domingo, 23/07/2017
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Resenha: “Sangue na neve”, de Jo Nesbø

Livro: Sangue na neve (#01)
Série: Sangue na neve
Autor: Jo Nesbø (@RealMrJoNesbo)
Editora: Record
Páginas: 154
Tradução: Gustavo Mesquita
Resenha por: Bru Fernández
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O mestre do thriller escandinavo está de volta. Olav tem apenas um talento: matar pessoas a sangue-frio. Não há nada que ele preze mais que ter o poder sobre a vida e a morte. Porém, sua natureza sensível é proporcional às suas habilidades como matador de aluguel. Uma vez tentou roubar bancos, mas não deu certo – ele se sentiu tão culpado que foi visitar uma das vítimas no hospital. Agenciar mulheres para prostituição, idem – Olav se apaixona muito fácil. O assassinato foi tudo que lhe restou.

Ele leva uma vida solitária em Oslo até se ver envolvido em um trabalho importante para um dos mais perigosos chefes do crime organizado na cidade, Daniel Hoffman. Ao aceitá-lo, Olav finalmente conhece a mulher da sua vida, mas logo se depara com dois problemas. O primeiro é que ela é a esposa do chefe. E o segundo é que ele foi contratado para matá-la.

O mais curioso com esse livro é que eu tenho outros dois livros do autor norueguês em casa há algum tempo e que acabaram ficando para trás na pilha eterna de leitura. Entretanto quanto fui até a livraria procurar um presente, topei com Sangue na neve e no mesmo instante soube que tinha que levar ele pra casa. Mas ao contrário dos outros, ele logo entrou na minha lista de leituras. Só posso dizer que me arrependo de não ter lido as outras obras de Jo Nesbø antes, espero conseguir mais alguma ainda esse ano!

Mas voltando a Sangue na neve. O livro é narrado pelo personagem principal, o assassino de aluguel Olav, que afirma seguir essa carreira porque não é bom para nada além disso. Depois de tentar trabalhar em vários ramos da criminalidade – e ter falhado miseravelmente – Olav descobre a sua vocação: matador de aluguel. Ele se torna o assassino de um traficante de heroína em Oslo, Hoffmann, é pago por um trabalho de cada vez, “apagando” as pessoas indicadas por ele. Até que um dia o pedido de execução de Hoffmann pega o assassino de surpresa e já começa a imaginar que alguma coisa vai dar errado e que esse pode ser o fim de sua carreira.

Olav tem tudo para ser o antagonista, mas sua personagem é cativante. Com seu humor seco e direto, Olav conta sua história ao longo da narrativa sobre sua infância difícil com a família, sua a dislexia e, consequentemente, sua dificuldade de aprender as coisas. Isso o torna o assassino frio mais humano ao olhar do leitor. Olav é um assassino com um grande coração e uma imaginação ainda maior. Uma de suas características mais marcantes é imaginar histórias, segundo ele, culpa da sua dislexia. E o seu maior erro é acreditar piamente nas suas suposições, que são sempre tomadas como a mais pura verdade.

“Enfim. Para resumir, coloquemos dessa forma: não sou bom em dirigir devagar, sou muito sentimental, me apaixono fácil demais, perco a cabeça quando me irrito e sou ruim em matemática. Li alguns livros, mas não sei grande coisa, e certamente nada que ninguém ache útil.”

Apesar de ter um pouco mais de 150 páginas, a história é um thriller psicológico bem denso e esse foi o maior feito do autor em Sangue na neve! Depois de terminar a leitura fiquei por um bom tempo pensando sobre o desfecho da narrativa e questionando todos seus ângulos. Não apenas o final, mas a leitura como um todo foi um tanto quanto inesperada, de um jeito positivo. Jo Nesbo reafirma a incrível qualidade da literatura policial nórdica; se você gosta do gênero, precisa ler esse livro.

“Quando acordei no quinto dia já tinha me decidido. Eu queria testar o atalho para o lugar que não sabíamos existir.”


Aviso Legal: Esse livro foi adquirido pela própria resenhista.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

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