terça-feira, 25/04/2017
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Resenha: “DUFF”, de Kody Keplinger

Livro: DUFF
Autor: Kody Keplinger (@kody_keplinger)
Editora: GloboAlt
Páginas: 328
Tradução: Fal Azevedo
Resenha por: Bru Fernández
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Bianca Piper não é a garota mais bonita da escola, mas tem um grupo leal de amigas, é inteligente e não se importa com o que os outros pensam dela (ou ela acha). Ela também é muito esperta para cair na conversa mole de Wesley Rush – o cara bonito, rico e popular da escola – que a apelida de DUFF, sigla em inglês para Designated Ugly Fat Friend, a menos atraente do seu grupo de amigas. Porém a vida de Bianca fora da escola não vai bem e, desesperada por uma distração, ela acaba beijando Wesley. Pior de tudo: ela gosta. Como válvula de escape, Bianca se envolve em uma relação de inimizade colorida com ele. Enquanto o mundo ao seu redor começa a desmoronar, Bianca descobre, aterrorizada, que está se apaixonando pelo garoto que ela odiava mais do que tudo.

“Depois de pensar nisso por um tempo, decidi que havia muitos benefícios em ser uma Duff.
Benefício 1: não é preciso se preocupar com cabelo ou maquiagem.
Benefício 2: não há pressão para ser descolada – não é para você que estão olhando.
Benefício 3: sem problemas com garotos.”

Me identifiquei com esse livro assim que o peguei em mãos. A capa é muito gracinha e o marcador que a GloboAlt enviou junto mais gracinha ainda, então fiquei encantada pelo livro sem antes mesmo saber sobre o que se tratava. DUFF conta a história de Bianca, uma garota que ainda está no colégio e não faz parte da turma popular. Bianca tem as suas suas melhores amigas e isso basta para ela.

Bianca não é uma garota baladeira, prefere ficar em casa do que ir se jogar na pista – e nos garotos – mas acaba acompanhando as amigas de vez em quando, só que ela fica no bar conversando com o barman e enchendo a cara de Coca-Cola zero. Então um dia Wesley, o bonitão da escola, resolve se aproximar de Bianca, apenas para conseguir ficar com alguma de suas amigas. Bianca, obviamente, se diverte com essa afirmação de Wesley e dá risada, mas ele então afirma que essa é a função dela, afinal ela é a Designated Ugly Fat Friend (DUFF) do grupo. Em outras palavras, ele afirma que Bianca é a amiga gorda e feia que as outras meninas usam para parecerem mais bonitas. É aquela amiga que os caras fazem amizade para chegar nas outras garotas do grupo. Ela fica claramente revoltada com toda essa sinceridade de Wesley e acaba fazendo o que qualquer outra pessoa faria no lugar dela (#sqn)… ela o beija.

O quê? Pois é, esqueci de mencionar no começo da resenha que a Bianca é uma personagem bem impulsiva. O que mais me agradou nela foi que ela não é totalmente previsível, como era de se esperar de uma protagonista de um livro YA. A partir daí, a vida de Bianca vira de cabeça para baixo. Ela começa a ter problemas sérios em casa por conta do casamento conturbado de seus pais que parece estar chegando ao fim, e o fato de que seu pai é um ex-alcóolatra não ajuda muito. Ela tenta lidar com tudo da melhor maneira que sabe mas começa a mentir para suas amigas e a se encontrar secretamente com Wesley. E apesar de todos esses problemas acontecerem ao mesmo tempo Bianca não consegue deixar de martelar em sua cabeça o rótulo de DUFF, tentando provar o tempo todo para si mesma que isso não a incomoda, quando na verdade é mais do que perceptível que ela ficou extremamente chateada com o apelido. Quem não ficaria, não é mesmo?

O livro pode parecer um drama adolescente bem bobinho, mas não se deixe enganar pelas aparências. A autora aborda assuntos extremamente importantes e delicados nessa história como a insegurança, a fuga de um problema (entre adolescentes e adultos) e a importância da amizade para te ajudar a superar problemas. Me identifiquei e me diverti muito com Bianca, mas também aprendi bastante com a personagem. A narrativa tem uma forte mensagem de aceitação e condena o ato de rotular os outros e o julgamento alheio, que infelizmente é o que acontece todos os dias no mundo real, principalmente dentro de um colégio. Se não gostamos de ser julgados, devemos primeiramente parar de julgar os outros, já é um bom começo.

Antes de finalizar, deixo aqui um apelo: não julgue esse livro (e outros!) por sua adaptação. Muitas pessoas que eu conheço e somente assistiram ao filme me disseram que a história é bem fraquinha. Não assisti, mas acredito que o livro tenha uma mensagem muito importante para as garotas que sentem algum tipo de insegurança por conta de suas aparência. Meninas, saibam que esse sentimento é mais comum do que vocês imaginam. Todas nós nos sentimos uma DUFF em algumas situações, mas depende somente de nós superar essa insegurança! Coloca essa cabeça pro alto, vai lá e arrasa, sempre à sua maneira ;)

“Mas por que eu deveria fazer alguma coisa apenas para mudar o que ele ou qualquer outra pessoa pensava de mim? Eu não deveria. Nem ele.”


Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o Livros em Série.

Sobre Bru Fernández

Formada em Letras, trabalha como Revisora e Tradutora em uma agência publicitária e preenche suas horas vagas assistindo a seriados, filmes e partidas de futebol, vôlei, basquete e ice hockey, além de ouvir música, ir a shows e, claro, ler. Não curte chick-lits e prefere os thrillers, policiais, YA e fantasia. Nunca sai de casa sem guarda-chuva e um livro na bolsa, afinal nunca se sabe quando irá chover ou surgir uma fila/trânsito em São Paulo.

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