terça-feira, 24/01/2017
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Resenha: “Amor e memória”, de Ayelet Waldman

Livro: Amor e memória
Autor: Ayelet Waldman (@ayeletw)
Editora: Casa da Palavra
Páginas: 400
Tradução: Debora Fleck
Resenha por: Lais
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Em 1945, na Áustria, os vitoriosos soldados americanos capturam um trem repleto de riquezas indescritíveis – objetos que haviam sido confiscados dos judeus pelos nazistas. Entre os tesouros estão pilhas de relógios de ouro; montanhas de casacos de pele; porta-retratos de prata; castiças de Shabat e heranças de família repassadas por gerações. Encarregada de devolver a joia à mulher da foto, Natalie deve mergulhar num submundo sombrio de negociantes de arte para descobrir a história por trás do medalhão. Mas se surpreende ao aprender sobre a vida fascinante de uma mulher feminista que lutou pelo direito de voto no final do século XIX em Budapeste. Uma história de personagens brilhantes, Amor e memória é o melhor romance de Ayelet Waldman: uma obra ricamente detalhada que levanta questões delicadas sobre o valor das lembranças em um momento em que a própria vida parece sem valor e sobre as correntes invisíveis que nos prendem aos sofrimentos e às paixões do passado.

“Já fui como você. Vivia num mundo coberto por um véu, uma trama de mentiras onde coisas como o amor importavam. E, de repente, tudo desmoronou. Foi tudo estraçalhado, rompido, destruído.” – p. 151

Esse é um livro difícil de resenhar. Pra começar, são várias histórias sendo contadas. A de Jack na Europa pós-guerra e a de Natalie nos tempos atuais (e no final uma mais). Eu imagino que deve ter sido complicado amarrar tudo junto e ao mesmo tempo nos deixar interessados em tudo que estava acontecendo, mas pra mim funcionou lindamente.

As personagens que Waldman criou são deliciosas, com camadas de complexidade e realidade, tudo que você quer ver num bom livro. Eu sofri intensamente com o romance de Jack e Ilona ao mesmo tempo que achava que o Jack estava sendo um cego em relação à realidade dela. Me apaixonei pela Natalie em poucos parágrafos também. Ambos funcionam muito bem como protagonistas e são de certa forma bem parecidos.

Uma coisa que me encantou muito foi a atenção aos detalhes, as personagens secundárias tem histórias e desenvolvimentos e personalidades, não estão ali simplesmente para ajudar e/ou motivar as personagens principais. Na verdade as personagens principais são quase que observadores das histórias dos outros, simplesmente testemunhas das mudanças e da história. Principalmente Jack, tenho que dizer. Foi algo diferente de ler.

Amor e Memória é um livro lindo, mas lento e bem pesado. Várias vezes parei na história porque a realidade e o peso da história (fictícia e real) estavam um pouco demais pra mim naquele momento. Mas achei um tratamento bem respeitoso ao relatar tudo que os judeus húngaros sofreram na Segunda Guerra Mundial. E uma visão de mundo bem realista ao mostrar o anti-semitismo pré e pós guerra.

Não teria como fazer essa resenha sem falar um pouco sobre a última parte do livro. Mas ela contém um pouco de spoilers da trama principal das primeiras partes. Então esse é o seu aviso para parar!

Eu fiquei apaixonada por Nina e Gizella, que mulheres incríveis e lutadoras e inspiradoras. Eu quase fiquei tonta de tanto girar os olhos com os (pre)conceitos médicos e sociais da época que elas viviam, mas a energia e a determinação das duas aos lutar contra isso me deixava muito feliz. Porque sei que mulheres como elas existiram e que devo muito a elas todas. Queria uma máquina do tempo para ver o Congresso Sufragista de Budapeste (estou pesquisando tentando ver se realmente existiu).

Então se você gosta de livros históricos semi-fictícios, romance, mistério, investigações, recomendo com muita força a leitura de Amor e Memória.


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Lais

Uma biomédica que ama livros, cupcakes e gatinhos. Pottermaníaca confessa, divide seu tempo entre internet, séries, cozinhar doces, eventuais atividades de geneticista e ficar espiando pelo canto do olho se sua carta de Hogwarts finalmente chegou.

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