segunda-feira, 18/12/2017
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Resenha: “Assassinato no campo de golfe”, de Agatha Christie

Livro: Assassinato no campo de golfe (#02)
Série: Hercule Poirot
Autor: Agatha Christie (Curtir)
Editora: Globo Livros
Páginas: 296
Tradução: Ive Brunelli
Resenha por: Bru Fernández
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Monsieur Hercule Poirot recebe uma misteriosa carta de um milionário sul-americano, monsieur Renauld, dizendo precisar dos serviços de um detetive e pedindo sua ajuda. A carta não dá detalhes do caso, nem informa exatamente o que está perturbando monsieur Renauld, só menciona que sua vida está em perigo. Imediatamente Poirot, seguido de seu assistente, o inseparável Hastings, parte para Merlinville-sur-Mer, uma pequena cidade no litoral francês onde reside o milionário. Porém, ao chegarem à casa de monsieur Renauld, descobrem que ele foi assassinado naquela noite, em um crime brutal: Renauld fora apunhalado pelas costas, estirado ao lado de uma cova no campo de golfe da propriedade.

Quem teria motivos para assassinar monsieur Renauld? Por que Poirot tem a estranha sensação de que muitas coisas lhe são familiares neste caso? Monsieur Renauld tem ou não tem uma amante? As provas não se encaixam, os testemunhos são contraditórios e Poirot tem algo a mais com que se preocupar: a presença de Giraud, um famoso detetive francês da Sûreté de Paris, que também acompanha o caso e tem sérias divergências quanto aos métodos empregados por Poirot.

Em um dos mais complicados casos que já investigou, Poirot irá usar toda sua argúcia e suas “células cinzentas” para descobrir quem assassinou monsieur Renauld e desvendar todas as complexas circunstâncias desta ardilosa trama na qual, além do assassino, o amor também se revela.

ATENÇÃO! Esse livro não é o primeiro da série! Confira nossas resenhas anteriores dessa série, clicando na capa desejada:

“O verdadeiro trabalho é feito aqui dentro. Com as pequenas células cinzentas… jamais se esqueça das pequenas células cinzentas, mon ami!”

Ah, Hercule Poirot, mon ami! Que saudades que eu estava de ler (nesse caso, reler) um bom romance da Rainha do Crime com um dos meus detetives favoritos. Antes de me atolar com livros cortesia desse ano consegui tirar uns dias para poder ler um dos casos incríveis do detetive belga. Já tinha lido esse volume, porém foi há tantos anos que a surpresa do desfecho foi a mesma de quando o li pela primeira vez.

Assassinato no campo de golfe é o segundo livro de Agatha Christie em que Poirot aparece, ao lado de seu amigo e narrador Hastings. O trabalho do detetive anda monótono já que os únicos mistérios que ele tem para resolver são casos de sumiços de gatos de mulheres milionárias. Até que chega uma carta um tanto quanto misteriosa de um tal Paul Renauld, requisitando a presença urgente de Poirot em Merlinville, França, pois ele acredita que corre perigo iminente de ser assassinado. Intrigado, Poirot segue viagem imediatamente. Porém, ele chega tarde demais. Mas isso não impede o peculiar detetive de honrar o pedido e investigar o caso.

Não é à toa que Christie é conhecida como a Rainha do Crime. Seus enredos são sempre um enorme emanharado de personagens, fatos e detalhes que vão sendo revelados aos poucos e então vão formando a imagem do quebra-cabeças, ou no caso, a reconstrução do crime. No final, Poirot sempre faz a resolução parecer óbvia e simples, mas eu nunca consigo deslindar a verdade sobre seus casos, talvez por ficar tão envolvida na minha leitura e querer devorar as páginas para chegar ao final logo e não parar para analisar as pistas deixadas pela autora. Pistas essas, aliás, que são todas amarradas no final. Nunca pense que um comentário ou indagação do detetive belga é feito apenas para preencher diálogos. Todos os questionamentos que ele faz são importantes para a revelação final, até mesmo uma simples observação.

“— Por que mediu aquele sobretudo? — perguntei, com alguma curiosidade, enquanto caminhávamos pela estrada muito quente.
— Parbleu! Para ver qual era o comprimento! — respondeu meu amigo, imperturbável.”

Mas os livros da ranha não são feitos apenas de mistérios, existe sempre algum alívio cômico, e eles geralmete vêm dos próprios protagonistas (no caso Poirot, mas isso também acontece com Miss Marple). Nesse volume em específico a disputa de conhecimentos entre Poirot e Giraud, um famoso, jovem e desdenhoso detetive da Sûreté de Paris traz esse tom cômico. O mais jovem faz pouco caso dos métodos de Poirot, considerado por ele arcaicos, e confia – até demais – na sua “tecnologia” e busca minuciosa de provas minúsculas, ignorando muitos muitos que podem ser cruciais para o desfecho do caso. É uma guerra entre força “bruta” e intelecto/método impecável.

Durante a minha leitura, não conseguia imaginar quem seria o verdadeiro culpado, desconfiei o tempo todo de tudo e de todos, ao mesmo tempo que nenhuma das personagens se encaixava 100% nas pistas deixadas. Para um leitor que ainda não conhece a autora bem, pode parecer que a solução de Assassinato no campo de golfe seja apresentada de forma rápida e óbvia, mas acontece que além de rainha do crime, Agatha é a rainha das reviravoltas. Nenhum assunto está completamente elucidado e resolvido até o ponto final da narrativa.

“Método, entende, mon ami? É tudo uma questão de método. Ponha os fatos em ordem. Ponha as suas próprias ideias em ordem. E se algum pequeno fato por acaso não se ajustar… ao invés de descartá-lo, examine-o ainda mais atentamente. Embora o significado dele possa lhe escapar o momento, fique certo de que é importante.”


Aviso Legal: Esse livro foi adquirido pela própria resenhista.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

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