência, da frustração dos interrogatórios e anotações que parecem não levar a lugar algum e das horas e horas de registros em vídeo a pesquisar, Controle começa a desvelar os segredos da Área X. Mas, a cada descoberta, ele precisará confrontar verdades perturbadoras sobre si mesmo e sobre a organização para a qual se comprometeu a trabalhar. Em Autoridade, segundo livro da trilogia Comando Sul, as perguntas mais inquietantes sobre a Área X são respondidas. Mas o que se descobre está longe de ser reconfortante…

Jeff VanderMeer surpreende mais uma vez com uma obra impossível de parar de ler. Uma narrativa tensa, que mescla com maestria terror e ficção científica.

ATENÇÃO! Esse livro não é o primeiro da série e a resenha pode conter spoilers! Confira nossas resenhas anteriores dessa série, clicando na capa desejada:

#01 - Aniquilação

“Se alguém ou alguma coisa está tentando enfiar informações na sua cabeça com palavras que você entende, mas com um sentido que não entende, o problema não é que a mensagem está numa frequência que você não capta. É muito pior. Por exemplo, como se a mensagem fosse uma faca e ela produzisse significado cortando carne, e sua cabeça fosse o receptor e você sentisse a ponta da faca sendo enfiada repetidamente dentro da sua orelha…” – p. 121

Que felicidade e alívio foi ter Autoridade em mãos assim que eu terminei de ler o primeiro livro dessa perturbada trilogia. Tinha medo de acabar confundindo a história na minha cabeça na hora de escrever as resenhas, mas a diferença entre os dois é bem marcada e, apesar de também trazer mais dúvidas, o segundo livro da série também nos apresenta algumas “respostas”.

Em Aniquilação somos introduzidos à peculiar Área X e à décima segunda expedição formada por quatro mulheres que foi designada para explorar essa área. Acompanhamos todas as bizarrices e mortes que acontecem a essas mulheres pelos olhos da bióloga, passando a maior parte da nossa leitura dentro da Área X. Já em Autoridade, acontece o contrário, o ambiente em a história se passa é o quartel general do Comando Sul, uma agência secreta do governo, próximo à barreira fronteiriça – e invisível – da Área X com o nosso mundo.

O personagem principal da vez é John Rodriguez, ou, seguindo a lógica a série de se desapegar de nomes, Controle. Ele está no Comando Sul como diretor, para tentar consertar tudo o que há de errado, desde o fracasso da tumultuada última expedição (a de Aniquilação). Mas não vá achando que só porque estamos do outro lado da fronteira as coisas serão menos esquisitas. Os funcionários do Comando Sul são bem peculiares e desconfiados. Alguns diálogos chegam a beirar o desespero e a insanidade. A posição de Controle dá a ele acesso a horas de vídeos registrados na Área X, diários e relatórios, todos ao mesmo tempo reveladores e inúteis, e com essa personagem o autor guia seus leitores através de inquietantes verdades sobre a Área X, no melhor estilo “Tem certeza que você quer saber?”.

No início da minha resenha mencionei que Autoridade nos traz algumas “respostas”. Coloquei a palavra entre aspas porque nenhuma resposta é dada diretamente, dando espaços enormes para infinitas especulações e teorias. Esse é exatamente esse um dos traços desse tipo de literatura que foi nomeado de New Weird: ser especulativo, misturando terror com ficção científica. Esse volume é, com certeza, muito mais obscuro, denso, envolvente e tenso do que o primeiro.

Um arrependimento: não ter o terceiro livro, Aceitação, em mãos para fechar a minha maratona Comando Sul com chave de ouro. O terceiro e último livro da série deve provavelmente ser lançado em 2016 pela Intrínseca.

Um medo: exatamente o mesmo da última resenha, com essa vibe “Lost” dos livros, meu maior medo é ficar com um desfecho sem pé nem cabeça e/ou com mil dúvidas sem explicação. Mas gosto de acreditar que o volume final será ainda mais instigante e perturbados que seus antecessores. Falta muito para o lançamento?

“- Somos obsoletos? Acho que não. Mas não pergunte a opinião do exército. Um círculo olha para um quadrado e tudo que vê é um círculo mal desenhado.” – p. 133


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

3 comentários

  1. Estou ainda no primeiro 1/3 do livro de Autoridade e estou achando instigante, com aquele gostinho de “Lost”… Ao mesmo tempo que gosto deste estilo, eu tenho o mesmo receio que você: mistérios mal resolvidos, pouco explicados. Se ao menos continuar com essas respostas “especulativas”, já fico até satisfeito, entendo que é o estilo do autor, desse tipo de literatura. Ansioso já pelo próximo, mesmo sem ter terminado esse!

  2. Eu gostei muito do primeiro livro. Sou bióloga e me identifiquei bastante com a protagonista. Há muita semelhança nos sentimentos e pensamentos acerca da profissão. Cheguei até a pensar que o autor também fosse biólogo!
    Vim ler a sinopse de “Autoridade” e me decepcionei pela troca do protagonista. Fiquei na esperança da bióloga continuar sua narrativa, desvendando a área x sobre a acurácia do olhar de um especialista em meio ambiente. Criei um roteiro da história em minha cabeça… ainda tenho esperança que a trilogia continue envolvente e seguindo a linha proposta pelo primeiro livro.

  3. Oi Karina, obrigada por seu comentário! Muito interessante saber que a bióloga realmente representa a classe no livro! Mas não desanime pela mudança de personagem principal, a bióloga é uma grande parte do enredo, vc pode se surpreender com a trajetória dela – e do enredo como todo! Depois vem contar pra gente o que vc achou dos outros livros ;)

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