quinta-feira, 12/10/2017
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Resenha: “Vivian contra a América”, de Katie Coyle

Livro: Vivian contra a América (#02)
Série: Vivian Apple
Autor: Katie Coyle (@krcoyle)
Editora: Agir Now
Páginas: 224
Tradução: Flora Pinheiro
Resenha por: Bruna Fernández
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Vivian Apple tem um currículo surpreendentemente variado. Aos 17 anos, passou de boa moça estudiosa a revolucionária procurada, atravessou os Estados Unidos de carro com os amigos, lutou contra um bando de adolescentes doutrinados, encontrou uma irmã que nem sabia que existia e descobriu segredos sombrios sobre um culto que dominou a América. O próximo passo? Tentar determinar o paradeiro de Peter, seu meio-que-namorado, antes que o mundo acabe (de novo), em três meses.

Perdidas em São Francisco, perseguidas por grupos religiosos e caçadores de recompensa e enfrentando uma sociedade cada vez mais próxima do colapso, Vivian e Harp estão em perigo e nem sabem por onde começar a busca por Peter. Até que uma pista as leva a Los Angeles, para o hotel Chateu Marmont, o improvável quartel-general da Igreja Americana, onde supostamente grandes nomes esperam pelo fim do mundo. Parece que Vivian precisa salvar o país, seus amigos e a si mesma, ou arriscar perder tudo que ama mais uma vez.

Vivian, Harp, Peter e seus amigos são retratos de uma geração que tenta encontrar seu lugar num mundo que parece enlouquecer. Idealistas e ao mesmo tempo pé no chão, não vão parar por nada até descobrir a verdade nesta continuação de Vivian contra o apocalipse. Com personagens bem-construídos, diversos e apaixonantes, e uma trama cheia de ação e reviravoltas, Vivian contra a América é uma maravilhosa adição a qualquer biblioteca, que vai fazer você questionar tudo, até suas próprias crenças e convicções.

ATENÇÃO! Esse livro não é o primeiro da série e a resenha pode conter spoilers! Confira nossas resenhas anteriores dessa série, clicando na capa desejada:

#01 - Vivian contra o apocalipse

“Não importa se vai demorar três meses ou trezentos anos, o fim com certeza vai chegar.”

Pouco menos de um ano depois de a editora Agir Now surgir no mercado editorial e estrear no mercado com o incrível Vivian contra o apocalipse, chega em todas as livrarias do país – e em minhas mãos! – o segundo e, por enquanto*, último livro da duologia, Vivian contra a América. (*Por enquanto porque a autora já afirmou que sempre pensou na história como uma duologia, mas não descarta a possibilidade de voltar a esse universo no futuro!)

Vivian contra a América começa exatamente de onde o primeiro livro acabou. Depois de descobrir que sua mãe está viva, discutir com ela, e também que tem uma irmã mais velha, Vivian e Harp decidem ir embora dali. A regra dessa duologia é simples, se você gostou pelo menos um pouquinho do primeiro livro, vai gostar com certeza do segundo, afinal eles tem mais ou menos o mesmo enredo, o segundo só é melhor desenvolvido. Por exemplo, nesse segundo volume as coisas ficam (mais) sérias: Vivian e Harp estão sendo procuradas pela Igreja Americana, os rostos das duas estão espalhados pela internet como fugitivas perigosas. E a Igreja, por sua vez, cresceu ainda mais depois de tantas pessoas terem sido levadas pelo primeiro Arrebatamento. Agora até quem estava em dúvida resolveu se converter para tentar conseguir um espaço na segunda balsa.

O que eu mais gosto nessa série, e acredito ser o grande diferencial dela, são temas polêmicos que a autora insere em sua narrativa, questionando a fé cega que muitas religiões tentam impor aos seus seguidores e também o sentimento de patriotismo extremo e a superioridade estadunidense sobre os outros países do mundo. Não são questões fáceis de se abordar em um livro YA, mas a Coyle conseguiu fazer isso de uma forma leve, sem fazer críticas duras e diretas, mas forçando o leitor a desenvolver seu próprio pensamento crítico e sua própria opinião sobre esses temas, mostrando que nem tudo é bom ou ruim, mas que existem diferentes nuances.

“- Essa situação não é preto no branco, na verdade, possui tons de cinza. É como Wambaugh falou: não veja grupos em vez de indivíduos.”

Nesse segundo volume as personagens estão melhores desenvolvidas também. Vivian não é a protagonista perfeita, que tem todas as respostas e sabe como deve reagir o tempo todo e isso é muito revigorante. Ela tem suas dúvidas, seus defeitos, suas inseguranças e comete erros sim, como qualquer outra adolescente, mas ela não fica mais reclamando o tempo todo. Harp continua uma ótima coadjuvante que por muitas vezes rouba a cena de Vivian, com seu humor ácido, cinismo, sarcasmo e inteligência. Peter foi uma personagem que me surpreendeu muito nesse volume. Ele se torna uma incógnita por um tempo, mas as revelações sobre ele são cheias de reviravoltas. Algumas dessas reviravoltas aliás me pegaram totalmente desprevenida!

O final foi bem satisfatório, mas não consegui me livrar do sentimento de que esse não é o final definitivo por dias. Talvez, parte desse sentimento se deva ao fato de estarmos tão acostumados com trilogias e não duologias, além do fato da autora deixar espaço para uma continuação, caso ela queira retomar a série. Porém, se não for uma narrativa muito bem pensada, pode acabar estragando uma série tão original e bem escrita. Se você ainda não conhece a história de Vivian Apple, já passou da hora! Corre agora pra livraria e aprenda com ela a se tornar a heroína da sua própria história.

“Vocês me decepcionaram bastante nesses últimos anos, América, mas nem mesmo eu acredito que o povo seja tão idiota.”


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

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