sábado, 14/10/2017
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Resenha: “Twist”, de Tom Grass

Livro: Twist
Autor: Tom Grass (@T_Grrr)
Páginas: 288
Editora: Agir Now
Tradução: Mariana Kohnert
Resenha por: Bru Fernández
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Como seria a vida de Oliver Twist se ele fosse um menino órfão em pleno século XXI? Recém-fugido de uma instituição para jovens criminosos aos 18 anos, Oliver é apaixonado por arte. Dotado de uma memória incrível, passa seus dias recriando de cabeça quadros famosos nos muros de Londres enquanto sonha em estudar artes plásticas. Porém, seus talentos chamam a atenção de Fagin e sua gangue de ladrões, que possuem outros planos para Twist…

“— Sabe qual é o problema com grafite? (…) É que não dá pra movê-lo. Qual é o objetivo da arte se não se pode vendê-la?
(..)
— Essa é a questão, (…) pertence a todos.” – p. 104

Twist é uma história baseada no clássico de Charles Dickens, Oliver Twist, publicado pela primeira vez em 1837, em três volumes. Depois de a história original ganhar inúmeras adaptações para o cinema chegou a vez da história receber uma nova roupagem e ser adaptada para o século 21. Nada melhor do que tornar o jovem inocente garoto de rua em um jovem talvez não tão inocente de rua, com memória fotográfica e que é uma lenda do grafite e desenha como ninguém?

A narrativa começa mostrando um ladrão em fuga chamado Harry, tentando retornar para a gangue. Confesso, foi um pouco confuso pra mim pois não lidamos com o personagem Twist logo de cara. Então somos apresentados a Red, uma bela garota, extremamente inteligente, ágil e atlética. Ela acaba se complicando quando acidentalmente entra no mundo da prostituição se envolvendo com a máfia russa. Entra em cena então o valentão Bill Sykes que consegue um acordo para livrar Red: a gangue irá roubar algumas raras obras de arte para os russos. Assim, em poucos capítulos toda a trama do enredo é rapidamente formada.

A base da história é basicamente a mesma: Oliver Twist é um garoto órfão que acaba se metendo em encrencas e caindo no meio de uma gangue. Na versão antiga é uma gangue de batedores de carteira, na versão nova temos algo mais sofisticado: a gangue organiza incríveis assaltos de maior porte. As personagens também reaparecem, algumas repaginadas como por exemplo Fagin, apelidado de FBoss nessa nova versão, o líder da gangue na qual Oliver acaba ligado — na história antiga ele é um judeu mesquinho, na versão nova ele é um romeno beberrão e um pouco mais amável. Outras personagens ganham novos nomes e apelidos, mas que ainda remetem às personagens como Dodge (Artful Dodger, no original), Batesy (Charley Bates) e Red (Nancy), e também tiveram suas personalidades reescritas em alguns pontos.

Tom Grass criou um Twist – um pouco mais velho – com uma índole tão boa quanto a do original, mas temos nessa narrativa um garoto muito mais astuto, que conta apenas com a sua imaginação para conseguir se desvencilhar dos obstáculos que surgem no caminho de seus sonhos e torna-se dono do seu destino e da sua vida. Impossível não torcer pelo jovem ao longo da história. Apesar de ter um enredo cheio de ação e reviravoltas geniais dignas de Onze homens e um segredo, achei a escrita do autor lenta, como se as frases ficassem arrastadas, tornando a leitura mais lenta. Isso me desanimou um pouco, mas as personagens são tão carismáticas que conseguiram compensar. Twist é uma história complexa, inteligente e emocionante, indicada para todas as idades.

“Conforme prosseguir na vida, surgirá um imenso abismo. Pule, não será tão grande quanto parece.” – p. 119


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

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