quinta-feira, 20/07/2017
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Eduardo Spohr resenha “O Silmarillion”

Livro: O Silmarillion
Autor: J. R. R. Tolkien
Editora: WMF Martins Fontes
Páginas: 480
Tradução: Waldéa Barcellos
Resenha por: Eduardo Spohr
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‘O Silmarillion’ relata acontecimentos de uma época muito anterior ao final da Terceira Era, quando ocorreram os eventos narrados em ‘O Senhor dos Anéis’. São lendas derivadas de um passado remoto, ligadas às Silmarils, três gemas perfeitas criadas por Fëanor, o mais talentoso dos elfos.

Enfim encerrada a leitura de O Silmarillion. E como eu sei que tem muita gente aqui que gosta do Tolkien, resolvi compartilhar esta (não tão) pequena resenha com vocês.

O Silmarillion acabou sendo bem melhor do que eu esperava. Fala-se que a leitura é lenta, e de fato é! Contudo, eu tenho uma “técnica” de leitura que em geral funciona: eu não só me preparo para entrar no clima do livro como espero o momento certo para ler, o momento em que eu estou preparado para encarar esse tipo de jornada.

Talvez por isso eu tenha demorado tanto para pegar essa obra. E agora ela veio na hora certa, nesta minha fase em que eu estou pesquisando sobre mitologia nórdica e relendo o Gênesis bíblico para escrever Paraíso Perdido. Ou seja, não podia estar mais na atmosfera para mergulhar de cabeça nas narrativas de O Silmarillion.

Levando isso em conta, a suposta lentidão não me incomodou em nada. Mas é importante repetir que ela existe de fato. Prepare-se para isso quando for ler.

Os primeiros capítulos/partes são mais morosos, justamente por seu caráter mais mitológico e portanto, mais subjetivo, como factualmente devem ser os relatos mitológicos. É difícil você imaginar concretamente o universo sendo criado por música, então é preciso saborear a coisa de forma poética. Aí funciona.

À medida que as eras (e as páginas) vão avançando, as lendas começam a se tornar mais palpáveis e na minha opinião, mais empolgantes. Sei que a galera adora a balada do Beren e da Lúthien (talvez por ele ter peitado o rei Thingol), mas o trecho que eu mais curti foi a luta do Fingolfin com o Melkor/Morgoth. Achei realmente IRADO e MUITO emocionante esse combate.

Do Akallabêth para frente fica mais digerível, pelo menos para um leitor de O senhor dos anéis como eu, porque já começa a aparecer tudo aquilo que vemos no livro e nos filmes. Fiquei impressionado em ver como a nação de Gondor (que me parecia antiga) é tão nova, e como o próprio Sauron é insignificante frente ao poder dos seres de outrora.

Como últimas palavras, digo que O Silmarillion encerra um paradoxo para mim. Em tese, o correto seria ler ele primeiro, já que se você pensar bem O senhor dos anéis é apenas um apêndice dessa peça, uma lupa sobre os eventos ocorridos durante a Guerra do Anel. Por outro lado, dificilmente alguém irá se interessar em ler essa obra sem ter lido O senhor dos anéis antes…

Agora estou cogitando dar uma conferida em Contos Inacabados. Quem já leu, recomenda?


Aviso Legal: Esse livro foi adquirido pela próprio resenhista.

Eduardo Spohr nasceu no Rio de Janeiro, em 5 de junho de 1976, filho de um piloto de aviões e de uma comissária de bordo. Por conta disso, o autor teve chance de viajar para vários países ainda na infância, quando já produzia escritos literários. Embora não tenha religião, seu contato com diversas culturas e a iminência de conflitos na Guerra Fria, durante sua juventude, o motivaram a escrever sobre o fim do mundo e religião em seu livro A batalha do apocalipse, situando a trama em várias civilizações. Antes de trabalhar nessa obra, estudou Comunicação Social, a princípio, dedicando-se à Publicidade, porém voltando mais tarde a sua preferência para a profissão de jornalista. Trabalhou os primeiros anos da década de 2000 como repórter, analista de conteúdo do portal iBest e editor do portal Click21.

Já como colaborador do blog Jovem Nerd ao participar do podcast Nerdcast, publicou seu livro na Nerdstore, loja virtual da página, pelo selo NerdBooks, por meio da qual vendeu mais de quatro mil exemplares, ainda sem amparo de editoras. Em junho de 2010, o Grupo Editorial Record publicou A batalha do apocalipse pelo selo Verus, vendendo, até dezembro do mesmo ano, 50 mil cópias. Logo em seguida, em 2011, lançou o primeiro livro da série Filhos do Éden, Herdeiros de Atlântida e depois, Anjos da Morte, em 2013, e Paraíso Perdido em 2015.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

Um comentário

  1. Contos inacabados é esclarecedor! Fala sobre Tuor , Filho de Huor. E agora ouvi falar de um que fala de Turim, filho de Hurin!

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