quarta-feira, 18/10/2017
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Resenha: “A rainha do castelo de ar”, de Stieg Larsson

Livro: A rainha do castelo de ar (#03)
Série: Millennium
Autor: Stieg Larsson
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 688
Tradução: Dorothée de Bruchard
Resenha por: Nina
Comprar: Saraiva Submarino Cultura Americanas Amazon

Com mais de 15 milhões de exemplares vendidos no mundo, a trilogia Millennium é uma das mais bem-sucedidas séries policiais dos últimos anos, e já conta com uma versão cinematográfica, prevista para estrear no Brasil ainda este ano. Quer seja tratando da violência contra as mulheres, quer seja enfocando os crimes cometidos por magnatas ou pelo Estado, a saga cumpre sua principal missão: a de nos envolver numa leitura absorvente, cheia de mistérios. Neste terceiro e último volume da série, Lisbeth Salander se recupera, num hospital, de ferimentos que quase lhe tiraram a vida, enquanto Mikael Blomkvist procura conduzir uma investigação paralela que prove a inocência de sua amiga, acusada de vários crimes. Mas a jovem não fica parada, e muito mais do que uma chance para defender-se, ela quer uma oportunidade para dar o troco. E agora conta com excelentes aliados. Além de Mikael, jornalista investigativo que já desbaratou esquemas fraudulentos e solucionou crimes escabrosos, no mesmo front estão Annika Giannini, advogada especializada em defender mulheres vítimas de violência, e o inspetor Jan Bublanski, que segue sua própria linha investigativa, na contramão da promotoria. Com a ajuda deles, Lisbeth está muito perto de desmantelar um plano sórdido que durante anos se articulou nos subterrâneos do Estado sueco, um complô em cujo centro está um perigoso espião russo que ela já tentou matar. Duas vezes. A rainha do castelo de ar enfoca de modo original as mazelas da sociedade atual, tendo conquistado um lugar único dentro da literatura policial contemporânea.

ATENÇÃO! Esse livro não é o primeiro da série e a resenha pode conter spoilers! Confira nossas resenhas anteriores dessa série, clicando na capa desejada:

Depois do final empolgante de A menina que brincava com fogo, foi impossível começar a ler o terceiro volume da série um pouco tensa. Com a hospitalização de Lisbeth, as acusações contra a nossa “mocinha às avessas” formam uma lista enorme – e cabe a Mikael Blomkvist encontrar as provas necessárias para inocentá-la.

A trama toda começa no momento em que Mikael, ou Super Blomkvist, vai ao resgate de Lisbeth, que além de ter tomado um tiro, foi enterrada viva pelo capanga de seu pai, Ronald Niedermann. A situação vai ficando cada vez mais complicada, quando o serviço secreto sueco tenta abafar o caso e ainda colocar mais uma acusação na lista de Lisbeth. Sabendo da verdade, Mikael praticamente sai em busca da polícia para ensiná-los a fazer seu trabalho, mas como sempre, há mecanismos por trás das forças que deveriam garantir a justiça que acabam atrasando ou distorcendo tudo. Com isso, ele vai atrás da redação da Millennium para conduzirem uma investigação que vai tentar livrar a cara de Lisbeth dos anos atrás das grades numa clínica psiquiátrica.

Eu nem consigo começar a fazer uma avaliação desse livro, porque odeio falar dos livros que eu gosto demais, mas vamos lá.

Existe uma parte ruim de falar dos personagens da continuação de um livro, porque os principais estão bem consolidados e os sentimentos em relação a eles já foi sendo construídos nos volumes anteriores, mas vamos combinar que é sempre bom ressaltar o quão bom e bem escrito é aquele seu personagem favorito. Apesar de ser um livro de ficção, a série Millennium é completamente crível e viável. Os personagens, todos, tem qualidades e defeitos, assim como na vida real. Muito embora seja uma pessoa de boa índole, na maioria das vezes, Lisbeth tem um conceito próprio de justiça, e não tem medo de fazer isso com as próprias mãos. É uma pessoa que fica feliz (apesar de não demonstrar), triste, sofre e celebra vitórias, assim como eu ou você. Mas como um ser humano qualquer, tem suas falhas. O mesmo vale para Mikael, uma pessoa que é essencialmente boa, contudo tem uma leve falha no caráter, quando se trata de romances.

“Sentiu que uma sombra gelada percorria a sala, mas interpretou-a como um sinal de medo e vergonha da paciente por trás daquela fachada impassível. Entendeu-a como uma indicação positiva de que, apesar de tudo, ela reagia à presença dele. Também estava satisfeito de o comportamento dela não haver mudado. Ela vai sabotar a si mesma no tribunal.” – p. 213

Eu amo o jeito como Stieg Larsson conduziu a escrita da série, dando aquela enrolada no início, esmiuçando a história, compartilhando detalhes e, aos poucos, aumentando o ritmo até virar uma locomotiva sem controle e sem freio que conduz ao desfecho mais surpreendente e inimaginável possível. Eu gosto da construção do enredo, onde um detalhe que antes parecia tão desimportante, lá na frente vira uma peça fundamental pra fechar o quebra cabeça. E não dá pra não absorer a leitura, nos seus muitos detalhes, porque é aí que mora a graça da história.

O livro em si apresenta um trabalho editorial simples e funcional, combinam bem com o estilo da história e ajudam na fluidez.

Quando faltavam cerca de umas 30 páginas para o final do livro, começou a me bater uma depressão, uma tristeza tão profunda de saber que aquela história estava chegando ao fim… Quando uma série que você gosta muito chega ao final, te dá uma sensação de vazio, como se você fosse se despedir de um amigo muito querido, que vai passar muito tempo fora. É claro que no caso da série Millennium, essa não é uma verdade absoluta. Bem quando eu estava finalizando a leitura de A rainha do castelo de ar, a Companhia das Letras anunciou a publicação de A garota na teia de aranha, que é uma continuação dos casos de Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist, dessa vez sob o comando de David Lagervrantz. Em breve, vamos matar saudades! E vai ter resenha aqui! Aguardem!


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Nina Lima

Poderia ser qualquer outra coisa, mas resolveu ser turismóloga e apaixonada pela Inglaterra e pelo McFLY. Leu a trilogia Jogos Vorazes em três dias e amou; considera Harry Potter a melhor série do mundo, adora a escrita da Meg Cabot e topa qualquer YA Book.

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