sexta-feira, 20/10/2017
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Resenha: “Histeria”, de Katherine Howe

Livro: Histeria
Autor: Katherine Howe (@katherinebhowe)
Editora: Globo Alt
Páginas: 392
Tradução: Bruno Alexander
Resenha por: Monique Marie
Comprar: Cultura Amazon

Histeria narra os estranhos eventos envolvendo uma misteriosa epidemia que afeta as alunas do Ensino Médio na cidade de Danvers, Massachusetts. Subitamente, meninas à espera do resultado das universidades apresentam sintomas estranhos – convulsões, crises de tosse e queda de cabelo –, o que espalha pânico e dá início a especulações na St. Joan Academy. Reação alérgica à vacina contra HPV, poluição ambiental, estresse coletivo… Ou elas estariam apenas fingindo?

É quando uma das estudantes percebe semelhanças entre o que acontece com suas amigas e algo que ocorreu há mais de 300 anos: o julgamento das Bruxas de Salem, episódio no qual 20 pessoas foram condenadas à morte por praticar feitiçaria. Fazendo uma atividade complementar, Colleen Rowley precisa ler os relatos da época e começa a notar que talvez exista mais por trás da doença misteriosa que aflige suas colegas.

Katherine Howe se inspirou no episódio real que aconteceu em 2012 em Le Roy, em Nova York, quando meninas do Ensino Médio começaram a ter distúrbios inexplicáveis. Na época, a autora trabalhava a peça As bruxas de Salem, de Arthur Miller, na faculdade em que lecionava. As semelhanças entre os dois casos fizeram com que Howe intercalasse capítulos narrados por Colleen, em 2012, e Ann, uma das garotas suspeitas de estar envolvidas com feitiçaria, em 1706.

Com doses de suspense, história e inquietação adolescente, a autora constrói uma trama que cativa o leitor, criando uma atmosfera tensa e misteriosa. Ao mesmo tempo, Howe retrata com fidelidade o clima de extrema competitividade acadêmica e mostra como os sentimentos podem se revelar de maneiras misteriosas.

“- Fui criado para acreditar primeiro em Deus, depois na ciência. Não acredito em superstições e contos da carochinha, que afastam as pessoas da verdade.” – Interlúdio – Vilarejo de Salem, Massachusetts, 30 de maio de 1706

Tudo que é relacionado a bruxas me encanta, principalmente as histórias que tem um pé no lado da veracidade. Acredito que eu e mais milhões de pessoas sofremos desse amor pela história de Salem, então esse livro me parecia mais que interessante. Sim e não.

Sim, porque Howe estudou o caso de Salem e o de Nova Iorque, fazendo uma história que dá vontade de continuar a leitura, você sempre tem a impressão de algo muito grande está prestes a acontecer. Aí está o não, a história cresce tanto mas não tem esse ponto alto que você acha que a autora escreveu em algum momento. Isso não faz de Histeria um livro ruim, de forma alguma, é apenas um sentimento que fiquei ao ler, parece que faltou um pedaço da história.

O resumo da história está na sinopse, qualquer palavra extra é spoiler, não tem jeito. A autora criou duas histórias que se ligam, a de Colleen que é dos dias atuais (2012) e a de Ann que fez parte da famosa história de Salem em 1706. As duas narrativas são completamente diferentes, apesar de ambas serem jovens a autora teve o cuidado de mostrar a diferença de costumes e linguagens de seus tempos. Minha nota da escrita é alta por conta da parte narrada por Ann, não deve ser fácil escrever sobre alguém que provavelmente fez parte de atos de bruxaria, que fala a todo momento sobre o perdão de Deus e que resolve contar sua história a um reverendo, existe uma técnica para que essa leitura não fique massante e a autora foi incrível em cada capítulo datado de 1706.

Se fosse apenas pela narrativa de Colleen eu não daria uma nota alta, entendo que hoje usamos muitas gírias e vivemos em mundo completamente diferentes, essa diferenciação de tempo/espaço é perfeitamente descrita mas devemos lembrar que Colleen não é uma pré-adolescente de 13 anos e sim uma menina de 17 anos que está no último ano do colegial se preparando para entrevistas de Universidades, portanto não acho que cabe uma narrativa um tanto quanto boba por parte dela, em momentos até infantil. No fundo Colleen é uma personagem que não causou empatia em mim, fiquei muito mais interessada em saber o que ela descobriria sobre a peça de Salem e quais segredos as pessoas próximas escondiam, principalmente Emma e o Sr. Mitchell.

O livro foi uma cortesia da editora enviado em e-book e quero deixar registrado que a diagramação está perfeita para a leitura e que eles tomaram cuidado até nas partes onde as frases são mais claras em começos de capítulos. Globo Alt não deixa a desejar em qualquer formato!

Como citei no começo, a história tem sim seu desfecho, mas ela deixa um algo a desejar no ar. Leiam para saber o que Colleen e Ann tem em “comum” e para saber se os acontecimentos estranhos poderiam ter ligação com algo sobrenatural. Para quem gosta do tema é uma leitura que eu recomendo (e adoraria que tivesse mais!).


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Monique Marie

Publicitária frustrada com o pouco dinheiro da área e admiradora de tudo que envolve a política. Gosta de seriados que tenham serial killers, filmes infantis, fanática por futebol e F1, além de tentar competir com o Dr. Reid (Criminal Minds) quem lê mais rápido. Geralmente não gosta de ler o que está "na moda", adora indicações e ainda acredita que muitos livros se vendem pela capa. Não se separa de seu amigo rivotril e escreve no mínimo um texto por dia.

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